"Menos que nada é uma tentativa de mostrar todas as consequências ontológicas desse 'eppur si muove'. Eis a fórmula em sua forma mais elementar: "mover-se" é o esforço de alcançar o vazio, isto é, "coisas se movem", existe algo, ao invés de nada, não porque a realidade é, em excesso, mais que o nada, mas porque a realidade é menos que nada. É por isso que a realidade precisa ser suplementada pela ficção: para ocultar seu vazio. [...] Se forem deixados por conta própria em um ambiente onde possam transferir sua energia, todos os sistemas físicos acabarão assumindo um estado de baixa energia; dito de outra maneira, quanto mais massa retiramos de um sistema, mais baixamos sua energia, até que chegamos a um estado de vácuo em que a energia é zero. No entanto, existem fenômenos que nos impelem a propor a hipótese de que tem de haver algo (alguma substância) que não podemos tirar de um dado sistema sem aumentar a energia desse sistema. Esse "algo" é chamado de campo de Higgs: uma vez que esse campo aparece em um recinto que foi esvaziado e cuja temperatura foi reduzida ao mínimo possível, sua energia também reduz. Esse "algo" que aparece contém menos energia que nada, um "algo" caracterizado por uma energia negativa global. Em suma, o que temos aqui é uma versão física de como 'algo surge do nada'". Slavoj Žižek. ŽIŽEK, Slavoj. Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético. São Paulo: @boitempo, 2013, p. 14. Arte; Quadro de Peter Higgs (2008) Ken Currie #materialismo #zizekslavoj #KenCurrie #bosondehiggs #peterhiggs https://www.instagram.com/p/CFp-tS3HjiV/?igshid=ljtu5pewu2jp











