Mas diz ai, Johnny! Do que precisa? Tem mais alguém zoando com seu violão? Quando quiser entrar no espirito de policia e ladrão outra vez, já sabe quem chamar.
— Ah.. Mas eu tinha te pedido antes de você começar a coisa ai. — replicou em um tom reclamão, quase pegando a almofada do outro sofá para jogar no rosto do moreno.
— Mais precisamente usaram ele de raquete para matar uma simples e pitucuxa aranha. Tem como você conversar com aquele arranha-céu que você chama de colega ? Não é a primeira vez que ele da piti e acaba quebrando as minhas coisas.
Soltou uma risada baixa ao sentir o outro cutucar seu peito, e achando graça ao fato do outro estar irritadinho — Ótimo. — assentiu levemente com a sua cabeça esboçando um sorriso largo, e começou a caminhar novamente — Pode ficar de olho mesmo, viu? Eu também ‘tou de olho em você mocinho.
Um longo suspiro resignado escapou por entre seus lábios quando, assim que tinha acabado de convencer a si mesmo que tinha feito um ótimo trabalho em intimidar o loiro principalmente com seu dedo apontado diretamente para o peito do mesmo, e no instante seguinte já pode ouvir a risada baixa do outro. Revirou os olhos anotando de que, se fosse o intimidar mais uma vez o faria jogando ele na piscina no final do processo. — Não, na, na ni na não. — respondeu sacudindo levemente a cabeça de leve. — Eu estou de olho em você, mocinho. Além disso o responsável aqui sou eu, claramente. Vai tomar seu toddyinho, vai.
Assentiu em concordância e então caminhou com ele, os olhos curiosos buscando pelo o que fazer. — Clarro, pega uma das outrras, eu dou um jeito nisso aqui. — O sotaque búlgaro era tão pesado quanto foi a criação de Nikolaj, o que facilitou a força com que ele ergueu a caixa, mesmo que precisasse de um esforço propriamente dito. — Qual sala?
Direcionou um rápido olhar curioso em direção ao garoto, um gesto quase que inconsciente que tinha toda vez que se deparava com uma pessoa que demonstrava ter um sotaque diferente, era inevitável que não tentasse ficar fazendo suposições da origem do moreno com base no jeito do mesmo de falar. — Obrigado mesmo, isso está sendo de grande.. Ajuda. — agradeceu ofegando de leve ao levantar uma das caixas um pouco maiores, mais por teimosia do que qualquer outra coisa. — Professor pediu pra levar essas aqui até a sala de música. É subindo dois andares por aquela escada ali.. — explicou enquanto ele mesmo se dirigia as mesmas .
A Varela nunca pensou que voltaria a olhar para alguém com aquele olhar bobo e um tanto quanto apaixonado até começar reparando nos pequenos detalhes do rosto de John. Seus olhos azuis assimilavam cada detalhe perfeito daquele perfeito rosto, fazendo com que o coração de Beatriz começasse batendo num ritmo um tanto quanto descontrolado. Ela nunca pensara que o Prewett fosse capaz de arrancar um suspiro de seus lábios, porém ali estava ela soltando suspiros baixos por conta daquele garoto. Era um tanto incrível como nas últimas semanas a loira se apercebera de como John parecia ser o tipo de encaixe perfeito para o seu coração. Sentir aquele olhar sobre si fazia o coração da Varela parar suavemente, logo voltando a bater num ritmo completamente descontrolado. Seus olhos se voltaram para os lábios alheios, e um desejo um tanto adormecido acordou em cada célula do corpo de Beatriz fazendo com que uma suave chama de paixão se acendesse dentro de seu coração. Ao sentir os lábios do loiro sobre os seus uma corrente elétrica percorreu cada pedaço de seu corpo, fazendo aquela chama se incendiar aos poucos. Beatriz entreabriu levemente seus lábios encaixando ambos os lábios perfeitamente.
