Bonnniieeee!!!! Bonbon!! Where aaaareee yoouuuuu!?
[Big, clomping footsteps. Isabeau time. Kill this man, Boniface.]
[There was no accidental off anon send. Trust me.]
{@defender-of-jouvente}
(Wow, that was louder than they remembered. Felt weird, too. They could feel the vibrations of hulking footsteps in their paws. The new senses were overwhelming, but they had to just push through it. Get Za’s attention. The prank wasn’t even on their mind. They began caterwauling inside their tent.)
Festival Ecos do Lima volta a ecoar pelas margens da bonita vila de Ponte da Barca | Entrevista
Ecos está de regresso às águas diáfanas do Lima já nos próximos dias 11, 12, 13 e 14 de Julho, com acesso livre a todos: não só destinado aos barquenses como todos que venham de fora serão, com toda a certeza, muito bem recebidos.
O Festival Ecos do Lima vai sublinhar a música de dança e avant-garde, internacional e nacional, trazendo também, à luz da contemporaneidade, a cultura minhota do baile gaiteiro.
A organização está a cargo da Associação Juvenil do Lima. O evento oferece, até domingo, muita música, literatura, cinema e artes visuais, num palco natural que une a paisagem e a comunidade.
Contará com exposições e instalações, arquitetadas por amigos do evento, e ainda com workshops infantojuvenis para as pequenas mentes de hoje, que serão os cidadãos de amanhã.
Por isso, o Festival Ecos do Lima destina-se a ser um espaço de intervenção cultural em Ponte da Barca.
Cartaz:
Numa manhã quente, apenas a uns dias do festival acontecer na pacata e bonita vila de Ponte da Barca, estive à conversa com a Inês, o Diogo, o Nelson, o Kevin e o André, organizadores do festival Ecos Do Lima, para uma conversa sobre a simbiose entre o Ecos do Lima e as tradições enraizadas da vila minhota, sobre o cartaz de luxo que o grupo de amigos conseguiu montar, e sobre o passado e futuro de um dos festival mais bonitos de Portugal.
~ Entrevista à organização do Ecos do Lima
headLiner (Luís): O Ecos do Lima realiza-se desde 2015, há praticamente 9 anos. Os jovens de 2015 que começaram esta aventura, sonhavam que em 2024 ainda estariam a organizar este festival?
Inês: É engraçado porque o Diogo e o Nelson estão no festival desde a sua génese, ou seja, foi muito pela vontade deles.
Diogo: A primeira edição foi uma edição experimental para aproveitarmos o potencial que tem o Choupal, e como na altura eu e mais uns amigos que também estavam na organização tínhamos uma banda e conhecíamos algumas bandas, achamos que poderíamos potenciar o espaço através desse conhecimento para fazer um cartaz low cost e ver como corria.
Não correu mal, também não correu assim muito bem (risos), e decidimos continuar nos anos seguintes. Mudamos uma coisa ou outra, a melhorar um bocadinho aqui e ali, mediante o que conseguíamos e o que podíamos. Entretanto a Inês, o Kevin e o André juntaram-se, e muitas outras pessoas que nos acompanharam desde o início, e que, entretanto, foram às suas vidas. O festival está sempre a renovar-se.
Nelson: Eu ia complementar um bocadinho… acho que claro se está a renovar, claro, mas os ideais inicias, que eram a paisagem, a própria comunidade, a música, os amigos, isso manteve-se. Claro que se foi renovando, as próprias pessoas que nos ajudaram no início, agora tem trabalho, acaba por ser mais complicado, mas de certa forma tentam sempre ajudar e trazer mais gente, o que acaba por fazer o festival autossustentável na própria comunidade. Ou seja, apesar da renovação, houve certos valores que se mantiveram.
headLiner (Luís): Que dificuldades sentiram ao organizar um festival de música alternativa, como o Ecos do Lima, numa região tão rica em tradições e profundamente ligada às suas raízes culturais?
Nelson: Acho que dificuldades há sempre. Quando tivemos a ideia de criar o festival, não pensamos nessas dificuldades, houve essa inocência de certa forma. Se pensássemos nas dificuldades, não saiamos da cepa torta (risos). Nós pensamos um bocadinho ao contrário, queremos fazer, e depois à medida que vamos fazendo vamo-nos adaptando, vamos virando as esquinas. Não há esse pensamento da dificuldade, não há esse “pequenismo” de Ponte da Barca, é exatamente o aposto. A Barca tem muitas coisas para dar, vamos aproveitando isso da melhor forma e não pensar que somos pequenos e que não vai dar para fazer.
headLiner (Luís): “intervir culturalmente em Ponte da Barca, em diálogo com o território e a comunidade”. Como tem sido a receção da comunidade local ao festival ao longo dos anos?
