em new york, é difícil saber quem são os seus verdadeiros aliados. se resolver depositar a sua confiança em REID WEN, talvez vá lhe encontrar VIAJANDO PELO PAÍS ou passando pela entrada do THE ROADHOUSE. pode notar pelo sotaque que nasceu em NEW YORK, precisa de um descanso por ser ASSOCIADA DOS NEFANDI e venceria um concurso de sósia de LEAH LEWIS. ainda não temos muitas opiniões ao seu respeito, mas reid passou os últimos 26 anos sendo chamada de RANCOROSA e DESTEMIDA, o que não mudou depois que começou a atuar como CONTRABANDISTA DE ARTEFATOS MÁGICOS.
Reid não buscou o sobrenatural. Ele apareceu na sua porta na forma de sua irmã mais velha, exceto pelas presas sobressalentes, as veias escuras no rosto e uma sede de sangue irremediável. Na época, ela ainda não entendia a importância de um convite para entrar. Horas depois, a universitária, que já não tinha mais os pais há alguns anos, também perdera os dois irmãos: a mais velha para o vampirismo e o mais novo para a sede da irmã, que, ao perceber o que havia feito, fugiu noite adentro, deixando-a com o corpo inerte do caçula em seus braços.
Com o tempo, Reid foi desvendando os segredos e mentiras de sua irmã; os favores que fazia às facções sobrenaturais de New York, as informações que coletava de um grupo para outro, e o erro que lhe custou sua humanidade: forjar uma falsa aliança com vampiros sem clã, apenas para vigiá-los pelos Lasombra. Ava Wen fora tola ao acreditar que uma mera humana poderia passar a perna em sobrenaturais, e pagara o preço por isso. Mas talvez sua irmã mais nova fosse mais tola ainda, decidida não só a vingar os dois irmãos como a jogar o jogo do mundo oculto da maneira certa, mesmo que, para isso, tivesse que fazê-lo acreditar que era inofensiva.
O curso de graduação e o pequeno apartamento no Queens tornaram-se uma vida distante nos anos seguintes, dedicados a fazer conexões, aprender sobre o sobrenatural e encontrar uma vantagem que lhe comprasse a confiança da Dante. Felizmente, o interesse dos Nefandi em artefatos mágicos era suficiente para chamar a atenção das bruxas, e ser associada a elas lhe parecia a melhor opção: mesmo que usassem magia, ainda eram, no fim das contas, humanas, o que não podia ser dito sobre os outros dois braços da tríade. Assim, seu tempo era dividido entre algumas semanas de descanso em New York — em um apartamento novo, para o qual não convidava nem o entregador de pizza — e o restante do ano na estrada, rodando o país à procura de objetos amaldiçoados e vendendo-os para os contatos dos Nefandi (e ocasionalmente irritando os saqueadores da Madre Suprema por colocar as mãos nos artefatos antes deles).
Contudo, enquanto sua aliança aos Nefandi não é um segredo, Reid possui um passatempo que prefere deixar longe dos olhares e ouvidos da Dante. Sempre que encontra um vampiro sem clã em suas viagens, Reid o caça. Já perdera a conta de quantas presas arrancara nos últimos cinco anos, mas está longe de satisfeita, pois nenhuma delas, até então, eram de Ava. A busca pela irmã é tão incessante quanto o desprezo pelos vampiros, e os rumores de um caçador misterioso que assassina cruelmente vampiros solitários chegam até New York, o único território no qual não se permite caçar. Ao menos, não até a morte de Bernardo, pois a queda do alpha dos Fenris pode significar o início de uma nova era para a cidade que nunca dorme — e Reid não se importaria se os Lasombra fossem os próximos a caírem.
⠀( … )⠀SETTING ⠀: ⠀starter aberto no salão principal⠀.
⠀⠀⠀⠀⠀em retrospecto, vivienne se recordara de inúmeras ocasiões, quando fora transformada, em que o controle se esvaia de seus dedos. naquela noite, sentia-se da mesma forma, onde a fome falava mais alto que a razão – um sentimento que já não era tão comum para alguém como ela. batucava os dedos na taça que segurava, mantendo sorrisos gentis para qualquer um que cruzasse seu caminho, como uma maneira de disfarçar o incômodo que a perseguia como um agouro. fossem vampiros, lobisomens – estes ao qual se esforçava para não torcer o nariz – e bruxas, até mesmo humanos deslumbrados e ingênuos, que sequer imaginavam a existência de seres tão cruéis, eram vítimas de suas palavras gentis e sorrisos repletos de intenções veladas. apenas precisava manter a política da boa vizinhança, a máscara que gostava de sustentar para aqueles ao seu redor como forma de fortalecer os laços que os lasombra possuíam. “uma bela noite, não acha?” chamara a atenção daquele ao seu lado, embora não parecesse ter notado sua presença até ouvir a voz melodiosa em seus ouvidos. “nunca imaginei que alana pudesse ser tão empenhada em bailes, consigo até mesmo me sentir em casa. você não, gracinha?”
