Se me pedissem para descrever como me senti na primeira vez em que os seus olhos e os meus se cruzaram, eu não saberia responder. Não foi um sentimento, foram vários ao mesmo tempo. Sentimentos incompreensíveis e inquietos, se apressando dentro do meu peito como se uma multidão caminhasse aqui dentro. Já em minha cabeça, todo e qualquer pensamento que antes estivera lá, de repente se esvaiu, dissipou-se. Até então eu nunca tinha percebido o quanto a minha mente é barulhenta, até você silenciar tudo aqui dentro. Pude ouvir um eco, pude ouvir minha respiração em muito tempo, pude perceber as batidas incessantes do meu coração. Bastou um olhar e de repente todos os dias eu me sinto na necessidade de mergulhar na imensidão acastanhada dos teus olhos, ferozes como o maior dos vendavais, mas ao mesmo tempo com a ternura que jamais poderei esquecer. Desde então, todos os dias algo aqui dentro implora para que os teus olhos me notem e se demorem um pouco mais nos meus, numa valsa silenciosa. Sinto que eles conversam e falam tudo aquilo que não temos coragem de dizer em voz alta.














