Eu sempre tento me preparar, sabe? Digo a mim mesma que dessa vez vai ser diferente, que não vou me deixar afetar. Me convenço de que já aprendi a esperar o mínimo dos outros, que não vou me decepcionar tanto. Mas, no fundo, parece que é inútil. Por mais que eu me arme com toda a paciência e compreensão, a falta de consideração sempre me pega de surpresa. É uma dor que vem de mansinho, como uma chuva fina, mas que, sem perceber, acaba me encharcando.
Eu queria aprender a lidar com isso. Queria não me importar, não sentir esse aperto, essa vontade de gritar que parece sufocar o peito. Porque, de verdade, é como se uma parte de mim se partisse toda vez que alguém demonstra que não se importa, que não pensa no impacto das suas atitudes. E então, fico ali, tentando entender onde foi que eu errei, quando foi que deixei que os outros achassem que podiam ser tão levianos com meus sentimentos.
Tem horas em que penso que a culpa é minha. Será que eu espero demais das pessoas? Será que sou eu quem ainda insiste em acreditar no melhor de cada um, quem ainda acredita que o mundo pode ser um lugar mais gentil? Não sei. Mas o que sei é que a falta de consideração dói de um jeito diferente, mais fundo, mais silencioso. É um tipo de ferida que os outros não veem, mas que fica ali, latejando, dia após dia.
Às vezes, tudo o que eu queria era poder desligar essa parte de mim, essa que se importa, que se doa, que espera o mesmo carinho e respeito que oferece. Queria ter a capacidade de não me afetar, de deixar passar, de seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas não é assim tão simples. Cada gesto de descaso, cada palavra solta sem pensar, é como uma pequena lâmina que me fere, e a dor vai se acumulando, até que um dia eu percebo que estou carregando um peso que não é meu, mas que, de alguma forma, me sinto obrigada a suportar.
Então, aqui estou eu, mais uma vez, tentando encontrar forças para não me deixar afundar nesse mar de desconsideração. Tentando lembrar que o problema não está em mim, mas que talvez eu só precise aprender a ser mais forte. Aprender a me proteger, a não deixar que os outros tirem a paz que tanto me esforço para construir. E, quem sabe, um dia, eu consiga realmente aprender a lidar com isso. Mas, até lá, sigo aqui, resistindo e me reconstruindo, peça por peça.