Ensaio sobre a concepção do ser através da divina geometria
I - Da Manifestação da Vontade
A unidade, manifesta em um ponto, é a singularidade posta em evidência pela vontade.
O ser-humano, na condição de unidade emancipada, é o agente habilitado a traduzir esta vontade.
O ponto é o paradoxo do início da criação: a extensão de uma vontade insondável que antecede seu aparecimento.
Um ponto é uma esfera; seu decalque na matéria-prima separa em luz e sombra a neutralidade do caos.
O primeiro espaço auto-referente onde o tempo cíclico é sentido pelo sujeito.
Toda Obra está no ponto; pela apuração da unidade o indivíduo descobrirá sua natureza oculta no universo polarizado.
A vontade criativa, agora tangível, mostra seu engenho; ao mergulhar dentro do ponto, encontra-se nos limites dessa unidade, a dualidade.
II - Do Universo Polarizado
O mergulho ao ponto é a essência mesma da dualidade e revela a potência complementar em sua órbita, separados pelo raio da vontade.
O filho primordial é o eco da vontade criativa; distantes e, ao mesmo tempo, unidos pela gravitação mútua.
Esta gravitação é o desejo de tornarem-se unidos outra vez.
O reencontro desejado por ambos os pólos é a paixão como inteligência natural que opera como mediadora, criando o campo fértil para que essa reunião venha a se consumar.
Nesta fase, esta inteligência veste-se como desejo e institui as condições pelas quais possa haver a reprodução da espécie e a materialização da vontade.
O três está na unidade; dois extremos e um centro.
A vontade opera dois agentes; seu poder de criação é a ambiguidade universal, inerente ao princípio da vida.
Da união recíproca dos dois aspectos da Vontade, cria-se uma relação dimensional compartilhada.
O ponto Um (a), a afirmação; o ponto Dois (b) a negação; e o subproduto dessa comunhão (diálogo), a conciliação.
Do ponto Três (inferior) e do ponto Quatro (superior) nasce o raio que atravessa o Raio da Vontade.
Do encontro dos raios, do centro dessa união surge a luz do espírito como quintessência.
Esta luz exibe sua figura oculta e dá forma aos gêneros feminino e masculino no universo natural.
Sua face é a grade primordial de onde brotam todas as aparências.
O primeiro olho do universo está pronto e dele também é a luz que ilumina.
IV - Da Consciência da Tríade
Da luz concebida pela união dos pólos irradia a consciência da Tríade na segunda dimensão.
Nasce o potencial de vir-a-ser na terceira dimensão pela união dos quatro humores da natureza.
O verbo se manifesta enraizando-se pela gravitação.
O planeta é o berço e, ao mesmo tempo, o ovo primordial.
Pela autossuficiência, o instinto animal promove a possibilidade de reprodução.
Todo ser gerado a partir disso nascerá destinado a sentir o processo de atração e reprodução.
As três potências dessa sabedoria refletem sua própria essência central e a reunião dos seres será regida pela paixão como inteligência natural.
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