Reid lançou-lhe um olhar torto. Além de ser chamada de gracinha — detestava ser chamada de qualquer forma que não pelo seu nome, ainda mais quando sequer era próxima da outra pessoa —, não conseguia fingir normalidade diante do comentário de Vivivenne. Era uma órfã do Queens, não o Conde Drácula. ⸺ Isso aqui não me lembra nada da minha casa. Se estivéssemos em um studio decadente e com cheiro de mofo, aí sim, lar, doce lar. Mas acho que a destoante aqui sou eu. ⸺ Ela riu, olhando para os próprios sapatos, os bicos espiando sob a barra da calça. Embora estivesse de acordo com o dress code do evento, estava mais parecida com os homens em seus ternos sob medida do que com as mulheres e seus vestidos cheios de babados. Nunca se sentira confortável em vestidos e saias, ainda que os achasse belíssimos em outras mulheres, como na que estava ao seu lado naquele momento. ⸺ As festas dela costumam ser temáticas?
não , george não queria beber . muito pelo contrário , seu objetivo era ser a pessoa mais sóbria daquela festa . então porque a taça sobre os seus lábios continha algo extremamente alcoólica ? ou por que a visão já estava turva quando tinha tão pouco em sua cerne ? a culpa era da lua cheia que buscava seu âmago ? da poção que a horas tomava conta do seu corpo , o tomando pouco a pouco ? ou apenas daquele ambiente totalmente incomum que estava exposto . merda , ele não podia passar tanta vergonha assim . não era esse tipo de pessoa . ⸺ se quiser posso te fazer um drink melhor que qualquer um aqui . a voz começa , lentamente . se precisasse se orgulhar de algo , com certeza o barman colocaria suas jogadas em seu super poder : preparação de bebidas alcóolicas . nenhum desses americanos teria como competir com um canadense como ele . pelo menos era o que a própria mente insinuava sem parar . ⸺ é sério , tô te falando . me diz qualquer coisa aí vai .
Reid não se permitiria ficar bêbada, não cercada de criaturas sobrenaturais que poderiam lhe dar o bote a qualquer momento. Experimentava um gole ou outro de vinho e vagava pelo salão com uma taça meio vazia na mão, apenas para acompanhar o restante dos convidados, mas sabia exatamente em que ponto deveria parar — e ela nem gostava daqueles vinhos de gente rica mesmo. Assim, quando recebeu o pedido, só teve como rir e se desculpar. ⸺ Foi mal, amigão, já bati meu limite de hoje. Mas olha, até que os drinks do bar parecem interessantes. Vi um pessoal com bebidas pretas e fumaça saindo delas… A Sra. Chesterfield gosta mesmo de um espetáculo. ⸺ Ela olhou ao redor, admirando o mar de roupas extravagantes inspiradas na Era Vitoriana. ⸺ Se você souber fazer um desses, ficarei genuinamente impressionada.
@treasurehuntrs said: ❝i'm here for business — not pleasure.❞
Uma festa como aquela não era apenas um evento para diversão, e Cesare sabia bem disso. Mantinha seus olhos nos membros da Dante, tentando entender seus movimentos e maquinações. Mas não iria se negar o prazer de conversar com os convidados normais de Alana. Achava-os interessantíssimos ali, no meio de tanta esquisitice do submundo, humanos circulando sem saber da origem das criaturas que os cercavam. Por isso, quando tentou iniciar uma conversa em tom de flerte com a garota, surpreendeu-se com a sua resposta seca. Levantou as duas mãos em sinal de rendição, sorrindo. — Me desculpe, devo tê-la confundido com um dos convidados daqui. Qual trabalho a senhorita está realizando? Não me parece vestida como uma garçonete nem nada do tipo.