No instante em que sentiu o toque dos lábios macios alheios sobre os dele e, ao invés de simplesmente o empurra-lo para longe como uma pequena parte de si esperava que ela o fizesse, afinal apesar das conversas que tiveram nesse meio tempo não acreditava que estivessem próximos o bastante para esse tipo de contato, ela o surpreendeu mais uma vez apenas dando um pequeno passo a frente aprofundando um pouco mais o contato entre os dois. Se antes ele havia estranhado um pouco a forma como costumava ficar mais inquieto que o normal quando estava na presença da loira nas últimas semanas isso havia apenas servido para confirmar, realmente havia algo acontecendo ali, e ele aparentemente não era o único que estava sentindo aquilo. E ele estava gostando bastante de tudo aquilo, de sentir o toque macio que os cabelos dela tinham quando ele deixava uma de suas mãos deslizar por entre os fios do cabelo dela, o cheiro dela, tudo fazia com que ele se sentisse mais calmo, quase que entorpecido. Porém, junto com tal pensamento veio a culpa. Não estaria apenas usando ela para esquecer ou aliviar um pouco a falta que a Agnes estava lhe fazendo..? Será que isso era certo, ele realmente estava pronto pra se deixar envolver em mais uma aventura amorosa tão cedo? Essas e várias outras perguntas começaram a surgir em sua mente, apenas o deixando cada vez mais confuso. Se forçou a interromper o beijo, ainda que de maneira suave depositando um selinho nos lábios alheios antes de se afastar evitando olhar nos olhos dela. — Desculpe.. — murmurou agora afastando a mão que ainda envolvia o cabelo dela mordiscando levemente o lábio inferior. — Eu não deveria ter.. Eu te vejo mais tarde. — concluiu se levantando apressadamente e disparando em direção a porta.
Hmmm, no. Quem sabe numa próxima vez, sim? — Fitou o alimento tentando conter a face de nojo, por mais que o sentimento tivesse lhe causado uma ponta de enjôo num breve momento. — Eu não coloco minha boca em qualquer lugar, sabe como é, bailarinas tem de manter a forma.
— Como quiser, sobra mais pra mim. — respondeu com um ligeiro dar de ombros tornando a levar o doce que segurava aos lábios, então interrompendo-se para lançar um olhar intrigado a loira diante do restante da resposta da mesma. — Hey! Isso não é "qualquer lugar" é o meu sorvete, e além disso.. — continuou dando uma pequena pausa enquanto buscava algum argumento ao comentário dela. — É de morango com pedacinhos de fruta, cem por cento natural. Também tenho uma forma para manter.
A expressão da Blackthorn mais nova diante da habilidade precária de John em disfarçar era repreendedora, porém se procurasse adverti-lo em voz alta, sabia que apenas tornaria a situação pior. Com sua visão periférica, procurou notar se havia alguém observando-os, porém ela parecia ser a única dando atenção ao loiro sentado à sua frente. Sam precisou apertar os lábios um contra o outro em uma tentativa de conter seu sorriso de divertimento com a explicação que veio em seguida.De fato, ao fim do relato, pode ouvir pios de passarinho praticamente inaudíveis vindos das mãos do colega. Por mais absurda que fosse a situação, aquilo parecia tão típico de John e sua aparente inocência que Samantha não sabia como ainda se surpreendia.— Bem, eu sou colega de quarto da vaso n.2 do par sinistro, não acho que seja a melhor opção também.— Informou, referindo-se a Alecto Carrow.— Não há outra pessoa que possa te ajudar? Sua prima Molly, por exemplo, eu soube que ela é muito boa com animais.
Não pode deixar de exibir uma expressão um tanto frustrada ao tornar a fixar seu olhar na pequena figura que agora se debatia em suas mãos tentando pular para a mesa, estivera tão encantando com a ideia de estar cuidando do bichinho ( ele mesmo já tinha pedido aos pais várias vezes para que pudesse adotar algum outro animal de estimação, sempre recebendo não como resposta) que nem sequer levou em consideração seus colegas de quarto ou sequer o que achariam da ideia. Sua última esperança também se foi pelo ralo quando Sam lhe respondeu dizendo que também dividia quarto com Alecto Carrow, uma pessoa não muito melhor que seu irmão gêmeo quando o quesito era gênio. — Oh, dear.. — murmurou desanimado, tentando buscar alguma outra saída. Não queria admitir, mas já se sentia de certo modo apegado ao bichinho, não gostaria que ambos ficassem longe por muito tempo ou deixar ele nas mãos de qualquer um. — Não sei, ela anda um pouco distante ultimamente. Talvez se eu pedisse pra Joy ela também ficasse de olho, mas ela é um pouco doida. — continuou divagando enquanto acariciava delicadamente o passarinho. — Acho que depois eu dou um jeito. Vou procurar alguma coisa pra ele comer agora, você me ajuda ? — tornou a perguntar olhando rapidamente para a tarefa que ela estivera fazendo anteriormente.
