Falamos de medo ou por medo?
Ao longo do desenvolvimento deste blogue têm sido vistas em comparação duas juventudes e duas gerações muito distintas: a geração dos ‘sixties’ e a geração contemporânea.
Contudo, após aprofundar um tema tão relevante como é o Free Speech Movement, que nasce em 1964 na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e após procurar saber mais daquele que foi o impulsionador da ‘voz’ e expressão individual dos alunos, e seus colegas, Mario Savio, consigo por fim determinar uma diferença ou talvez a grande diferença que separa duas visões tão diferentes e distantes.
Falamos de medo ou por medo? Medo é definitivamente algo que nos pode direcionar a fazer algo ou do mesmo modo impedir de fazer algo. A juventude dos ‘sixties’ agiu e lutou por medo das consequências que viriam caso estes não o fizessem, por medo que a ‘máquina americana’ envolvesse e corrompesse as suas suas vozes de tal maneira que a única solução fosse viver segundo os seus ideais ou não viver de todo. Era portanto tempo de actuar e impedir o ponto sem retorno, era tempo de impedir o ‘silêncio eterno’ e de falar mais alto, era tempo de viver.
Hoje em dia posso afirmar que não falamos por medo das consequências de agir, ao invés das consequências de não actuar assim como fizeram os nossos antepassados. Talvez por comodidade, ou porque as nossas opiniões não concretizam a importância necessária para nos levar a procurar a mudança. Somos simplesmente a geração da apatia, onde mais vale ficar calado do que ser a voz que destoa a ‘máquina’ até então construída e uniformizada e sofrer as suas consequências. Ou até mesmo ficar calado pela incerteza de que algo vá mudar de todo. Será que vale a pena dar o corpo ao manifesto? É a pergunta que ecoa por entre os jovens que vivem actualmente na indiferença ao mundo que os rodeia.