Eu havia acabado de mudar de escola. Era o primeiro ano do Ensino MĂŠdio de uma escola que eu odiava com pessoas que eu odiava, quando meu professor de geografia disse a uma das alunas em uma conversa que ânĂłs sĂł devemos nos relacionar com alguĂŠm que nos acrescente algoâ. Lembro que, na ĂŠpoca, eu achei aquilo ridiculamente errado pois, segundo a minha teoria de adolescente de quinze anos, nĂŁo era por isso que as pessoas se relacionavam, mas sim pra trocar experiĂŞncias, fazer descobertas e principalmente compartilhar o amor que sentiam uma pela outra. NĂŁo fazia sentido algum, era sĂł mais uma teoria de um professor rabugento, mas aquilo ficou rondando minha cabeça por muitos anos.
Mas eu finalmente entendi o que ele quis dizer.Â
Era uma noite fria em que eu reclamava por estar entediada e nĂŁo ter nada pra fazer. Diferente de mim, ele mais uma vez soube ver o lado bom das coisas e empregar as palavras exatas. Disse que a vida ĂŠ um dom e que eu tinha uma vida boa demais para estar reclamando. Que haviam muitas pessoas querendo viver aquele momento que eu rejeitava. Que eu deveria reinventar e tornar aquele momento Ăşnico. E mais uma vez ele estava certo.Â
Enquanto eu enxugava meus olhos marejados, ele mantinha o seu no horizonte, como se buscasse as palavras para transmitir sua sabedoria. Foi aĂ que eu percebi que ele era a pessoa certa a quem aquele professor se referia. Ele sim me acrescentava algo e me transformava no melhor que eu podia ser.Â
Foi olhando nos seus olhos e refletindo cada palavra que ele proferia que eu percebi que ĂŠ possĂvel aprender muito mais em conversas cotidianas do que com qualquer phD que habita esse mundo de meu Deus. Foi sentindo sua voz suave que eu senti vontade de simplesmente parar de reclamar. Porque a vida pode ser linda e ĂŠ linda quando se ama.
Agora, aqui escrevendo, eu sĂł consigo pensar que desperdicei meia hora chorando no seu colo enquanto poderia estar apreciando cada detalhe seu e desfrutando de sua presença. E no final de tudo isso eu sĂł quero me desculpar. Por reclamar da vida. Por querer sempre algo a mais. Por nĂŁo viver o momento. Por nĂŁo ter acreditado naquele professor. E principalmente por nĂŁo agradecer a cada segundo por aquele que âme acrescenta algoâ.