Depois de Apollo, a loira não haveria aberto seu coração para mais ninguém. Não até aquele momento. Não até o Prewett aparecer de mansinho em sua vida. Tudo bem que ela já conhecia o garoto a algum tempo, porém só nos últimos tempos ela haveria reparado em certas coisas que no passado pareciam ser completamente indiferentes aos seus olhos. Ok, era óbvio que Beatriz ainda tinha Apollo em sua mente, e em seu coração, mas a presença de John faziam o outro sumir de seus pensamentos. Sentiu suas bochechas esquentarem levemente ao observar o olhar do garoto sobre seus lábios. Um leve suspiro se soltou por entre seus lábios fazendo com que seu coração disparasse numa batida um tanto descontrolada. Se permitiu voltar seu olhar novamente para os olhos alheios ao escutar as palavras do garoto. — Eu…ahm… — sua voz saía baixa demais e inconscientemente a Varela aproximou seu rosto do rosto alheio não desviando seu olhar nem um único segundo.
Não acreditou que fosse conseguir encontrar outra pessoa que conseguisse mexer com ele daquele jeito desde o dia em que ficara sabendo sobre a partida de Agnes para cursar uma das faculdades no Estados Unidos, na verdade não queria encontrar essa pessoa. Podia não soar muito razoável, mas a ideia de sair com outras pessoas por um tempo lhe soava quase como se estivesse jogando tudo aquilo fora, como se tivesse de certo modo substituindo ela. Claro que, até então nunca havia lhe ocorrido a forma como estava se aproximando cada vez mais de Beatriz estava começando a rumar para uma coisa a mais. Sua respiração foi aos poucos se tornando cada vez mais rápida na medida que seu olhar insistia em vagar para lugares que não deveria, notando coisas como os lábios dela pareciam macios aquela distancia e então incapaz de perceber a pequena aproximação da loira do seu rosto, e sem pensar muito ele mesmo se inclinou para frente eliminando aquela pouca distancia que havia entre os dois pressionando seus lábios contra os dela delicadamente.
Muito comovente sua história, de verdade. I wish I’d feel bad for you, tho.
— Nah, precisa não. Contanto que eu ainda tenha meu sorvete de morango o resto a gente lida depois. Quer um pouquinho ? — perguntou estendendo a mão que segurava o doce em direção da loira.
“Sure, John! Sem problemas, no que eu posso te ajudar?”
— Então... Pelo que eu sei você é uma pessoa que gosta de livros.. — começou pensando em um jeito melhor de explicar o que estava procurando, nem mesmo ele sabia direito e estava a mais de meia hora circulando pela biblioteca. — E eu tenho esse trabalho de filosofia. Mas eu não prestei atenção direito no que o professor queria, ele disse alguma coisa filosófica e alguma coisa com livros. Conhece algum livro que pode me ajudar ?
— Com certeza que serve. — respondeu sorrindo de leve agradecido, então indicando para que o rapaz o seguisse pelo corredor adiante onde tinham algumas caixas dispostas no chão. — Me pediram para levar essas aqui para uma das salas lá em cima, só que tem algumas muito pesadas mesmo, não aguento levantar sozinho. Tudo bem pra você, né ?
Nossa, mas eu não ‘tou te enganando não, John. — fez um leve biquinho em seus lábios olhando para o outro — Eu jamais mentiria pra você, ‘tá? E eu já falei que não aconteceu nada, poxa.
— Hum... — resmungou usando o dedo indicador para cutucar o peito alheio continuando por mais uns instantes com sua postura desafiadora, como que “intimidando” o loiro a dizer qual era o problema. — Se está dizendo, então tudo bem. — concluiu por fim dando levemente de ombros dando um passo para o lado para que os dois pudessem continuar caminhando lado a lado. — Ainda ‘tô de olho em você.
