Esse texto é de uma pessoa muito próxima a mim, ele é um cara fora do padrão com pensamentos incríveis. Recentemente me pediu para escrever um texto no blog mas prefere não se identificar, então criamos um codinome... Tanjar.
O que importa é que muitas vezes ele vai contra o fluxo, chega com uma visão totalmente dele fazendo uma bagunça na sua cabeça. Você começa a se perguntar porque sempre agiu ou pensou assim... simples força do hábito?
“DON'T KNOW THE PAST, DON'T KNOW THE FUTURE”
Você já deve ter lido essa: “auto-didata, é um individuo que resolveu ser ignorante por conta própria”. O que se diria então sobre auto-ajuda? Alguem que ajuda a si mesmo a continuar no buraco?
Bem, eu desconfio que os autores de livros de AUTO-AJUDA, de fato se AUTO-AJUDAM, a ficarem ricos e famosos. Mas não preciso ser tão azedo, existem alguns desses livros que transmitem insights bacanas e despertam uma auto-critica, e isso, “eu curto”. Bons livros nos ajudam a entender como somos, mas não ajuda a solucionar nossos problemas emocionais e de relacionamento, simplesmente porque como somos e agimos hoje é consequencia do que nos aconteceu nos primeiro 5 ou 7 anos de vida, alguns dizem 3 anos. Isso é fato, é Freud, é Breuer, é Winnicot...é Foda!
Essa introdução é para preparar o ambiente para o que vou relatar. Aconteceu que há algumas semanas fui convidado a assistir a uma palestra dessas, tipo, “como viver melhor”, prefiro não dizer o real nome da palestra para não entregar o palestrante. A palestra ia bem até ele começar a falar sobre aquela coisa do poder do agora, de que o importante é viver o PRESENTE, que o passado ficou pra traz e não podemos muda-lo, que temos que cuidar da nossa vida no momento presente, CARPE DIEM, etc.
Parenteses para que saibam que na minha percepção o presente é apenas um lapso de tempo, ínfimo, que liga o passado ao futuro. O presente, ele não tem sustentação.
Voce também deve ter alguma convicção sobre algo e briga pelo seu ponto de vista. Pois é! Eu aceito qualquer desaforo, mas iria até pra fogueira da inquisição defendendo meu ponto de vista sobre insignificância do tempo PRESENTE.
Voltando ao momento da palestra, aquelas informações, pra mim equivocadas, foram enchendo meu copinho interno, e transbordou na forma de uma pergunta:
- Como o senhor nos diz para viver o presente quando o presente é um lapso ínfimo de tempo, fulgas?
Silencio na sala. Uma multidão de olhinhos arregalados apontavam pra mim. Achei que ouviria, “preparar, apontar, fogo”. Alivio, não me fuzilaram.
- Como assim? Perguntou o palestrante, me resgatando da turba.
- Eu vejo o presente como um momento estático, “eu sou, eu estou, eu bebo, eu ando,etc.”, e nada em nossas vidas é estático, no nosso físico as células estão em constante divisão celular, mitose e meiose. Nossas atitudes e nossos pensamentos, são dinâmicos e mudam a cada instante. Estamos sempre em movimento. Até a decomposição de um corpo é algo dinâmico. E o presente vira passado numa tal velocidade que ele mal existe.
Imagine que está caminhando numa estrada, o quanto você percorreu é o passado o que falta percorrer é o futuro, e o presente é o ponto em que você se encontra num determinado momento. Viver o presente é parar em algum ponto da estrada e ali ficar. Parado. Se você fizer isso não chegará no futuro.
Quando se da um simples passo, a gente sai do passado para o futuro, o presente é apenas um milésimo de instante entre aqueles dois tempos.
Trazendo isso para a estrada da vida, enquanto o presente é fulgaz, o passado não, o passado está e estará sempre lá, no consciente, no subconsciente e no inconsciente. O passado nunca passa, aliás quando eu digo que o passado ESTARÁ sempre lá, estou usando o tempo verbal no futuro o que quer dizer que ele fará parte do futuro, sempre.
E o futuro? O futuro é um tempo que está nos esperando e quando chegarmos até ele, ele se tornará passado.
Silencio total. Embaraço total. Senti-me um desmancha prazer. O trem fora nos trilhos.
O palestrante poderia ter temporizado, e eu entraria num acordo, mas ele comprou a briga e...
- Pelo contrario! Só o presente existe. Sabe aquela estrada que você falou? Entao, imagine-se parado num ponto, olhando pra traz, você se vê lá atras? Não. Olhe a frente, você está lá? Também não. Se você não está no passado nem no futuro, você tem que estar no presente, portanto ele existe.
- Quando olho para o passado eu estou la, sim. Eu me vejo criança, menino, adolescente, estudante, vejo meus traumas, rancores, amores, paixões, desilusões e da sorte de acontecomentos que me trouxeram até aqui e me motivam a estar nesta palestra.
Neste momento uma mulher coloca:
- Eu estou no presente, e procuro fazer tudo de foema diferente do que fiz no meu passado.
- Perfeito! Completei. O que você faz no seu presente é reprogramar o seu passado para alcançar um futuro diferente do que você já teve. Não tem como ser diferente, o que fazemos o tempo todo é reprogramar nosso passado aplicando nosso aprendizado para isso.
Sob um outro ângulo, vejamos assim, continuei:
- Percebo que ninguém aqui tem menos que 20 anos, e todos pretendemos viver pelo menos mais vinte anos, e este momento presente dura apenas um segundo, se tanto, então não posso admitir que um lapso de tempo de um segundo seja mais importante na linha de tempo do que quarenta anos, vinte de passado e vinte de futuro. Completo, se o presente fosse o que realmente importasse, estaríamos todos na praia agora.
- Gente! Estamos na hora do nosso coofebreak, voltamos a esse tema e outros após o break. Intercedeu a secretaria do evento.
- “DON´T KNOW THE PAST, DON”T KNOW THE FUTURE”, Ziggy Marley. Falei em voz baixa, e fui tomar café em casa.