0, -1, -2, -3 ... Rock bottom.
Na verdade tá bem difícil.
O que tá difícil? Sinceramente eu nem sei apontar uma coisa. Não sei te dizer um grupo de coisas. Oras são poucas gigantes, ora são várias minúsculas. Eu vou tentar analisar cada uma delas. Porque eu sei que se eu não fizer isso, eu vou acabar estragando alguma coisa muito importante pra mim.
De início, a coisa que grita mais alto dentro do meu cérebro é faculdade. Quando eu paro pra pensar, imediatamente essa palavra vem na minha cabeça. Eu tô num momento de desgraça completa, pelo menos para os meus padrões. Eis o caso: Eu só fiz cagadas no tempo que estava estudando UNIMEP, quer dizer, eu fiz cagadas por um bom tempo e quando eu me toquei e melhorei, vi que o estrago já estava bem grande, o estrago que eu fiz antes foi feito em uma época que eu estava me sentindo muito parecido com o que eu estou sentindo agora: um vazio interminável, uma sensação de que eu sou um estorvo, mas ao mesmo tempo eu estou cheio, cheio de tudo, cheio de ter que me importar com as coisas, e é aí que eu acabo me ferrando de novo. Enfim, eu plantei coisas ruins e agora elas estão aparecendo para mim. Eu fui um aluno de MERDA na UNIMEP, peguei MUITAS dp’s que futuramente, ou seja, agora, estão me dando muito mais trabalho do que eu antecipava.
Mas não é o ‘me dar trabalho’ que eu me importo, é como isso afeta as pessoas que estão a minha volta. Eu precisei fazer um empréstimo com meu avô, meu pai teve que vender coisas importantes para ele só por causa dos meus erros. E se tem alguma coisa que eu odeio mais que tudo, é eu dar trabalho para os outros. Nesse caso além de eu dar trabalho, ainda estou tirando dinheiro (e não é pouco) deles. Tudo isso para resolver a minha situação com a UNIMEP. Mas não minha situação com a faculdade ainda. Eu não cheguei a me formar, apesar de ter passado esses cinco longos anos lá, anos que foram praticamente desperdiçados depois de tudo. Eu saí da UNIMEP ainda carregando minhas DP's comigo e eu preciso terminar esse curso. A única faculdade mais perto de casa que oferecia Engenharia Química é a FAM, é uma faculdade mais barata, mais simples, mas acho que vai dar conta. Hoje eu fui novamente à FAM para resolver os detalhes da minha matrícula, eu havia entregado todas as matérias que eu fiz e passei na UNIMEP a eles, para que eles pudessem ver o que poderia ser aproveitado, acabou que eu eliminei 44 matérias do total de 66 do curso, me restando 22. Vinte e duas. Vinte e duas matérias que vão me render mais dois anos de faculdade, além desses 5 que eu já frequentei. Me surpreendi um pouco com isso. Eu esperava fazer mais um ano de faculdade, que era o que faltava se eu continuasse na UNIMEP, mas coloquei na minha cabeça na hora que poderia ser uma coisa boa, disse exatamente isso para o Bruno enquanto esperava minha vez no atendimento mais cedo: vai que eu goste mais daqui, vai que aqui me traga mais oportunidades, eu posso ter falado isso para me acalmar um pouco, eu posso ter me forçado a acreditar nisso porque se eu não acreditar nisso, eu não sei o que eu faço, eu provavelmente vou ter um surto psicótico.
Eu realmente não deveria ter pressa com as coisas, é a parte ruim de ter estudado em uma escola de overarchievers. Quase todos que eu estudei durante o ensino médio, que eu ainda acompanho de vez em quando, está formado, fazendo alguma coisa significativa da vida deles, eu sei que eu não deveria me importar, os good-vibes diriam para mim que cada um tem o seu tempo, cada um tem o seu ritmo... O que eles não entendem é que meu ritmo é acelerado. Eu quero sucesso e eu quero agora. Ou pelo menos eu já pensei assim um dia. Um dia eu realmente já fui assim e eu realmente achava que eu conseguiria.
Voltando... Junto com a faculdade, claramente vem a parte financeira. Pois eu sou muito burro para conseguir vaga em uma faculdade pública. O único motivo de eu ter saído da UNIMEP foi por dinheiro. Eu gostava de lá, mas é hiper caro para mim. Eu só entrei lá por causa do FIES, cujo contrato venceu ano passado. E com ele vencido, eu teria que pagar o valor integral das mensalidades de lá para continuar e terminar de cursar minhas DP's, coisa totalmente impossível para mim ou para minha família, que mal pode me dar suporte financeiro. Então paguei o que eu devia para eles e saí de lá. Ano passado eu comecei em um emprego de base, simplesmente porque eu precisava muito. Eu ter colocado que cursava engenharia química chamou a atenção do empregador, que provavelmente não recebia muitos currículos nem mesmo de pessoas com o ensino médio completo. No mesmo dia que eu enviei ele me disse para comparecer ao lugar que trabalho e fui contratado imediatamente. Tudo bem, eu estava empregado, era o que importava. Eu estava sem trabalhar fazia mais de um ano, o qual eu aguentei devido as multas rescisórias do emprego anterior. O meu emprego é muito, mas muito simples. Tem algumas coisas que necessitam de um pouco mais de atenção, mas até mesmo um chimpanzé treinado faria o que eu faço. Isso explica o meu salário. E é durante a madrugada. O fato de eu trabalhar durante a madrugada virou minha vida de cabeça para baixo, eu quase não vejo mais meu namorado e o tempo que vejo eu estou muito cansado para fazer qualquer coisa pois como qualquer emprego de base, é puramente braçal (se você já me viu, sabe como sou magro). Mas ok, estou recebendo o suficiente para conseguir terminar uns planos que eu e o Bruno estavamos fazendo.
