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@trafega
a gente se tocava em conexão transcedente e era como chegar no céu.
Eu vi todas as vezes em que você me procurou após o fim. Eu vi as mensagens. Eu vi as ligações. E eu permaneci, irredutível por fora, completamente vulnerável por dentro. Até aquele dia, até aquele "número privado" aparecer na tela do meu celular. Eu atendi sem ter a menor ideia de que era você, a menor ideia. Eu disse alô, e quando você disse oi, eu paralisei. Eu sei, eu transpareci naturalidade e até indiferença, mas eu paralisei. Meu coração disparou, minhas mãos suaram, era a sua voz. E eu só pensei: puta que pariu, o que caralhos eu acabei de fazer? Eu fingi indiferença, você mostrou a sua, nem um pouco fingida. Era a tua voz, e a indiferença saltava sobre ela. Eu precisei fingir tudo o que há em mim sobre você, e você não teve problemas em deixar claro indiretamente que não há nada sobre mim em você. Eu continuo sem saber o motivo da tua ligação. Eu nunca vou saber o motivo. E na real, você nunca vai saber, mas naquele dia eu paralisei, era o efeito da sua voz em mim. Aquela foi a última vez que eu ouvi a sua voz. A última vez, de um para sempre. E doeu.
t.
Por vezes será necessário admitir que achamos injusto a forma como as coisas se apresentam. E é minha vez, mais uma, de dizer o quão injusto foi aquilo. Nas nossas conversas que não foram apagadas, é possível reviver o que um dia foi tão bom. Mas afinal, bom pra quem? Se olhando hoje, a única coisa que sou capaz de enxergar é como tuas palavras foram tão bem articuladas, pra se alojar em cada parte sensível de como funcionava o meu eu. Se todas as tuas ações foram tão bem pensadas, como se fosse um truque de mestre e você tivesse feito isso a vida inteira. Eu achei injusto, e mesmo sendo tão injusto, por que eu não consigo apertar na mensagem que aparece na tela: deseja apagar esta conversa?
Eu admito, e dói.
t.
A forma que a saudade hoje se instala no meu peito é diferente. Nunca foi um jogo, mas agora ela parece brincar comigo, e nem precisa me conhecer muito pra saber que eu nunca fui a melhor pessoa em jogos, e em qualquer outro jogo eu poderia tentar. Mas nesse não, nesse não. Hoje ela se instala me lembrando de como era gostosa a sensação de cada escrita ser sobre você. Do palpitar do meu coração a cada música que eu ouvia e cantava eternizando você. Dos planos idiotas que eu remontei dia após dia com sua chegada, e que o vento foi desmontando ao passo em que a gente também ia se desfazendo. A saudade hoje brincou com peças do meu peito que eu nem lembro onde guardei a chave. Mas a maldita da saudades achou, e me trouxe muito de você.
t.
Eu sempre quis amar você, e agora que eu quero parar, não consigo mais.
t.
Em escalas de dor, não me ter de volta é a maior delas.
É um cenário decadente. Olhar pra si e se ver reduzida a escolhas secundárias, no meio de tanta gente amante de si. Nos últimos tempos eu vivi tantas coisas, e eu vi tanto as minhas partes escuras, que eu entendi o porquê era automático eu entender que ninguém iria querer estar comigo. Eu entendi que a coisa mais assertiva que todo mundo fez quando entrou na minha vida, foi ir embora. É decadente ver que não importa o quanto eu tente, parece que eu realmente não tenho nada bonito pra cativar alguém. E isso é algo que alguém pode até viver também, mas nunca vai sentir da forma que eu sinto, e vice-versa. Dói, porque eu sei o quanto eu tento fazer alguém que entrou, querer continuar aqui.
Cada dia mais consciente de onde está minha fortaleza.
t.
Com você eu quero todas aquelas coisas belas que a gente lê as pessoas afirmarem que existe.
t.
Vem cá, eu te mostro o mundo inteiro que fica pequeno pra eu e você.
t.
A minha pele te lê, como se você fosse uma clássica literatura irresistivelmente apreciada.
t.
Nos seus olhos habitam todas as minhas constelações favoritas. A minha cor preferida. E todo o meu sentir.
t.
A cor da tua boca me mostra que nem o amarelo dos girassóis de Van Gogh, tem tanta beleza e vibração. O profundo dos teus olhos provam que ainda que Van Gogh pintasse mil noites estreladas, ainda assim não seriam capazes de se equiparar com teu infinito ocular.
E olha que eu gosto muito de Van Gogh.
t.
Aquele meu sorriso não foi interpretado por ninguém além de mim. E isso me fez sorrir mais uma vez. Eram as partes de mim que só eu sei.
t.
Existiam partes de mim quebradas, em lugares que eu não sabia que existiam.
t.
Existe um sentimento predominante, e eu arrisco dizer que não se trata só de saudades. É algo que aperta mais, e eu nem sabia que era possível. É algo que me diz em infinitas tentativas, o que eu ignorei perdidamente todas as vezes. É algo que vem de dentro, mas não externa, não vem pra fora. É algo que faz minhas lentes internas enxergarem exatidões que em perfeito descontrole emocional, eu nunca seria capaz de observar. Existe um sentimento muito mais doloroso que a saudades: o sentimento de enxergar a verdade. A verdade dilacera, rasga a alma e nunca com calma. Ela faz visitas, e a cada entrada, ela vem se instaurando. Ela tem me contado coisas que me tiram o sono e me fazem remoer durante o dia inteiro. Eu só espero que a vida toda não esteja me aguardando pra isso. Eu quero enxergar por completo, mas que um dia, simplesmente não machuque mais.
t.
Eu quebrei o padrão porque naquele momento não fazia sentido seguir. Quantas coisas fazem sentido na vida, afinal?
t.