VINTE E DOIS. Sempre fui um amante das mudanças, das novas experiências e outras possibilidades. E algumas datas trazem isso muito à tona, como meu aniversário. É um dia de expectativa, de fazer uma faixa enorme e bem chamativa, dando as boas vindas às minhas novas facetas e às ondas que banharão esses mistérios que o novo ano guarda. Só que dessa vez foi diferente. Não foi nada planejado, nem avisado, só senti tudo que não florescia mais, desmoronar. E me senti um pouco perdido, olhando para os lados e para o espelho. Fui despido, sem meu consentimento, de hábitos, manias, pessoas e até algumas crenças. Os primeiros passos foram os mais difíceis, parecia que tudo estava se desprendendo de mim. E agora tenho a certeza de que realmente estava. Assumi outra voz, outra postura, outro olhar e outras prioridades. Desse jeito mesmo, instantaneamente, sem prometer nada. Só que nada é muito estranho. Parece que foi tudo arquitetado, como se eu tivesse assinado algum termo em que viveria 21 anos construindo tudo que eu precisava para assumir a partir dos 22. E apesar da pouca idade, foi muito tempo. Foram inúmeras batalhas, desilusões e outros eus, que mantiveram a força nos piores momentos. Hoje, dei passos mais firmes rumo à esse desconhecido, que me invadiu os olhos, suspirou e se pôs a escrever a respeito. E cada palavra parece ter sabor de vida e me faz sentir ainda mais leve. Quem me vê por aí, pode até achar que continuo o mesmo. Mas os que caminham realmente comigo, não terão dúvidas de que renasci.
Mário Dias, nova vida em uma mesma pele.











