· ☾ love... love the moon.
내일의 어둠이 저 달을 한 입 삼키면 @tci-sori ;
A cantoria escorregava devagar pelos lábios, uma forma de distrair a mente daquilo que era a sua assombração naquela noite - no entanto, não só naquela noite. Fazia pouco mais de dois meses que a cabeça somente via uma figura e tudo o que acontecia ao seu redor tinha a cabeça em mais um pretexto para levá-lo àquela informação. A criança, sua criança. Tudo o que menos precisava no momento, de fato, uma vez que a situação ficava cada vez mais tensa nos arredores da Ilha e garantir sua própria segurança era um desafio mas os erros e equívocos foram cometidos, mesmo que as consequências não caíssem nas costas do pai - este que renegou o bebê até mesmo depois de seu nascimento.
Não havia espaço no seu cotidiano tão duro para uma existência tão frágil. Quem saciaria a necessidade de comida nos horários certos se ele estivesse trabalhando? E sempre estava, o que levou-o à conclusão: “prefiro não ser pai do que me tornar um trauma para a criança”, foi o que disse para Moon Sori quando essa se retirou de sua presença dizendo então que a procura não devia ser feita, nenhum contato podia ocorrer e se aquela vida que acabara de nascer um dia perguntasse, seu pai seguiria os mesmos fins da mãe biológica.
Todavia, era difícil conter a curiosidade e aquela coisa que apertava seu coração. Queria ao menos ter noção de como era e se perguntava dia e noite sobre características da que veio à descobrir ser uma menina tempo depois. Será que tinha seus olhos? Alguma pinta sua era reconhecível na pequena? Ou será que era mais parecida com a falecida mãe? Tudo isso o deixava acordado em noites como aquela mas dessa vez ele não apenas encarou seu teto e buscou nos buracos alguma resposta, mas levantou-se e foi em busca delas.
O corpo mais forte, robusto por assim dizer, facilmente se levantou até a janela que sabia na memória pertencer a mulher - agora mãe de sua filha. Tinha feito aquele mesmo caminho de cima à baixo tantas vezes com os mais diversos propósitos que se fechasse os olhos ainda acertaria o posicionamento de cada guarda. Pelo que conseguia ver da janela com a cortina semi-aberta, o recinto estava vazio mas havia um berço perto da cama e ali ele fantasiou as mais diversas noites de sono perdidas por Sori até que a mesma entrou, fazendo-o encolher contra o batente para que sua sombra não fosse notada, em vão já que o movimento teria a despertado, no mínimo, uma curiosidade de tão repentino e mal feito.
A luz fraca vinda do abajour iluminava o rosto delicado e sonolento do bebê que ia adormecendo à medida que Sori cantarolava-lhe uma música. Os últimos três meses foram sem dúvidas os mais longos e turbulentos que viveu em seus 23 anos, algo surpreendente considerando que a cidade onde vivia era uma montanha-russa de eventos inesperados a todo tempo. Dentre todas as loucuras contínuas que lhe aconteceram um ataque ao seu estabelecimento, no que foi considerado por muitos uma tentativa de assassinato, poderia até ser a pior de todas, se não fosse é claro pelo fato de ter ganhado uma filha. Não que achasse que aquela recém-nascida fosse algo ruim, mas se considerasse todas as circunstâncias em que a pequena veio ao mundo teria todos os motivos existentes para não querer nenhum contato com a mesma. Mas negar a uma criança o direito de ter uma mãe e viver bem num lar carinhoso não era o tipo de coisa que Moon Sori faria, por mais que esta fosse fruto de um caso do homem o qual ela jurara amor eterno com uma gueixa; que Deus a tenha.
Já havia se passado pouco mais de dois meses desde que a coreana virou mãe da filha de Taeyong - filha esta que foi renegada pelo mesmo - e ainda com todos os seus esforços para esquecer a origem daquela criança era inevitável o aperto em seu coração sempre que olhava para aqueles olhos que eram idênticos aos do pai. Segurar nos braços uma filha que pertencia ao homem que, assim como ela, lhe jurou amor eterno e saber que essa filha não veio do seu ventre tornava sua rotina mais melancólica, ou pelo menos costumava tornar já que agora a Cho Hai estava começando a se acostumar com aquilo, e percebeu que já estava se acostumando a partir do momento que passou a ansiar sua volta para casa no período de trabalho somente para poder pegá-la no colo novamente. E lá estava ela após mais um dia cansativo, com o corpo frágil em seus braços, ninando a pequena Moon Chin com uma das cantigas que sua mãe costumava cantar para si quando pequena.
Após a neném finalmente adormecer Sori deslocou-se da sala para o seu quarto a fim de colocá-la no berço, entretanto uma sombra se movimentando de forma desesperada chamou a atenção da mulher que, graças aos eventos que têm acontecido na ilha, desconfiava até da própria sombra. Deixou Moon Chin no berço antes de trilhar caminho até a janela, observando o exterior. O fluxo das ruas parecia normal e mesmo que os guardas estivessem em seus devidos posicionamentos havia alguma coisa estranha, a morena jurava ter visto um movimento em sua janela. O corpo curvou-se na direção da cabeceira da cama onde foi capaz de pegar sua arma e ela a mirou para frente, na mesma direção onde tinha percebido a sombra se mexer. Abriu a janela por fim, aproximando-se desta com cautela, somente para poder falar e ser ouvida por quem quer que estivesse lá fora.
“Saia daí agora antes que eu chame os guardas e eles venham tirar seu corpo daqui sem vida.” Ordenou em tom firme, pouco se importando se a camisola que trajava podia tirar alguma porcentagem da sua autoridade. Não acreditava que alguém com o intuito de machucar a ela ou a criança seria tão descuidado daquela forma, contudo também não confiava que alguém com boas intenções estaria a observando através de sua janela e por isso estava pronta para atirar a qualquer momento. “Eu sou uma mulher ocupada, não tenho tempo pra ficar brincando de esconde-esconde, então não me faça perder a paciência e nem repetir a ordem uma segunda vez.”