Inês: Bem, isso foi um processo longo. Sempre houve uma intervenção da comunidade, mas foi crescendo muito ao longo dos anos. Como disseste, e bem, Ponte da Barca ainda está muito fechado em si próprio, nas suas próprias tradições, e quando vem alguma coisa nova, alguma coisa mais alternativa, as pessoas estranham. Tanto é, que numa fase mais primitiva do festival o público era praticamente de fora, mas agora acaba por ser exatamente o contrário e até temos um público muito vasto de faixas etárias. Por muito que não seja o estilo de música dessas faixas etárias, tentam perceber e até gostar de muitas das bandas que passaram por aqui, até se calhar são bandas que agora elas ouvem. Por isso sim, cada vez é mais incisiva essa participação.
headLiner (Luís): O Ecos do Lima vai para além da música, trazendo outras valências. Como têm envolvido a comunidade no festival?
Nelson: As associações têm um papel preponderante. Quando fazemos o planeamento do festival reunimo-nos com as pessoas daqui, tentar aproveitar o que já existe e integrar no cartaz.
Por exemplo, este ano temos um ponto muito forte, os Gaiteiros de Bravães. O Zé Rafa tem uma preponderância muito grande em termos culturais aqui na Barca, tanto com as crianças como com as pessoas mais idosas, é sempre muito dinâmico, e desde início nos quis ajudar e entrar dentro do projeto. Temos também uma parceria com o Lindoso Connection...
Inês: É o que o Nelson estava a dizer, as associações têm um papel fundamental. Se há associações do foro cultural nós tentamos com que elas integrem a programação. Alias, não é só integrar a programação, nós pensamos em conjunto o festival. Eu acho que está aí a chave da comunidade, não é simplesmente arranjar um slot no cartaz, é pensar em conjunto com as associações.
Também a título individual, temos muita programação, talvez não este ano, até porque o festival de ano a ano vai mudando, que surge de sonhos e projetos individuais. Por exemplo, na edição passada com a Inês Portocarrero os encontros de poesia. Ela está muito associada à biblioteca. Costuma fazer essas sessões de poesia, e acabamos por falar com ela e transpusemos para o festival. O cinema também na última edição, foi até o máximo exemplo do tal sonho individual. A Susana Varela que é uma cinéfila, não tem qualquer projeto oficial de cinema, simplesmente vê filme e tem uma cultura muito vasta nisso, e numa conversa com ela criamos um momento, uma programação dedicada ao cinema.
Nelson: Depois há outra parte da comunidade que já deves ter sentido um bocado, que é a parte da construção do próprio festival. Desde distribuir flyers até à conversa no café com os amigos a falar do que vamos fazer, deve ser das partes mais belas do festival, é o fazer acontecer, a união. Depois de todo aquele esforço, no final estarmos com os nossos amigos e estarmos a ver: “olha, fizemos isto”, e ver a dinâmica que a Barca ganha é dos sentimentos mais belos. Essa questão da comunidade também é isso, fazer algo em conjunto e cada pessoa sentir que faz parte do festival.
Inês: Até tenho mais exemplos da programação deste ano. As próprias instalações que estão no Choupal, que são de amigas do Ecos do Lima que já vem há muitas edições, e que manifestaram esse interesse de montar uma exposição e uma instalação artística. Elas também vão estar associadas a um workshop numa oficina juvenil, que vai acontecer na sexta-feira. Elas próprias manifestaram essa vontade de participar, apresentaram-nos um projeto, fomos trabalhando sobre isso e vai se concretizar.
headLiner (Luís): Falando de música, o Ecos do Lima nunca tinha trazido tantas bandas internacionais. Foi uma aposta do festival este ano? É um objetivo dar mais visibilidade para além de fronteiras, nomeadamente para o país vizinho através de bandas como os ZA! e os Dame Area?