A loira não poderia negar o quanto John lhe fizera realmente bem. Desde a aproximação de ambos naquela dita cuja noite, a Varela sentira seu estado melhorar um pouco. O sorriso formado em seus lábios era verdadeiro, especialmente quando o Prewett a procurava para conversar ou tirar alguma dúvida. Sem dúvida alguma que o loiro estava fazendo com que a dor presente no peito de Beatriz diminuísse suavemente. John conseguia encher o peito da loira de felicidade, uma felicidade que ela só sentira com Apollo. Fora inevitável a Varela não soltar uma risada baixa ao escutar o riso melodioso de John. Um sorriso se formou em seus lábios diante das palavras alheias. Ao sentir os braços alheios sobre a sua cintura em um abraço apertado, o corpo da loira estremeceu levemente. Ela voltou seus olhos azuis para os olhos alheios se deixando perder naquela imensidão. Inconscientemente, Bia colocou suas mãos sobre os ombros alheios não desviando seu olhar dos olhos do garoto. — Ahm… — mordiscou levemente seu próprio lábio inferior se permitindo desviar o seu olhar — Eu só estava fazendo uma pesquisa, mas podemos começar a ensaiar hoje, sim.
Talvez grande parte de todo aquele conforto que estava sentindo quando estava na presença da loira se devia ainda a conversa que ambos tiveram ainda no dia anterior, quando ele pela primeira vez conseguiu reunir coragem o bastante para conversar com alguém sobre como ele estava sentindo. Sentia um pouco de culpa em esconder esse tipo de coisa de pessoas como Brian, que sempre estivera com ele desde pequeno, mas ainda assim não conseguia se forçar a falar, sabia que ele não entenderia. Pensou isso até se deparar com Beatriz, que apesar de todos os rumores que ele havia escutado a respeito da loira, estava se mostrando ser na verdade bastante compreensiva e gentil. Não entendia o que levava as pessoas a criticar ela de forma tão dura. Um pequeno suspiro escapou por entre seus lábios ao sentir as mãos alheias pousarem em seu ombro, seu olhar demorando-se um pouco mais nos lábios alheios seguindo para as iris azuis. — Errr.. — murmurou, sua mente se tornando cada vez mais confusa a cada instante. — Eu.. Legal. Acho. Quer ajuda ?
Normalmente a essa altura do campeonato John Prewett estaria contando os dias ansiosamente no calendário que tinha o costume de deixar pendurado ao lado da cama, ou poderia muito facilmente ser encontrado tagarelando sem parar pelos corredores entre uma aula e outra sobre as diferentes formas como gostaria que tivessem organizando sua festa de aniversário que aconteceria em menos de uma semana. A festa desse ano em particular era uma das mais importantes e tópico de muitas conversas entre ele e seu melhor amigo, Brian, que já tinham chegado até mesmo a organizar uma lista de coisas que ele poderia estar experimentando ( muitas das quais já tinha feito escondido durante algumas das festas no instituto ) quando finalmente atingisse a maioridade. Também haviam conversado sobre ambos se mudarem, junto com mais alguns amigos caso alguns deles tivessem o interesse, para um apartamento mais próximo do instituto para conseguir ter um espaço só para eles para que pudessem ensaiar até quando desse vontade, coisa que seus pais apenas deixariam se os dois completasse dezoito anos.
Contudo apesar de tudo isso John não vinha se sentindo muito no clima para festa nas últimas semanas, preferindo passar uma quantidade maior de tempo na sala de música praticando para quando conseguisse finalmente estar ingressando na faculdade de música. Pelo ou menos era isso que respondia caso alguém lhe perguntasse se não achava que estava exagerando um pouco na sua rotina de ensaios, que antes mesmo disso já era um pouco excessiva. Não admitiria isso em voz alta, porém grande parte daquela melancolia que estava demonstrando nos últimos tempos estava diretamente relacionada com a partida súbita de uma certa loira, que decidira de última hora que estaria se mudando para os Estados Unidos a fim de estudar com bolsa integral em uma das mais renomadas universidades oferecidas lá. Isso e a perspectiva de estar finalmente se tornando oficialmente um adulto, de acordo com seus pais, o estava assustando um pouco. Antes, enquanto conversava com Brian sobre os planos que teriam quando ele completasse dezoito anos parecia legal, ali, distante.. Agora um pouco assustador.
