Não faz isso, não brinca com esse fio solto na minha cabeça, porque se puxar mais uma vez eu desmancho.
Sou viciada em dopamina, e tem dias que parece que ela mora no teu cheiro. Não é o santo amor. É química. É queda livre. É um impulso. É vício. É obsessão que finge ternura.
E eu não sei lidar com isso.
E eu não posso ser culpada se vivo um dia depois do outro como quem apenas respira — sem querer existir demais.
Mas, se por acaso você quiser... eu queria também. Eu queria que você quisesse só para eu poder querer.
Eu tento não pensar em você antes de dormir. Mas evitar o pensamento é convocá-lo
E pensar em você é cair no abismo com os olhos abertos.
O pior não é você estar com outra.
O pior é você não estar comigo.
Minha essência é impura. Ela me escapa, atravessa o tempo, ignora a lógica, e toca a sua alma mesmo quando você não está por perto.
É involuntário. É cruel. E vai acontecer de novo essa noite.
Porque eu sou feita disso — Eu sou inevitável quando tento não ser.
E eu juro que tento.
Queria não existir nesse fragmento de realidade onde você vive melhor sem mim.
Você tem jeito de quem poderia ser tudo. Tudo que eu não fui. Tudo que eu perdi tentando me encontrar.
Mas eu me perdi amor.
E ninguém encontra alguém quando se perdeu de si.
Eu prometi não acender velas, não pedir ao céu, não buscar respostas.
É perigoso desejar demais.
Cuidado com o que se deseja.
Porque eu venho desejando só uma coisa.
Você.












