– Haha, foi mal. – Riu baixo, sentindo-se bem com as reações tão adoráveis que a outra tinha, talvez devesse conter o sorriso que não deixava os lábios, mas o ato era quase impossível. – Vamos lá. – E não teria se surpreendido caso a circunstância fosse outras, mas naquele extremo momento de felicidade e satisfação Saeyoung tinha outras reações quanto aquele toque. O jovem fez questão de segurar aquela mão firmemente, se agitado por dentro com o que parecia ser tão espontâneo e natural por parte da outra. Já não tinha aquelas sensações de antes, pois quem estava ali e tinha sorte por isso era Saeyoung. Se dependesse dele realmente não entraria no vestiário, não queria que a conversa chegasse ao fim e gostaria de ouvir realmente cada pequeno detalhe sobre o jogo. Era a primeira vez que trazia alguém e estava feliz de ter sido ela, pois ninguém exceto Jimin o deixaria tão animado assim. Ficou um pouco em silencio, os passos cada vez mais demorados apenas para prolongar o caminho até a o vestiário. Saeyoung coloca a mão na bochecha, sentindo o suor escorrer e mostrando os dentes em desagrado pois… É… Queria aquele beijo. – Ah, beleza. Eu já to indo lá. – Falou com certa rapidez e correu para dentro.
Todos os comentários dentro do vestiário foram sobre a serie de abraços que tinham sido dados há pouco tempo próximo do campo. Não iria soltá-la tão cedo se não estivesse suado e precisasse urgentemente de um banho, mas já que teve que fazer foi obrigado a aguentar comentários que não seriam negados, definitivamente. Saeyoung não daria corda para que os comentários fugissem da linha. No caminho que iam era só uma zoeira de como ele estava apaixonado e porque nunca tinha apresentado ela antes ou falado sobre também. Seus amigos de time eram um pouco mais velhos que si, pois se fossem o da antiga escola, onde já tinha ficado com um numero razoável de garotas, seria um pouco mais complicado de lidar. Sempre tentou ignorar comentários ruins, mas na época não era muito de defender quando passavam dos limites. A sua reação seria exagerada caso um dos comentários do gênero envolvesse Jimin, pois talvez fosse continuasse um babaca, mas realmente gostava dela e queria que ela só conhecesse aqueles amigos que valiam a pena conhecer.
Depois da ducha rápida que tomou para tirar aquela quantidade de suor de seu corpo, Saeyoung foi se arrumar. Por conta do tempo frio ele colocou cerca de duas blusas finas e um blusão, apesar de ter colocado a touca sobre o cabelo molhado, ele acabou tirando e arrumando novamente o cabelo, achando que o momento não era apropriado para usar toucas. Estava um pouco nervoso e demorou um pouco para ter coragem de sair do vestiário. Pegou apenas o necessário e deixou nos bolsos da calça, o resto ficaria no armário e pegaria em dia de treino. Sairia dali, encontraria Jimin e finalmente falaria o que tinha intenção de falar. Não tem pra que ficar nervoso, cara. Você já fez isso… E já tinha mesmo, encontrar garotas não era um problema, mas Jimin era aquele tipo de garota, o seu tipo de garota e sempre achava que tinha que ser melhor com ela do qualquer outro por isso. Quando a coragem finalmente o pegou, Saeyoung saiu de lá em uma corrida mais lenta até encontrá-la e depois realmente correu rápido até onde ela vinha de encontro para si. Não era mais pego de surpresa, o beijo tinha sido bem recebido com um sorriso que dera; mas era inevitável controlar o coração que, mesmo a tanta conversa interna sobre a situação, continuava se agitando. – Vou sempre ir atrás de você depois de banhos, então. – Se fosse receber outros como aquele ele iria pra qualquer lugar. Achava engraçado em como Jimin sempre trazia ou levava coisas, era uma menina dedicada e atenciosa e nunca esquecia suas promessas como passava a ver naquele momento. – Não acredito que ‘tô ganhando presentes. – Segurou a caixinha sem conseguir segurar uma risada baixa. – Eu posso abrir? Eu vou abrir. – E já estava abrindo, tentando não rasgar muito o papel já que não era a pessoa mais delicada do mundo. – Ah, cara… Que legal. – Achava aquilo extremamente fofo e não seria algo que usaria sozinho, mas era bom ter alguma coisa consigo que lembrasse Jimin e seus momentos com ela, mas que não precisasse realmente de algo assim, afinal, o garoto tinha bastante pensamentos que cercavam a garota.
