Lá dentro da máquina, Dodo escutou uma voz desconhecida abafada pela música alta.
E o rapaz baixinho saiu da carcaça da máquina com uma sobrancelha erguida e uma cara de “tá-querendo-ensinar-o-mestre?!”. Ninguém nunca dizia a Dohyun como consertar qualquer coisa, era a ordem natural do universo! Mas, né… Dessa vez ele tinha esquecido de checar a fonte. Força do hábito, como chamam por aí. — “Claro que eu sei, ué.” — Sem nem ligar por ter soado malcriado demais, Dodo se enfiou na máquina outra vez e agora fez questão de checar a fonte.
Surpresa foi perceber que aquele hyung tava certo e por um desleixo idiota, Dohyun perdeu vinte minutos tentando descobrir onde tava o defeito da máquina antiga.
Bom, agora já não precisava mais perder tempo, né?
Com a língua presa entre os dentes, mexeu num fiozinho ali, trocou outro ali… Testou umas três gambiarras antes de tentar ligar a máquina outra vez e ver a tela acender junto ao característico “It’s me, Mario!” que fez Dodozinho sorrir todo alegre pela vitória. Como o trabalho já tava feito, o menino malcriado deu lugar a um dongsaeng agradecido e cansado, pronto para dar atenção ao rapaz tomando refrigerante. — “Valeu pela dica… Não tô acostumado a consertar videogames!” — Falou agarrando a própria nuca e rindo da culpa que sentia em ter duvidado do rapaz maior. Não era costume do Dodo ser prepotente também, mas ninguém é perfeito…
— “Você sempre aparece aqui, né? Já te vi outras vezes!” — E agora já tava todo sorrisinhos, colocando a mochila nas costas e esquecendo até de parafusar a carcaça da máquina.
“Pequeno mas invocado...” o pensamento trouxe um sorriso leve aos lábios do mais velho que continuava acariciando a carcaça desgastada. Naquela posição ele esperou com o ar de quem estava certo, independente do que o pequeno fizesse, e o tempo se passou enquanto com seus olhos presos no horizonte ele mapeava o que era feito dentro da máquina. Trocou os fios, certo. Gambiarras? Aceitável, vai... Mais duas semanas foi se diagnóstico final. A máquina era velha e a mais concorrida do fliperama, pelo que anotou mentalmente que foi feito, ela duraria mais uma ou duas semanas no máximo até a fonte precisar ser trocada de vez graças à fiação do local ser muito mais pesada do que ela suportava mas esse não era o tópico.
Fora do seu costume foi aquele agradecimento e o sorriso que causou nenhuma reação, zero. A sobrancelha até chegou a se erguer com tamanha animação que via. Os mais novos, sempre os energéticos e Taeyong até havia se acostumado graças à sua rotina no Arcade mas até aquelas crianças se tornavam menos animadas quando sua presença se aproximava, afinal, tinha a sua reputação que o impedia de ser uma pessoa normal dentro dos ambientes.
A cabeça balançou de um lado para o outro, afastando os devaneios tão recorrentes da mente e voltou a, mais uma vez, tentar focar no ponto principal. Aquele baixinho - perto dos seus 1,80 - o martelava na cabeça como a única informação concreta que havia extraído de Taehyun e talvez este o deixasse mais perto de quem realmente queria saber: Dongil. Seus passatempos ficavam cada vez mais complicados, isso o de cabelos ainda avermelhados admitia mas tinha começado a sua busca e não iria parar até que algo saísse.
— Está certo, aqui é minha segunda casa, até por isso conheço tão bem essas máquinas. — O líquido mais uma vez molhou a garganta, gasoso e docinho como gostava, enquanto seus olhos traçavam a figura de cima à baixo com pouco mais de um bico nos lábios tocando aquele canudo. — Você é... — Se fez de sonso. — Dohyun? Ouvi falar de você, é bom com isso de conserto, ‘né? — Por ser um dia de bom-humor, o assassino pensava um pouco antes de agir, tinha uma faceta mais amigável e realmente não queria nada além de saber um pouco mais das coisas que o outro tinha para contar. — Só esquece de checar as fontes... — Sorriu.