Reid soltou uma risada amarga. Certamente, aquela era a única função dos humanos aos olhos do Conde: empregados para servi-lo. Ela havia, sim, sido uma garçonete em tempos passados, quando o sobrenatural era somente uma fantasia distante e cada trocado em seu bolso era precioso feito ouro. Foram tempos mais simples — e menos solitários —, mas já estava confortável demais com o dinheiro dos Nefandi para recordá-los com nostalgia. ⸺ Trabalho para uma casa de leilão ⸺ Mentiu, pouco preocupada com soar convincente o bastante. ⸺ Como há muitos possíveis clientes em eventos feito este, preciso manter os olhos abertos. Então sim, eu sou uma convidada, mas não estou aqui pelas festividades, senhor…? ⸺ Fez-se de desentendida, como se não soubesse o nome de um dos membros mais influentes da Dante e um dos vampiros mais poderosos de New York. Ao menos tinha isso em sua vantagem: poder passar despercebida.
Bjorn tendia a evitar situações que envolvessem refeições com humanos pelo simples fato de não suportar a textura dos alimentos. Entretanto, em certas situações, acabava sendo inevitável aceitar se sentar à mesa com eles. E aquela era uma daquelas situações, onde teve a própria anfitriã vindo perguntá-lo se não iria comer nada. A garganta já seca, sedenta por sangue, quase o fizera soltar um comentário ácido demais para ingenuidade vívida de Alana. Entretanto, não podia evitar os pensamentos a respeito das oportunidades que podia ter ali se fosse apenas cauteloso. Infelizmente para si, não queria arruinar a oportunidade que a noite estava trazendo, então decidiu desviar o foco dos pensamentos para seu trabalho.
À mesa, o vampiro brincava com a comida. Jogava para lá e para cá, colocava pedaços pequenos na boca e depois os dispensava no guardanapo. Tudo de maneira muito discreta, em movimentos absolutamente sutis, disfarçados pela maneira como mantinha a conversa fluindo. Sua melhor estratégia para desviar a atenção de seu prato praticamente intocado. ━━ Já foi fazer uma leitura de tarot esta noite? ━━ Perguntou para a pessoa ao seu lado. ━━ Fui um pouco mais cedo e a pobre moça pareceu preocupada. ━━ Comentou em um tom completamente divertido e, também, levemente debochado. ━━ Ao que parece, a carta da Torre diz que vou morrer logo. ━━ O que era ridículo, considerando que já estava teoricamente morto há quase dois séculos.
Reid estava usando todo o seu autocontrole para sobreviver àquela festa. Nunca tivera desenvoltura social o suficiente para gostar daqueles eventos, normalmente se desesperando com a quantidade de pessoas que tinha que cumprimentar, os sorrisos falsos que precisava exibir e o egocentrismo que os podres de ricos não se importavam de esconder, e acabava chamando um táxi depois de uma hora de sua chegada. Naquela noite, porém, escapar de fininho não seria uma opção — primeiramente, porque seus aliados Nefandi não ficariam nada felizes com tamanha desconsideração, e segundo, porque sua curiosidade falava mais alto do que qualquer desconforto. O cadáver de Bernardo ainda estava quente, e um convite para o baile de Alana valia ouro em uma época tão conturbada para a comunidade sobrenatural de New York.
Ela só preferia não ter que jantar com vampiros.
A cara amarrada não escondia o descontentamento enquanto beliscava timidamente a comida, não por não estar com fome, mas devido ao estômago revirado de repulsão. O olhar se revezava entre o próprio prato, o prato alheio e os outros convidados à mesa, felizes em sua ignorância. Talvez estivesse segurando os talheres com força demais.
⸺ Eu não gosto de perder meu tempo. ⸺ Foi o que respondeu a princípio, esforçando-se para que aquelas fossem as únicas palavras a saírem de sua boca — as que guardara eram um coletivo de xingamentos e promessas de morte. Contudo, os comentários seguintes arrancaram de Reid um revirar dos olhos. ⸺ Não é isso que a carta da Torre significa. Ao menos, não significa só isso. Ainda é uma carta péssima de se tirar, mas nenhuma significa morte por si só, nem mesmo a própria Morte. ⸺ Reid Wen podia ser uma mulher cética, mas os anos lidando com artefatos mágicos vinham com conhecimento extenso sobre o oculto, incluindo as partes nas quais não acreditava. ⸺ Ou ela é muito talentosa ou uma completa mentirosa. Nessa cidade, nunca se sabe.