Ele era fogo
Consumia corpo
Eu era água
Curava alma
O amor é tolo
Mira-se um
Acerta-se outro

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@thelastdreg
Ele era fogo
Consumia corpo
Eu era água
Curava alma
O amor é tolo
Mira-se um
Acerta-se outro
Era domingo, estava no ponto de ônibus sozinho. Chegou um casal de homens, jovens, talvez 20 anos. Um deles parecia muito com um homem que amei muito. Conheci ele já maduro. Já não havia mais espaço para mim naquela vida. Vivemos um quase romance, bem, pelo menos de minha parte era amor. Logo, o ônibus chegou. Entrei primeiro. Avistei apenas um par de bancos vazios e os bancos do fundo. Não hesitei. Deixei o casal se sentar junto. Era um amor genuÃno, cúmplices.
Danilo Nogueira, Photography, 2026.
Repetição
Enquanto você me teve, só ausências semeou.
Sua tentativa de aumentar nossa distância, mesmo depois de separados, não cessou. Perturbação não é a sua falta, mas sua própria vida sem sabor. Você replica a distância cultivada em mágoa, dos homens de quem amou. Seus gestos só repetem os traumas, que a vida te deixou. Até na origem seu nome é pedra, nunca foi de carne tanto rancor.
Trauma
Vi a imagem daquele homem bebendo e me lembrei dos copos de cachaça virados pela minha mãe. Perdi as roupas e os objetos que eu tinha. Tudo era vendido por ela. Desde o útero materno, não tenho memórias de amor. Fui conhecendo homens que se tornaram meus filhos. Meu pai, que abandonou a mulher que me gerou, hoje minha fortaleza se tornou. Me apaixono sempre com desejo, mas só encontro desamor. A mãe que vi morrer aos poucos, me transformei depois de muita dor.
Luto
Para ser seu
Te cansei
Eu
Não cessei
Amei
Me apeguei
Começo para ti
Me tornei
Não te apaguei
Velho de novo
Novo para outro
89
by https://www.instagram.com/frachella/
Danilo Nogueira, photography, 2025.
D-i-l-atando um quase amor
Medo de não sobreviver à solidão
Mistura de tédio e melancolia
Luto por nós, perda dor
Apego em rasa companhia
Em cada silêncio - denuncia
Inexistência da paixão
A dor de não viver
Pre-sentÃamos, então
Bocas que também comem
Lixo - que não recupera a fome
A falta de carga afetiva
Juntos - solidão
Danilo Nogueira, photography, 2025.
Tempo
O instante é sempre nós
A escrita, os outros
Danilo Nogueira, photography, 2025.
Jogos de aposta
InÃcio dinâmico
Não espera
Tanta coincidência
Era amor o que se via
Usar de inocência
Sozinho
O que vivemos no começo?
Sem nada
Paga-se o preço
Danilo Nogueira, photography, 2023.
"As palavras ficam"
Ele me fez falar como um louco
Por esse homem, eu rascunhei maços de palavras
Nesse amor incompreendido, descobri as tristezas que o poeta gostava
Sozinho, pareço estar, mas eu vivo a sós, com esta metade que me falta
Muito mais à vida, do que a ele próprio, eu me entregava
Danilo Nogueira, photography, 2025.
Lealdade incompreensÃvel:
Notas indesejadas
Gente passada
Foi susto, não inveja
Nas fotos que via
Ele pouco entregava
Discurso de lealdade
No fundo, vaidade
Apareceu-me depois de trégua
No meu jogo,
Já não era peça
Ontem, um amor antigo me viera
Esse homem mexeu comigo
O novo nada me trouxera
Centelha de fogo do passado
Constatei, que este outro
Fraca tentativa era
De superar, quem me tivera