"Queria proteger contra o esquecimento. A maior vulnerabilidade do humano, a contingência de não lembrar e de não ser lembrado."
A desumanização, Valter Hugo Mãe

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@tantasletras
"Queria proteger contra o esquecimento. A maior vulnerabilidade do humano, a contingência de não lembrar e de não ser lembrado."
A desumanização, Valter Hugo Mãe
"A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exatamente em ti. Ser-se pessoa implica a tua mãe, as nossas pessoas, um desconhecido ou a sua expectativa. Sem ninguém no presente nem no futuro, o indivíduo pensa tão sem razão quanto pensam os peixes."
A desumanização, Valter Hugo Mãe
"Ia ser muito bom se, ao menos em algumas ocasiões, tivéssemos um pássaro em troca do rabo, um pássaro em troca do estômago, um pássaro em troca do coração. Quando nos fosse melhor, mais conveniente, daríamos por um pássaro o embaraço, a fome,o desgosto ou o medo. Talvez, por embaraço ou sonho, puséssemos às vezes o pássaro a voar."
A desumanização, Valter Hugo Mãe
"quem fomos há de sempre estar contido em quem somos, por mais que mudemos ou aprendemos coisas novas."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"o tempo guarda cápsulas indestrutíveis, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injeta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos, a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz chamando o nosso nome ou, mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões no mundo."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"eu respondi que o tempo não era linear. preparem-se sofredores do mundo, o tempo não é linear, o tempo vicia-se em ciclos que obedecem a lógicas distintas e que se vão sucedendo uns aos outros repondo o sofredor, e qualquer outro indivíduo novamente num certo ponto de partida."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"fui barbeiro e li livros, como deviam ler todas as pessoas para ultrapassarem a condição pequenina do quotidiano e das rotinas."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"assim é o amor, uma estupidez intermitente, mas univerval."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"e eu nem entendia como não haveria de parar o coração só à força daquela tristeza."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"nunca nos preparamos para a realidade."
a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe
"And meanwhile the sad truth was that not everyone could be extraordinary, not everyone could me extremely cool; because whom would this leave to be ordinary? Who would perform the thankless work of being comparatively uncool?"
The Corrections, Jonathan Franzen
"Dizia-lhe que o amava para descobrir se o amor era bom para curas algumas. E o amor curava aqui e ali, mas nunca em definitivo. Falhava demasiado como falhávamos nós a cada instante."
A Desumanização, Valter Hugo Mãe
"Rachel says that love is like a big black piano being pushed off the top of a three-story building and you're waiting on the bottom to catch it. But Lourdes says it's not that way at all. It's like a top, like all the colors in the world are spinning so fast they're not colors anymore and all that's left is a crazy hum. There was a man, a crazy who lived upstairs from us when we lived on South Loomis. He couldn't talk, just walked around all day with this harmonica in his mouth. Didn't play it. Just sort of breathed through it, all day long, wheezing, in and out, in and out. This is how it is with me. Love I mean."
("One Holy Night" in Woman Hollering Creek, Sandra Cisneros)
"Freeway inn(ferno)
enquanto em mim não havia caminho
foste o atalho em que me arrisquei
trepidei
derrapei
capotei"
(do livro não precisa dizer eu também, caco ishak)
"diz o quanto ainda te resta que eu te direi o que desperdiçar comigo" ("poema a uma spice girl" do livro não precisa dizer eu também, caco ishak)
"'Maybe we should just admit it's not working,' she said. 'I mean, right? A month ago if someone told me what things would be like between us, I would have said, no, I'd never stand for that. But I keep negotiating down what I think it's okay. I like you - my problem is that I do like you. There's something about you...' She stopped and then sat up straighter. She started again in a new, more decisive tone. 'But this thing, this thing that we've become, is sapping something from me.'"
the love affairs of nathaniel p., adelle waldman
"Você pode chorar desesperadamente na avenida mais importante da América Latina. Ninguém vai te ajudar. Ninguém me perguntou nada quando entrei na linha errada do metrô e olhei confuso para o letreiro. Eu precisava que um velho me dissesse algo, ou uma moça, mas ninguém me olhou no metrô de São Paulo no pior dia da minha vida." Divórcio, Ricardo Lísias