Eu tenho medo
Do que será da minha nação
Temo que ela volte
À era da escuridão
E me apavora pensar
No destino da população
Tomada pelo fascismo
Manchada pela corrupção
Cega pelo ódio
Rumo à auto destruição
Em meio ao caos
Pensam que a única opção
É a intolerância
E a segregação
O genocídio
Da "invisível" fração
Eu temo acordar
Com a terrível visão
De marchas nas ruas
Cheias de gente sem coração
Que se orgulha em carregar
Armas e mortes na mão
Temo pela vida
De todo e cada irmão
Que seja diferente na pele, na alma
No gênero ou na opinião
E por sua diferença
Sofra perseguição
De uma nova ditadura
De uma nova prisão
Eu venho evitado notícias
Desisti da televisão
Tentei me isolar
Das pesquisas de eleição
Mas não há fuga
Por mais difícil a situação
Ainda mais na minha pele
Ainda mais na minha profissão
Antes que seja tarde
Percebi que o melhor, então,
É ir, mesmo com medo,
Tomar alguma ação
Mesmo que me dê ansiedade
Mesmo que me dê depressão
Unirei minha voz
A tantas outras nesta canção
Entoar que Marielle vive
E chega de circo e pão
Ainda creio nas flores
Vencendo o canhão
E afirmo sem receio
Que o futuro é #elenão
Verônica Nunes de Holanda










