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Há silêncios que não cessam
ecos de um amor que o tempo esqueceu de cumprir.
Fomos promessa em estado de espera,
metade de um verso que jamais se escreveu.
O destino, distraído, trocou nossos instantes.
Chegamos um ao outro
como mares que se tocam por um fio de horizonte
visíveis, porém eternamente distantes.
Quantas vidas couberam no suspiro que não demos?
Quantos mundos nas palavras que calamos?
Havia tanto em nós,
e mesmo assim, nada bastou.
Ainda escuto o rumor do que seríamos,
uma doçura que arde,
como vinho derramado sobre a memória
belo, mas perdido.
E penso… talvez o amor verdadeiro
não seja o que permanece,
mas o que parte e ainda assim permanece em tudo.
Porque o que poderíamos ter sido
ainda respira em mim,
como um céu que se recusa a anoitecer.
— Kételin (via: @iamunforg3ttable)
Perdoar é um labirinto,
um caminho cheio de espelhos rachados.
Cada reflexo me mostra quem eu fui,
quem você foi,
e o que deixou de ser.
Amar você foi como segurar fogo
a chama aquecia, mas também queimava,
e quando soltei,
já não sabia se era sua pele
ou a minha que ardia.
O meu amor tinha cores belas,
mas também tons que sufocavam.
Nas nuances escondidas,
os cortes se fizeram profundos,
e até hoje tento entender
se fomos vítimas ou carrascos
um do outro.
Perdoar você seria
como deixar a ferida aberta respirar,
mas perdoar a mim
é ainda mais difícil:
é admitir que me perdi
tentando salvar o que já estava
afundado.
O peso que carrego
não é só seu,
é meu também.
E talvez, no fundo,
a libertação esteja
em aceitar que falhei, falhamos
mas que éramos humanos
quando nos machucamos.
E que, apesar do amor,
o silêncio entre nós
foi a única forma de uma espécie de paz
que restou.
— be-unforg3ttable