Qual o impacto financeiro da diversidade?
Pesquisa inédita na América Latina revela como a diversidade afeta positivamente os resultados financeiros e pode ser o diferencial para enfrentar a crise pós-pandemia
Diversity Matters: Latin America é um estudo inédito realizado pela McKinsey & Co. que apresenta fatos e dados sobre os impactos positivos da diversidade em empresas no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Panamá. Realizada com 3.900 funcionários de 1,3 mil empresas da região, a pesquisa demonstrou a relação direta entre a inclusão e diversidade de gênero, etnia e idade para a inovação, trabalho em equipe, liderança e, por consequência, os resultados financeiros.
Segundo o relatório, a diversidade é a base de um ciclo virtuoso nas organizações. Um ambiente que acolhe e respeita as diferenças aumenta a satisfação dos funcionários que, mais à vontade para se expressar, repercute no desempenho individual, engajamento na equipe, na colaboração com ideias inovadoras, melhores práticas de gestão e liderança.
Por sua vez, funcionários mais satisfeitos contribuem para o índice de saúde organizacional (Organizational Health Index, OHI), atualmente um fator crítico para os resultados financeiros. Empresas que apresentam alto índice de saúde organizacional geram retorno 3 a 4 vezes maior para os acionistas e na América Latina as companhias com maior índice de OHI apresentaram desempenho financeiro 59% maior que as de menor índice.
A pesquisa também indica que as empresas com maior número de mulheres em suas equipes executivas têm 14% mais chances de obter desempenho financeiro superior (EBIT) ao de seus pares do setor.
Apesar dos benefícios apresentados em todos os níveis, o número de empresas na América Latina adeptas à cultura da diversidade de forma mais ampla ainda é mínimo. Só para citar um exemplo, apenas 11% dos executivos das organizações pesquisadas são mulheres - e mais da metade de todas as empresas não tem mulheres em suas equipes executivas.
Se por um lado os números são preocupantes dada à enorme diversidade da região, sobretudo do Brasil, por outro é uma oportunidade para as empresas "correrem para se recuperar do prejuízo" e adotarem uma cultura de inclusão. O relatório da McKinsey destaca, justamente, que a diversidade pode ser o alicerce e diferencial para as empresas se reinventarem, buscando oportunidades para inovar, restaurar e adaptar suas operações em um cenário pós-pandemia.
Alessandra Segatelli é CFO da Pearson Latin America, professora convidada da Universidade Mackenzie, membro do Women CFO Brazil e do blog #Mundo50e+
Veja a íntegra do estudo Diversity Matters Latin America com as recomendações para o desenvolvimento de uma política de inclusão e diversidade organizacional