Seu aniversário propriamente dito cairia em uma quinta feira, mas como ele não teria autorização de sair da escola no dia e, como seus pais também argumentaram não aconteceria de jeito algum de autorizarem que todos seus coleguinhas da escola saíssem no dia também decidiram por deixar para fazer a festa mesmo no final de semana na casa da família. Continuava sendo um dia da semana comum como qualquer outro, mas ainda assim John se achou mais que no direito de tirar o dia inteiro de “folga” faltando assim a todas as aulas que teria ao longo do dia pensando em dar uma passada rápida na enfermaria mais tarde para pedir um atestado dizendo que não tinha se sentindo muito bem durante a tarde, não que ligasse muito pra isso. Passou então praticamente a tarde inteira deitado na própria cama, ainda vestindo o pijama com estampa de panda, comendo besteira e assistindo a séries no notbook que deixou apoiado no próprio colo. Tinha acabado de assistir ao último episódio da primeira temporada de Game of Thrones quando escutou o som estranhamente ritmado de alguém tamborilando na porta do quarto, ficou alguns instante sentado movendo-se levemente com o ritmo das batidas antes de sair do transe correndo desajeitadamente para abrir a porta. Arquejou surpreso contendo por muito pouco um grito animado antes de jogar seus braços ao redor dos ombros de Brian o puxando para um abraço apertado, fazendo com que o outro acabasse por derrubar a sacola que trazia em mãos. Inspirou fechando demoradamente os olhos sentindo o peito do outro vibrar levemente conforme ele ria daquela recepção calorosa que estava sentindo, então levando uma das mãos ao cabelo do loiro bagunçando-o enquanto voltava a se afastar.
— Feliz aniversário, Johnny ! — exclamou animadamente, voltando a pegar a sacola no chão e estendendo ao amigo que ainda continuava o observando sem acreditar muito no que estava vendo. — Não vai me convidar pra entrar?
— Sim, vou sim.. Entra ai. — sussurrou John após piscar algumas vezes dando um passo para o lado para permitir a passagem do mais velho e então olhando para ambos os lados do corredor antes de fechar a porta. — Como conseguiu.. Chegar aqui ?
— Detalhes. — replicou Brian dispensando a pergunta com um abano, ainda que exibisse um sorriso travesso nos lábios. John decidiu que seria melhor ficar sem saber mesmo. — Abre ai, vê se você curte. Se importa se eu passar a noite aqui..? A gente também podia sair por ai, se quisesse. — sugeriu dando de ombros.
John se aproximou sentando-se na beirada da cama ao lado do amigo desviando seu olhar para o conteúdo da sacola, seu sorriso se ampliando ligeiramente ao observar a camiseta da sua banda favorita que Brian estava lhe dando. — Adorei. — respondeu abraçando a camiseta carinhosamente rindo baixo. — Não ‘to muito no clima pra festa, Brian. — desviou o olhar, mas ainda sim pegou o amigo revirando os olhos visivelmente irritado.
— Na verdade eu estava mais pensando em mostrar pra você o apartamento que eu consegui arranjar pra gente. — comentou levemente contrariado, olhando para ele com expectativa. — Se você ainda quiser, claro.
— Claro que quero. Quem disse que não quero ? — lançou a Brian um olhar carrancudo, ainda agarrado a camiseta.
— Não sei, você parece muito ocupado se martirizando por ai. — respondeu venenosamente, cruzando os braços e desviando o olhar. — Até quando vai ficar ai desse jeito ? Sério, duvido que ela fosse querer te ver desse jeito.
John cobriu os ouvidos cantando baixinho, aumentando o volume na medida que Brian insistia em querer discutir sobre Agnes. — Meu dia, você não pode brigar comigo.
— Quantos anos você tem ? Cinco ? — perguntou Brian olhando para ele revoltado.
