A gente foi amor
Apegada às memórias de um passado tão distante, um longínquo não verbal e nem um pouco estrutural, sem sequer uma viga para sustentar.
Na espera de quem parece nunca voltar.
As lembranças de um céu azul bem claro, irradiando cor de ouro, ainda me encontram. É estranho como algumas memórias se tornam refúgios, mesmo que frágeis.
A gente foi amor, calor, fogo e dor.
A gente foi e não voltou.
Ah, mas quando éramos, éramos mais amor do que qualquer circunstância ou obstáculo. Era isso que parecia quando estávamos, quando nos olhávamos.
Insisto em te buscar nos meus sonhos e no nosso lar, que me deixou resquícios ou até mesmo migalhas do que a gente um dia foi.
Parece que, para mim, só existir sem você não basta. E, para você, nem sei se ainda existo.
Mas, afinal, qual história tenho para contar?
Como foi que deixei de assistir você? Por vezes, me sinto viva, apesar do estrago.
E eu me lembro, lá pelas últimas, enquanto eu cozinhava na sua casa, você deitada no sofá estudava. Eu, parada junto à bancada, vi nossa vida passar diante dos meus olhos e perguntei se você se casaria comigo. Você disse que sim, depois de muito pensar, mas não naquele momento.
Seria mais uma promessa vazia? O que restou dela são vagas memórias, que aos poucos vão se perdendo aqui dentro.
E, a cada dia que passa, mais longe você está, e eu ainda espero.
Mesmo sabendo que, talvez, você nunca volte.

