Sou eu quem vai ter que pagar a FAM, eu não posso pedir isso para ninguém, eu sempre tive certo apoio da minha família e sou grato por isso, mas eles não deveriam ter que pagar pelos meus erros, o que na verdade já fizeram. Então eu não tenho para onde ir, eu preciso terminar meu curso. Mas isso gera outro problema para mim, não o fato de eu ter que pagar o curso, mas como eu vou fazer isso. Como eu tinha dito, eu trabalho durante a madrugada, começo a trabalhar às 22h. Quando eu começar a estudar, vou sair da faculdade às 22h. Problema. A humanidade ainda não inventou o teletransporte então me fodi. Eu terei que conversar com meu coordenador do trabalho sobre a possibilidade de entrar atrasado mais de uma hora e meia, quatro dias por semana. Num trabalho que eu odeio. Okay... Por enquanto vai ser isso mesmo, afinal eu TENHO que pagar a faculdade, não é uma escolha, não tenho outro caminho. Só se eu considerar largar tudo que eu tenho e todos que conheço e morar na rua. Por que meu namorado não merece um fudido na vida dele e minha familia não merece uma decepção a mais comigo. A vontade que eu tenho é sumir sem deixar rastro nenhum. Eu estou procurando novos empregos, que sejam durante o dia, para que eu possa trabalhar de dia como qualquer pessoa normal e estudar a noite, sem conflitos de horário, pagamento do boleto pesado da faculdade todo mês garantido, eu provavelmente mais saudável e feliz já que vou passar a noite dormindo, mas isso tudo ainda é um sonho que não tem garantia nenhuma que possa se realizar.
Dinheiro é uma bosta. Dinheiro foi o único motivo, na verdade, para eu ter escolhido o meu curso. Afinal, ser um Engenheiro supostamente me traria sucesso e felicidade. Provavelmente se eu tivesse dinheiro desde sempre, de berço, eu teria escolhido algo que me traz felicidade como gastronomia ou confeitaria, infelizmente não foi o caso.
Até agora eu escrevi tanta coisa que me perdi um pouco. Como deu pra notar, na minha tentativa falha de listar a quantidade de bosta na minha vida agora, os motivos se misturam. Faculdade afeta emprego que afeta relacionamento que me afeta. Quem dera se a vida fosse dividida em bloquinhos bem delimitados que nunca interagem. Só sei que toda essa confusão está me afetando demais.
Se eu puder falar mais um pouco sobre meu emprego, eu até recentemente postei no meu stories do Instagram: Eu trabalho com verdadeiros trogloditas. Eu realmente não me importo muito com meu emprego em si, o trabalho braçal me ajuda a abafar um pouco as vozes na minha cabeça que estão me falando cada vez mais alto que eu sou um estorvo, que eu deveria me matar, que eu sou um fardo que ninguém deveria ter que carregar. Mas as pessoas que eu trabalho... Eu simplesmente não consigo lidar com eles. O fato de eu estar lá durante a madrugada, quando poderia estar dormindo com meu namorado também não ajuda. Sendo um trabalho de base, com pouquissimos pré requisitos, é meio óbvio que apareceriam alguns casos perdidos lá. Só não imaginei que seriam tantos. Eu já tentei colocar na minha cabeça que eu fui criado de forma bem diferente dessas pessoas, que eles não tem culpa de pensar do jeito que pensam, mas sinceramente? Foda-se. Eu vou abraçar esse lado ruim meu. Aquele povo é a definição pura e viva de escrotice, de machismo, de tóxico, são pessoas extremamente mal educadas, olhar para a cada deles todos os dias, pensar na cara deles antes de começar a trabalhar todos os dias me dá NOJO. Verdadeiros desperdícios de oxigênio. "Ain, Igor, que coisas horríveis de se pensar, são seres humanos como qualquer outro, não é culpa deles". Concordo, ou já concordei um dia, mas depois de passar um tempo com esses malditos eu vejo que tem uma parcela da sociedade que simplesmente não tem salvação. São pessoas destinadas pelas próprias ações a serem verdadeiros pesos mortos na terra, geradores de lixo e consumidores de recursos até o fim de duas existências vazias. Talvez eu esteja falando tudo isso para me sentir melhor sobre a minha própria vida parecer um trem desgovernado descendo a serra? Talvez. Mas a porra do texto é meu.
É esse ódio pulsante que eu tenho pelo meu emprego, o medo que eu tenho de como eu vou pagar essa merda de faculdade, a minha indiferença perante tudo isso e as vozes cada vez mais altas que me levaram a escrever tudo isso. Foi vago, sem sentido, desconexo, mas assim é como eu me sinto agora. É horrível. Eu me sinto extremamente triste, quando não estou triste estou quente de raiva, se não estou em nenhum desses estados, eu estou tão indiferente que estar vivo ou não, não faria a menor diferença. Hoje eu quase fiz a minha primeira decisão ruim devido a tudo isso, eu amo muito meu namorado, amo tanto que não suporto a ideia d'ele ter que aguentar todo esse drama que eu estou entrando, eu diria a ele para tirar um tempo de mim, se eu tivesse para onde ir. Quando me mudei pra cá, foi uma das coisas que discutimos, se caso acontecesse alguma coisa teríamos que suportar o que viesse. Então vamos ter que suportar, eu quero poupar ele o quanto eu puder, quando eu estiver com ele vou vestir minha máscara feliz e tentar ser o melhor namorado que eu conseguir ser por umas horas, até a avalanche chegar de novo.