— Dezoito. — respondeu John com um certo toque de orgulho em sua voz, tirando as mãos dos ouvidos. — Pode deixar essa discussão pra outro dia ?
Brian revirou os olhos erguendo as mãos para o alto em sinal de desistência. — O que quer fazer então?
— Hmmm… Cuddles. Séries. — sussurrou indicando o notbook jogado sobre a cama colocando rapidamente a camiseta que Brian havia acabado de lhe dar e dentando na cama. Apesar dos protestos silenciosos o moreno o seguiu depois de alguns instantes deitando-se ao seu lado.
— Eu escolho. — disse Brian tomando o computador, tirando da série já começando a procurar por outra.
— MEU DIA. MINHA SÉRIE. — protestou John tentando pegar o not de volta, sem muito sucesso.
— Escolhe outra então, de preferencia que não envolva sangue. — revirou os olhos devolvendo o computador ao loiro depois de um longo silencio sendo julgado silenciosamente.
Uma de suas sobrancelhas arqueou-se lentamente em desconfiança ao observar os movimentos furtivos de John, seus olhos focalizando-se nas mãos do rapaz que formavam uma espécie de concha. Deslocou o corpo mais para frente na cadeira, curiosa, embora que não tão próxima assim. Os olhos arregalaram-se ligeiramente quando puderam notar uma figura indefinida no meio das mãos do parceiro de piano. Indefinida, mas definitivamente viva. Não pode evitar que um riso incrédulo deixasse seus lábios com suas próximas palavras, sobretudo com a ideia de chamar aquela coisa de Samantha, se fosse menina.— Aposto que tem nomes melhores por aí. Mas antes de tudo, John… que raios é essa coisa?— Questionou, voltando a fitar as mãos do loiro.
Um pequeno sorriso surgiu no canto dos seus lábios ao observar a reação alheia quando ele, com cuidado para não ser pego; não tinha tanta certeza se a escola seria flexível quanto a presença do bichinho, mesmo dadas as circunstancias. Olhou ao redor mais uma vez, apesar de saber que isso não era exatamente uma atitude que poderia ser classificada como normal e tornou a abrir as mãos deixando a mostra algo que ele apenas sabia classificar como filhotinho de pássaro, sem saber especificar a espécie com exatidão. — É um passarinho que eu achei caído próximo a árvore, pelo pouco que eu vi parece que não quebrou nada, mas é muito novinho pra voar sozinho. E não achei o ninho de onde ele caiu então vou ter que ficar com ele no meu quarto. — mal terminou de verbalizar o pensamento quando lhe ocorreu pela primeira vez o fato que dividia o quarto com Amycus, que muito pouco provavelmente aprovaria a presença do bichinho. — Ou será que ele poderia ficar no seu quarto durante a noite..? Esqueci que um dos meus colegas de quarto é o Amycus. Tenho medo que ele faça alguma maldade com o bichinho quando não estiver olhando.
Claro que não! Eu tô bem livre! Eu só tava pegando outro copo de café, mas agora eu tô a-okay! Só manda, o que precisa?
— Oh, thank God! — exclamou aliviado estendendo o celular que tinha em mão para o moreno. — Aqui, segura. É um jogo que algumas pessoas estão fazendo, se quiser participar eu te ajudo mais tarde. É tipo que nem aquele filme, ja assistiu Nerve ? Então a gente tem que cumprir alguns desafios e filmar a gente fazendo isso, quem terminar tudo sem ser pego ganha.. alguma espécie de prêmio, não prestei atenção nessa parte. Mas não é nada muito perigoso, só coisa besta como irritar o Filch ou pegar um afolha de um professor distraído, coisa assim.
Ah, c’mon John, não foi nada demais, ‘tá? Exato, eu quase esfolei, aí ‘tá a diferença. Quase. — assentiu ligeiramente com a sua cabeça esboçando um pequeno sorriso de canto — É, realmente eu hoje ‘tou um pouco distraído, sim. Mas eu juro que não é nada demais, sim?
— Olha, Brandon, desembucha que você não me engana com essa histórinha não! — exclamou andando um pouco mais rápido parando na frente do loiro encostando o dedo indicador no peito alheio. — O que aconteceu ?