O maior colocou a caixa sobre o banco e colocou as orelhas de gato na cabeça, fazendo o mesmo com a mascara que tinha ganhado. Ajeitou sobre o nariz e olhou pra ela, levando as mãos fechadas próximas da bochecha como patinhas de gato e mexendo assim como uma dancinha conhecida atualmente. – E ai… Agora eu pareço finalmente um gato, ursinha? Meow~– Disse rindo e parando com os movimentos, abaixou a mascara até o queixo e respirou fundo. Tinha coisas a dizer e precisava colocas logo ali antes que perdesse a coragem; não queria deixar para depois ou ter que ignorar perguntas sobre o que era pois a resposta que daria não era a queria dar. Sayoung, mais que ninguém queria mostrar o que sentia de forma clara e conhecê-la melhor, não queria mais correr ou pensar no que podia ser. – Você sabe que… Estamos combinando agora? Não sei se gatos realmente sobem em arvores para encontrar ursos, mas eu já disse que eu subiria pra te encontrar. – Não estava completamente sério enquanto falava com ela, mas se aproximava calmamente a medida que as palavras carregavam um tom mais significativo, mais profundo. Colocou as mãos sobre o ombro dela, apertando e soltando um suspiro antes de continuar. – Também não sei se eles formam um bom casal, mas nós… Nós bem que podíamos. – Mexeu a cabeça, aproximou o suficiente apenas para encostar a ponta do nariz no dela, passando de leve e se afastando, mas não muito. – Porque gatos quando gostam fazem isso. E também são fieis e carinhosos… – Riu baixo, mais pela timidez do que porque achava graça. Diria que o frio deixava seu rosto quente, mas a verdade era que seria impossível não estar daquela forma enquanto dizia coisas daquele tipo. – Gatos e ursos também não namoram, mas nós… Nós poderíamos se você quiser, se você aceitar… O que você acha? – Perguntou baixo pela proximidade, sério e com o coração a mil, realmente ansioso ao encarar aqueles olhos curiosos.
Jimin tinha preparado aquela caixa com todo o coração e dedicação, com tanto carinho quanto podia na tesoura de pontas arredondadas cortando as beiradas para não machucar. Contudo, queria que ele se apressasse e rasgasse tudo de uma vez. Papéis bonitos serviam para ser utilizados da maneira que quiser, e não para serem colocados tão em conta como o presente do lado de dentro. Engraçado esses pensamentos, conflitando com os da menina na loja de materiais, escolhendo entre tantos o ideal para embrulhar o kit de combinando do gatinho. As unhas pediam para ser ruídas e as mãos mantiveram-se para baixo a fim de evitar o pior, a garota pulando sem sair do chão e sorrindo tanto que as bochechas doíam, e congelavam naquele ponto por conta do vento frio. Por que não ia mais depressa? A angústia tornando-se deliciosa com a aprovação do mais velho, e a prontidão em se armar do que tinha morrido de amores ao escolher. Jimin se conteve, as palmas batendo juntas e um risinho infantil ecoando pelo peito quando a forma felina se Saeyoung tomava as vias da realidade, saía da imaginação para uma memória concreta e real. ( E que viraria um prova em forma de várias fotos quando fossem no restaurante para comemorar a vitória. ) --- Parece sim! Awwwwwwwn, Sae! Awwwn Sae! Sae- aawwwwwn.! --- Ele estava tão fofo que o coração parecia inchado de tanta, mais tanta, doçura. Queria apertá-lo, como fez pressionando de leve os indicadores em cada bochecha, e esmagá-lo num abraço de urso. Risadinhas internas, mãos esfregando uma na outra em nervosismo sem fim e felicidade extrema.
