Os Swans aterraram em Portugal para a primeira de três noites e submeteram a Culturgest ao seu brutalismo líquido.
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Os Swans aterraram em Portugal para a primeira de três noites e submeteram a Culturgest ao seu brutalismo líquido.
Passou-se demasiado tempo desde o último concerto dos Swans em Portugal. Por causa da pandemia, o mundo ficou sem saber a que é que leaving meaning. soaria ao vivo. Agora, com The Beggar já no horizonte, o público lisboeta ficou a saber o que mudou…
Visita guiada e conversa com a fotógrafa Vera Marmelo
Visita guiada e conversa com a fotógrafa Vera Marmelo
“2020 e 2021, durante as duas temporadas que passei a trabalhar a partir de casa e fiz umas fotografias que não me são muito comuns. Entre Março e Junho de 2020 corri muito pela cidade.
No final de Janeiro de 2021 encurtei a distância e fotografei a minha praceta: https://www.instagram.com/explore/tags/marmelocartografando/
Quem diria que era uma despedida do meu Barreiro. Temporária, será? A…
Numa noite chuvosa e fria, véspera do feriado de 25 de abril, Noah Lennox, um dos quatro membros fundadores dos Animal Collective, apresentou em Lisboa o sexto e mais recente álbum de Panda Bear, ‘Buoys’.
No Grande Auditório da Culturgest, envolvente e acolhedora sala de paredes forradas a madeira e cadeiras confortáveis, pelas nove e meia já todos os espectadores estavam sentados à espera do início do concerto. “Thank you for coming everybody” - foram as primeiras palavras ditas pelo músico, e, a par dos agradecimentos finais, as únicas que dirigiu ao público durante todo o concerto.
A imagem de Lennox de pé no palco, apenas acompanhado de uma mesa de mistura e de um microfone, reflete precisamente a sua construção musical, já que é único responsável por escrever, tocar e cantar as músicas de Panda Bear. Apesar da sua postura introvertida, o músico conseguiu criar no público uma sensação de inclusão e conforto no mundo submerso que é palco do seu novo álbum.
Noah abriu o concerto com “Home Free”, curiosamente a última música do álbum ‘Buoys’. Em poucos minutos já começávamos a encontrar a solidão e o sossego que o músico constrói neste álbum, ao escalar os complexos instrumentais a que nos habituou nos álbuns anteriores a apenas meia dúzia de sons. Levou-nos logo a seguir ao seu primeiro álbum, ‘Person Pitch’, com a música “Comfy in Nautica”, enquanto as luzes iam ficando mais pálidas e ofuscantes e uma densa nuvem de fumo sorvia a plateia.
Foto pela Vera Marmelo @ Culturgest, Lisboa
“Nod to the Folks” marcou a transição para a esfera leve e arejada do seu álbum de 2018 lançado exclusivamente em vinil, ‘A Day with the Homies’. As luzes eram cada vez mais coloridas e as imagens projetadas mais aceleradas, ouviam-se palmas e assobios, a plateia abanava a cabeça e batia o pé ao som da música, dentro dos limites que um concerto sentado impõe. Deste álbum ouvimos também as músicas “Part of the Math”, um dos momentos altos da noite, “Shepard Tone” e “Sunset”.
Mas era ‘Buoys’ que os espectadores verdadeiramente queriam ouvir - as músicas deste álbum eram rapidamente reconhecidas e calorosamente recebidas pela plateia assim que começavam. Talvez por prever ou se aperceber desta ressonância no público, foram também estas as músicas que o Noah tocou com mais prepotência e empatia. Começava a ouvir-se a música “Token” enquanto frenéticas e intensas luzes estroboscópicas ofereciam ao público sensações visuais confortavelmente perturbadoras. Logo a seguir, a simplicidade e leveza da música homónima do álbum, “Buoys”, transportou-nos de volta para o solipsismo que o caracteriza. “Dolphin”, um dos highlights do álbum e também do concerto, com o seu distinto arranjo de percussão que lembra gotas de água, permitiu criar uma esfera de tranquilidade e sensação de submersão algo resignada.
Foto pela Vera Marmelo @ Culturgest, Lisboa
O concerto terminou com uma carregada nuvem de fumo, iluminada e quase opacificada pelas intensas luzes do palco, que despertou fortes aplausos e assobios no público - embora não fortes o suficiente para motivar um encore.
Foi um espetáculo impessoal mas acolhedor, que terá certamente enchido as medidas dos espectadores, que deixaram a sala com sorrisos. Panda Bear já prometeu regressar ao estúdio ainda este ano, esperamos igualmente pelo seu regresso aos palcos, curiosos por descobrir o rumo que dará ao seu imprevisível e já tão divergente processo criativo .