Mente em pedaços, ideias distorcidas, padrões removidos, traumas revividos. Essa sou eu em 2020. Pra se ter uma noção, a moça que brilhava, encantava e que se orgulhava, virou apenas pó, perdida dentro de sí tentando reorganizar pensamentos e memórias. Memórias, aquelas que ninguém entende o quanto me despedaça. A dor da infância, a tristeza da perda de um amigo, o trauma revivido em uma época que era para ser de festa. A ignorância de alguém que devia lhe apoiar, a falta de solução para um que merecia brilhar. Coração apurado, tentando se reconstruir. Até inteiro ele continua sendo metade. A lástima da falta de oportunidade, peso no qual ninguém entende. Falta de vontade para fazer coisas que gosto, que me orgulhava, que sabia fazer bem. A dor da quase perda diária - aquela que eu deixo quieta, pois ninguém tem nada a ver além de mim - a falta de soluções, as soluções caóticas. Ninguém entende o que se passa na cabeça de uma pessoa perdida. Mas eu posso dizer: caos muito caos. A dor da substituição, de se estar sozinho, de não poder pedir ajuda porque todos necessitam dela também, o coração apertado, tão inchado ao ponto de transbordar.
- No fundo mesmo, eu só queria que alguém me abraçasse e me dissesse que tava tudo bem; que eu não era um erro, que eu havia conseguido. Eu só queria que aceitassem que eu estava tentando ser alguém melhor.
2020, quarentine year