A risada veio natural, assim como o balançar da cabeça em afirmação. Não só sabia daquela frase como a considerava muito em seu dia-a-dia. Nas conversas do kakaotalk, do nome do grupo mudado tantas vezes mas sempre rondando a temática estabelecida entre si. --- Sei, sei sim. Gatos escalam melhor do que ursos. Ursos sobem e não sabem descer. --- Completou a brincadeirinha e buscou o brilho de divertimento nos olhos do outro que se aproximava. Jimin, no entanto, viu o sorriso vacilar um pouco, ficando mais incerto se deveria ou não continuar alegre em frente ao tom mais sério que ele usava. Tom sério para ela sendo qualquer um diferente do preocupado e do divertido que ele sempre usava para consigo. As mãos em seus ombros foi outro alerta, uma alerta bom e calmo, porque toques a acalmavam. E Sae também. Jimin se deixou ficar, atenta, as mãos puxando as mangas do casado para baixo e cobrindo os dedos, protegendo-os dos arredores gélidos. E apertando. E... Casal? Aquela pontinha de toque, o encostar tão singelo no nariz, foi o primeiro lugar que esquentou. O calor espalhando pelo rosto avermelhado de frio e tomando o corpo inteiro como uma onda. Cobriu o peito com os braços dobrados, os punhos fechados logo abaixo do queixo erguido para olhá-lo nos olhos. Para ver o que significava isso tudo que dizia e o que sentia por dentro. O coração batendo com tanta pressa que era difícil escutar os próprios pensamentos. Ou o vento. Ou as conversas ao redor. Ou o papel de presente agitando de uma lado.
Pergunta. Era uma pergunta! Perguntas precisam de respostas. Respostas. Jimin arregalou os olhos, surpresa, pega num momento de total falta de ação. Todavia, a surpresa estava na realização, no desejo bem escondidinho no peito que não tinha nome nem identificação, vivendo ali para colocar borboletas em sua barriga e pontinhos vermelhos na bochecha quando ele se aproximava. Não era dúvida que ela gostava, gostava muito daqueles olhos calorosos, da presença quentinha e na beleza estonteante de sua existência. De que não se cansava em vê-lo todo dia e não se incomodava de perder o fôlego com suas brincadeiras. Longe dela reclamar daquela preocupação onipresente todas as vezes que mudava o tom para mais um doloridinho, quando batia o dedinho em na quina de uma mesa. As mãos sobre o peito sentiam o bater forte de algo muito mais importante e decisivo em suas escolhas, ainda mais quando a cabeça nem sempre deixava muito para poder agir. O silêncio era seu amigo, a liberdade era um momento sagrado para colocar em palavras aquilo que... Que... Saeyoung colocara primeiro. Queria ser o urso daquele gatinho, queria ser o outro complemento da palavra tão bonita e assustadora e feliz e...
Jimin cobriu o rosto com as mãos e se inclinou para frente, parando quando o peito era tudo o que sentia e nada mais. Suas mãos aqueceram rapidamente com a quentura das bochechas e parecia que tinha uma população enorme borboleteando e voando dentro de si. A cabeça balançou uma vez, depois outra, depois com mais veemência, assentindo com veemência o que não tinha habilidade de falar. Namorado. Saeyoung é meu namorado. A frase ecoou e o risinho escapou, Jimin balançando a cabeça e se enfiando ainda mais contra ele. Os ombros se encolhendo porque sentia que estava sendo observada, que os olhos dele estavam em si esperando... Esperando... --- Eu quero sim. --- Falou tão baixinho que não conseguiu se ouvir, o coração ainda tomando todo o barulho para si. --- Eu quero ser... sua... namo- --- A garganta se fechou em mais uma risada. A chinesa era só isso, vergonha adorável e risinhos felizes, e sorrisos escondidos em mãos tímidas de alguém que não tinha costume, nem familiaridade com tanto carinho em um pedido. --- Namorada. --- Falou por sim, ainda num sopro de voz, só que com mais firmeza. Ela se afastou para ajeitar a touca sobre os cabelos, limpar as lagriminhas acumulados e expôr o sorriso mais... mais... mais que já dera na vida. Assentiu mais uma vez, confirmando consigo mesma, e pegou a mão alheia, entrelaçando os dedos nos dele e... Jimin, toda timidez por fora, e explodindo em fogos de artifícios por dentro.