Dia 8
29/11/2018
Ontem foi um dia daqueles.
Eu me senti tão morto que minha alma nem na forma queria ficar, se é que eu ainda tenho uma. Acordei com o centro da minha testa avermelhada, foi um prelúdio do dia ansioso que eu teria pela frente.
Eu aguentei o maximo que consegui, o choro submergiu de 30 em 30 minutos. Engoli todos, embora tenha escapado uma ou outra lágrima.
Com o avançar das horas o desespero saiu do meu corpo e dominou toda a sala, a água salgada aplicava sua corrosão em cada móvel, em cada cor, em cada frame. Tanto tempo submerso que eu já nem queria sair da água, já estava morna e familiar.
Qualquer coisa que passasse pela minha frente eu chamaria de boia, mesmo que fosse um tubarão de dentes afiados. Me agarrei, fui convidado ao meu próprio jantar, eu sabia que um rastro de sangue era o bastante pra atiçar sua sede… E acabar com a minha. Fechei meus olhos e esperei o ritual romântico terminar com um lenço sujo em cima da mesa, abri os olhos e não tinha mais ninguém, acho que ele sentiu o cheiro do medo em mim e não parecia apetitoso.








