Não gosto de falar "acolher a minha avó" ou que eu "fui morar com a minha vó", primeiro, porque não foi só eu, foi eu e meu marido.
Segundo porque não acho que foi algo assim, já que ambas nos mudamos para a mesma casa ao mesmo tempo - muito embora, ela já tenha expressado que na cabeça dela ela veio para "eu cuidar dela", o que também já foi um caso de conversa séria, porque eu também não fiz e nem me comprometi a isso.
Mas confesso que em alguns dias eu me arrependo dessa decisão.
O primeiro mês foi muito difícil (15/08 - 15/09) e foi perto do meu aniversário (03/10), para o qual eu sempre estive animada, mas esse ano estava exausta. Desde esse primeiro mês, eu só penso o quanto eu gostaria de estar longe, de férias em uma praia.
Mas aí, veio uma calmaria. Essa semana iniciou o meu ciclo menstrual, e agora, a história que a minha ginecologista me avisou que o DIU de cobre da colica, começou de vez, desde o mês passado. Na terça, senti uma cólica desgraçacada, e hoje, ela começou a querer dizer que está por aqui. Pois é.
Junto disso, minha avó está ligada no 220V essa semana, bem o oposto da semana passada em que estava depressiva. Tudo isso, depois de um domingo no qual eu e meu esposo demos atenção para ela, colocando os quadros de fotos dela no lugar, e a levando na missa. Ela já fez pão, passou a tarde jogando canastra na casa de uma amiga, quis fazer cuca, etc.
Mas quando eu abri a geladeira hoje, a geladeira estava cheia de farinha. E eu falei para ela, colocar o saco de farinha em um saco plastico pra que não vaze farinha por toda a geladeira. Pronto, a gota d'agua para ela dizer que eu deveria apanhar, porque não apanhei de criança (ela que não sabe), e que eu falo muito, e que deveria ficar calada.
E tudo isso me magoou, me deu vontade de fugir. Porque sim, há 02 meses eu abdiquei de uma vida reservada e tranquila com o meu marido, e às vezes aimpressão é que eu não estou fazendo nada mais que a minha obrigação. Há 02 meses, é de mim que é cobrado paciência. É de mim que é cobrado dever de cuidado.
Eu sei que não está fácil para ela também. Só que para mim e pro meu marido muito menos. A nossa juventude comparada a experiência de vida dela, não garante que passamos por essa experiência psicologicamente ilesos, porque de fato, não estamos assim. Meu marido até falava no primeiro mês, que não via a hora de dar o primeiro ano dessa casa, para sairmos daqui, e quando eu ouvi isso, eu apenas pensava: seria perfeito, mas de fato, não conseguia ver isso acontecer.
Eu nem sei qual será o desfecho, só sei que ela não me pedirá desculpas, nunca. Porque sim, convivo com pessoas que não enxergam quando elas também me machucam. E então, terei que sozinha, me acalmar, assumir a culpa por ter "falado de mal jeito", que eu não tenho esse direito, ainda que esteja com dor, física e mental; me auto perdoar e seguir a vida. Só que dessa vez não, eu me recuso a pedir desculpas pelo "mal jeito". Eu estou exausta.