Carpe Diem (Tempo para o café - parte II)
Quando a responsabilidade bate à porta, não adianta fugir. Todas as coisas que valorizávamos e que tínhamos como essenciais, acabam mesmo sem querermos, tornando-se secundárias. Será que é certo hierarquizar a vida tão diretamente? Certo não é, porém é preciso. Reparem como é complicado ordenar as 'bolas de golfe', as 'pequenas pedras' e a 'areia'. O senhor de todos nós, que rege a vida de cada ser humano na face da terra chama-se Tempo. Se tivéssemos mais dele, a ordem que escolhêssemos não seria importante, pois haveria de sobra para todos os outros. Mas não há.
Caros leitores, tornou-se clichê pessoas falarem que a vida é curta e blablablá então carpe diem, porque hoje estamos bem mas ninguém sabe o amanhã, e credo, quanto pessimismo. Não sou nada a favor deste tipo de pensamento, atualmente chamado de correntes, mas não vejo os adeptos como problemáticos, e sim como otimistas ao extremo. Sejam otimistas, o mundo precisa disso, mas sejam conscientes que nunca estarão livre das adversidades. Poxa vida amigos, estou falando de mim? Sou um desses otimistas sim, que vivo me apegando e confiando, que vive mudando por impulso, mas que sonha e planeja também.
Aquele texto, onde fiz um convite para um café, foi exatamente um desses clichês que desapoio, porém, sempre acreditei que um pouco do que não gostamos é importante para que não nos tornemos rotineiros e previsíveis. Percebam que, por mais comum que sejam estas mensagens, por mais pobres que sejam seus argumentos, elas simplesmente, nos dizem a verdade, que teimamos em não deixar entrar em nossas vidas.
E o que podemos fazer para evitar o desgaste da areia e das pequenas pedras no vasilhame? Minha sugestão é a seguinte: hipoteticamente, se você trabalha oito horas por dia (sendo muito pessimista) lhe sobra dezesseis horas suplementares. Para uma boa saúde física, recomenda-se no mínimo oito horas de sono, deixando o ser humano adepto às 'pequenas pedras' com apenas oito horas. Destas oito horas eliminemos três dedicadas para a alimentação. Cinco horas, sendo agora muito otimista, é o tempo que lhe sobraria para todo o resto. Se você possui cinco horas, então realmente você é um felizardo. Aproveite e fique junto a suas 'bolas de golfe'. Com sua família, converse sobre seus antepassados, compartilhe seus planos, conte seus sentimentos, brigue, mas peça desculpa. Com sua saúde, mantenha sempre um olho aberto, aproveite sem exagerar. Mas o mais importante para mim, com seus amigos: faça passeios noturnos, planeje construir uma mansão, sonhe morar e trabalhar na praia, pegue na mão de quem você gosta, conte piada para quem, mesmo ela sendo ruim, vá rir, acampe, brinque, jogue, cante, jante, almoce, pule, vá ao cinema, beije, abrace, ame-os. Já dizia W. Shakespeere " (...) amigos são a família que nos permitem escolher."
Esta é a maior diferença entre as 'bolas de golfe', as 'pequenas pedras' e a 'areia' perante ao Senhor Tempo. Da forma mais clichê possível, carpe diem.