""A Ilha perde o Medo Uma das menores e mais icônicas ilhas do arquipélago da Baía de Todos os Santos, é de fato um lugar sagrado, um verdadeiro portal para outras dimensões. No flash incessante que foi o século 16, o local era um pesqueiro natural frequentemente visitado pelas canoas dos tupinambá que habitavam o entorno deste nosso acidente geográfico, que para eles era apenas a extensão do “rio largo” conhecido como paraguaçu-kirymure, em função disto a ilheta era constantemente utilizada para emboscadas entre aldeias inimigas. Foi justamente em referência a este fato, apoiado pelo receio de alguns índios em visitar a ilha, que o português maroto já nas primeiras décadas da colonização deu-lhe o nome de batismo que mais cabia, “do Medo”, o que também deveria ser um dos sentimentos que imperavam por ali. Pouco depois, em 1574, o sistema colonial português já estava plenamente estabelecido, e um dos netos de Diogo “Caramuru” Álvares recebe a doação da "Ilha do Medo”, pretendia o mesmo q os índios, usufruir dos seus pesqueiros naturais, entre bancos de areia e cercas de pedras onde estavam as arapucas perfeitas para capturar centenas de peixes de uma vez só, ou encontrar uma baleia encalhada. Desde então todas as cartografias históricas sobre a Baía, possuíam referências sobre a ilha, alertando para o risco de navegar perto demais dela; permanecendo resumida a essas é outras pequenas citações durante todo período colonial, até 1823 durante a nossa guerra pela Independência, quando, ironicamente, parte das embarcações e soldados que tentaram invadir a Ilha de Itaparica no dia 7 de janeiro, fugiram para mais próxima e única ilha, que carregava alcunha o mesmo sentimento que eles carregavam no peito. Não se sabe se em função disto ou não, mas em 1865, o governo da Bahia decide doar a ilha para o Exército construir, (justamente ali, uma ilha desabitada e sem fonte de água potável) um quartel militar e o novo depósito de pólvora da província... o resultado foi um obra superfaturada e abandonada, antes mesmo de completarmos 50 anos como uma Nação. Só em 1938, a >>Ilha do Medo<< deixou de pertencer ao Exército." Por: @instaparica Pesquisador: @fspbrito #vivailha (em Ilha do Medo) https://www.instagram.com/p/B89HNA4hM_i/?igshid=1rw05la8evw15