Kevin: Não lhe chamaria um objetivo, mas simplesmente algo que aconteceu naturalmente. Se pensarmos que o festival já tem quase 10 anos, só houve até hoje um artista que não era português, portanto já tivemos imensas edições onde demos palco a muita coisa boa que se faz cá.
Também tem de se perceber que na zona norte e agora no verão, há imensos festivais desta dimensão que trazem bandas principalmente portuguesas, portanto se continuássemos nesse registo talvez iríamos começar a repetir o que já fizemos ou repetir cartazes. Foi necessário evoluir dessa maneira e de certa fora é uma maneira de atrair outras pessoas, até porque o que acontece muito em Portugal, “o que vem de fora é melhor”, esse é o pensamento de muita gente. Na verdade, nós achamos sempre tudo muito bom aquilo que trazemos cá. Isto pode ser uma forma de quem não conhece o festival, começar a conhecer.
Diogo: Nós andamos a pesquisar o mercado em Portugal, e o contexto de “banda” está cada vez mais raro de se apanhar. Há menos bandas emergentes, há cada vez mais individuais com os seus projetos. Essa falta de bandas fazer-nos-ia repetir cartazes e nós também queríamos trazer algo novo, virar o disco de certa forma. As bandas portuguesas que trouxemos todas elas têm muita qualidade. Sempre apostamos em dar palco a bandas emergentes, mas ultimamente nós temos tido muita dificuldade em escolher as bandas, precisamente por isso.
Kevin: A parte engraçada é que realmente tivemos essa barreira, mas o resultado é provavelmente o cartaz que mais nos orgulhamos até agora. Podemos dizer que até correu bem nesse sentido.
Nelson: Era aquilo que estava a dizer ao bocado, nós não pensamos logo no final, nós vamos sentido... olha, isto faz sentido, vamos falando, vamo-nos adaptando. Não houve este pensamento de “vamos buscar bandas internacionais”, foi mais “gostamos, isto bate certo”. Também temos orçamento, é exequível, e é assim que se vai formando o cartaz.
Inês: E de repente começasse a gerar um conceito, vem uma banda, aparece outra, se calhar faz sentido virar isto para algo mais internacional.
Nelson: Acho que nunca houve o pensamento para internacional, houve sim o pensamento para o estilo musical. O line-up começou a formar-se, fez sentido encaixar mais outra banda, e aconteceu de serem internacionais, porque como o Diogo estava a dizer, tivemos dificuldades em encontrar bandas que fizessem sentido e não fossem repetidas.
headLiner (Luís): Por falar em bandas internacionais, tenho de salientar também a estreia em Portugal de bandas como os Chalk, banda que já abriu para Idles ou os Smudged. Como é que estes dois nomes surgiram no vosso radar?
Kevin: Posso contar, pelo menos de Smudged que foi a primeira banda que contratamos e foi um bocado aleatório. Eles são holandeses, e existe uma banda que se chama Iguana Death Cult, em edições passadas já tínhamos trocados uns emails mas tinha ficado só por aí. Naquela de começar a pesquisar e tentar perceber o que anda por aí, que discos novos andam a sair, o que é europeu que acaba por ser mais fácil de os trazer para cá... Andávamos a pesquisar, e reparei que tinha saído um KEXP recentemente dos tais Iguana Death Cult. Estava a ver e tal, e dois entrevistadores do KEXP perguntaram “Que bandas do vosso meio, da vossa cultura, da vossa cidade, que andam a crescer, e que vocês querem dar aqui um shout out?”, e eles respondem “os Smudged, uma banda de amigos nossos, estão agora a crescer, são incríveis, uma cena meio indie com krautrock e eles vão dar o salto”. Eu fui logo ouvir, toda a gente gostou, mandamos logo email e alinharam.
Inês: Também porque são conhecidos por darem um grande show ao vivo, é uma banda de palco.
Kevin: Um dos gajos [dos Iguana Death Cult] disse especificamente “eles são ainda mais incríveis ao vivo”, e nós achamos logo que vai ser algo que vai funcionar connosco.
Inês: Quando pensamos no line-up, pensamos em criar um cartaz coeso, bandas boas e claro muito reféns do nosso gosto. É esse o nosso objetivo, trazer um cartaz criativo e bandas que resultem em palco, eu acho que é isso um festival. Nós gostamos muito de ir a festivais, e muitas vezes vemos bandas que ao vivo não resultem tão bem, o próprio alinhamento não está bem construído. Construir o alinhamento também tem muito que se lhe diga, queríamos trazer bandas que gostamos muito, mas que não fazia sentido.
