O que vejo em todas as cidades […] são os quintais. Por mais que pareçam áreas pequenas, que não têm tanta importância ao planejar uma cidade inteira, os quintais ainda são locais de experimentação de plantas, são locais de trocas com outras espécies, são locais que concentram, às vezes, plantas que têm um valor cultural enorme para diversos grupos.
Os quintais podem ser vistos como laboratórios de experimentação de manejo, criação da diversidade e manejo da abundância, porque o processo de criação de diversidade ou de agrobiodiversidade, como também é falado, envolve a interação entre quem cuida do quintal e a planta. Essa interação leva a trocas entre plantas de vizinhos e essas trocas levam a novas formas de resistência.
Carolina Levis em Habitar o Antropoceno, com mediação de Wellington Cançado, páginas 33-37 - Projetar Novos Mundos de Coexistência.
Tai, a partir da sua natureza, revela nossa realidade social, centrando-a num belo e recolhido papagaio ou num espaço de quintal; expressa situações de pobreza, sinalizadas nos retalhos, nos portais de casas velhas, nas cercas de arame farpado, controladoras de animais/gente. São varais de roupas remendadas coloridas e limpas, como é o povo simples. São ambientes testemunhados por gatos, araras e cavalos, por tesouras e ferros caseiros.
Pedro Wilson Guimarães
Vice-Reitor para Assuntos Comunitários e Estudantis da Universidade Católica de Goiás
Essas [vinte obras em exposição na Galeria de Arte Contemporânea, de Brasília] têm vista a manutenção dos símbolos que ainda formam a tradição das zonas rurais ou das cidades interioras de nosso Estado. É, em especial, o registro de um momento de transição. Mas também, a descrição das ideias do artista, colocadas na tela sem rebuscamento, sem sombreados (resquício da pintura chinesa) intactas, a par de uma palheta limpa, alimentando mais a realidade do que a ficção. Todo o talento de Tai desenvolve-se em torno desta temática: os achados poéticos, as cores vivas, sem ilusionismo, indo do verde ao amarelo, passando pelo cinza, vermelho, responsabilizam-se pela acentuada atitude de luminosidade, como se fossem um suporte de magnetismo, beleza.
Miguel Jorge (da ABCA)
Goiânia, abril de 1985