Kevin: Nós íamos meter Chalk e Máquina a tocar no mesmo dia, e depois pensamos, “eh pá, isto não faz sentido”, é tudo muito parecido. Por isso distribuímos pelos dois dias.
Inês: O mais importante é que uma banda vale pelo show ao vivo, eu acho que isso também é algo do festival, e acho que isso conseguimos sempre concretizar.
Nelson: Nós estamos a falar só do palco principal, mas há um pensamento em relação a todos os palcos, ou seja, tem de fazer sentido o artista no palco em que é.
Vamos ter Chibatada numa zona ribeirinha, que faz sentido, temos Chris Imler num ambiente de pista, after-party. Temos os Gaiteiros no Largo do Urca, uma festa tradicional que já costuma haver na própria vila. Nós tentamos pensar no artista e o sentido do seu contexto. Tentamos dar pensamento a tudo que fazemos de forma a ficar o mais coeso possível.
headLiner (Luís): Comecei esta conversa a perguntar se em 2015 tinham sonhado que o Ecos do Lima chegaria a 2024. Agora pergunto qual a perspetiva para os próximos anos e onde gostariam de ver o festival no futuro.
Kevin: Nós queremos ser o próximo Rock in Rio, com uma barraca da Mercedes, outra do Millennium BCP, balões, insufláveis (risos)
Diogo: Uma coisa que é certa, e falo por todos, queremos é que o festival continue. Em que moldes? Nós temos sempre discutido isso de ano para ano... Mas é difícil de responder.
Inês: Isso é uma questão engraçada porque não sabemos responder. O Ecos do Lima está mesmo muito presente nas nossas vidas individuais. Nós temos uma química muito grande entre nós, somos muito amigos, falamos quase todos os dias e acho que isso também ergue o festival todos os anos.
Isto não é um “business” em que fazemos só uma reunião, não, nós estamos sempre a trocar ideias. Isto parte muito da forma como vamos vivendo os nossos dias, as nossas ideias vão mudando, e não faço mesmo ideia de como será a próxima edição. Muita gente me pergunta, “mas vai continuar a ser gratuito, vai continuar a ser a pagar?” eu não faço a mínima ideia. O Ecos já foi gratuito, já foi a pagar, já teve bandas nacionais, já teve bandas internacionais, ou seja, ele vai mudando a sua forma, mas nunca muda o seu significado. E qual é o significado do Ecos? É a intervenção cultural em Ponte da Barca, a paisagem, a comunidade e isso mantém-se. Tudo o resto não sabemos. A próxima edição será daqui a dois anos, eu não sei como pensarei daqui a dois anos.
Isso é uma pergunta muito interessante... eu não consigo prever a próxima edição. É muito aliciante para nós saber a próxima edição, mas é impossível prever porque nunca será igual a este, e isso depois também não nos motivaria.
Nelson: E há uma coisa, nós estamos a meter o foco em nós, nos organizadores, mas o festival vive muito do contexto, das pessoas. Eu mesmo que não quisesse organizar mais o festival, são as próprias pessoas que começam a dinamizar, a sentir e a puxar por nós. Elas são uma parte integrante. Nós não conseguimos responder como será o festival porque as pessoas daqui são uma parte integrante. Nós somos quase como um espelho. Nós tentamos vocacionar o que as pessoas idealizam, o que é que a Barca é.
Falar daqui a 10 anos, ou daqui a 2 edições, é muito difícil porque primeiro temos de sentir o que o Ecos vai significar para as pessoas. No final desta edição será que a vila vai estar connosco? Porque não fará sentido batalhar para um sentido que, na verdade não faz sentido. No fundo a cultura é um espelho, uma reposta, do sítio onde está inserido.
Inês: Mas respondendo mais objetivamente, se imaginávamos que o festival iria atingir esta dimensão? Muito sinceramente, não, não imaginei quando comecei a participar no Ecos do Lima em 2016, em 2018 mais dentro da organização, nunca imaginei. Era mais uma coisa de férias de Verão, e de repente faz parte da minha vida e de todos nós.
Horários:
Mais informações sobre o Festival Ecos do Lima nas redes socais do evento em @festivalecosdolima
Entrevista realizada por Luís Silva a 7 de julho de 2024