“Cocaine quarter piece, got war and peace inside my Dna”
Nessa quarentena, tenho tentado valorizar mais os bons momentos. De maneira muito difícil, mas tenho tentado escutar mais e pensar mais sobre tudo. Acredito que viver para nós, o ato em si já é muito doloroso, contínuo e recorrente. Se você conseguiu levantar hoje, parabéns! Essa ideia ganhou mais expansão em mim, quando eu e Júlio estávamos analisando a letra de uma música do Kendrick Lamar e várias vezes, ele diz que tudo que ele é, está no DNA dele, tudo que ele construiu fez e vai fazer, está no DNA dele!
Isso me fez pensar muito nos meus pais. Minha mãe é verdadeiramente generosa e bondosa, porém já não posso dizer o mesmo do meu pai. E digo isso de forma neutra, sem pesar os meus sentimentos, quanto a nossa história. Eu cresci sabendo que há um caos em mim, uma fúria e um sentimento de isolamento. Algumas partes, sei de qual momento é pertencente, outras eu acredito que venha da minha ancestralidade, algumas cresceram dentro de mim, outras se dizimaram, mas de fato, desde pequena esse caos sempre esteve em mim!
E acredito, que isso se manifeste em qualquer ser humano, tendo suas variações de acordo com a sua vivência. Você pode descobrir aos 8, 15, 20, 50 anos, mas quando você cria consciência de que o mundo é esse mundo, acho que um dos primeiros sintomas é querer deixar de sentir, você só vive de olho fechado. Mesmo teoricamente pensando dessa forma, vejo que por muita das vezes persisto em manter velhas atitudes não sábias. Se você é como eu, que se questionam praticamente todos os dias de porque você e porque esse mundo, você sabe da dificuldade de dar voz para o que se acredita.
Eu sei que o meu deixar de sentir, vem de vidas passadas, dos meus ancestrais, dos meus pais e da minha vivência até aqui. Desde pequena tenho mania de em algum momento me isolar e se você é meu parente ou amigo sabe dessa verdade e provavelmente já se chateou de alguma forma. Mas como diz Júlio “os carmas estão acumulados”, e acredito fielmente que eu e as pessoas com que me relaciono, ainda não possuímos uma inteligência emocional para conseguir lidar com a vida, da forma como ela é — injetada por nossa goela abaixo — Viver o que faz sentido para você.
Por vários momentos acreditei no isolamento social como uma maneira de não fazer algo que não acredite, porque quando se vive em sociedade a influência sobre a forma como agimos é extremamente induzível por todo um sistema. Mas as respostas do mundo externo ao seu, são negativas nas maiorias das vezes. E nesse ponto de forma generalista, instintivamente eu, Katheryne, posso ter 3 atitudes:
1) Agir no impulso de modo defensivo, soando bruta e sensível;
2) Silenciar-me, para evitar mais problemas;
3) Buscar me posicionar de forma não ofensiva e objetiva.
A terceira opção, na prática é novidade para mim. Por muitos e muitos anos houve uma dúvida em minha cabeça de como iria conseguir me posicionar nesse mundo sabendo que, como ser humano que ainda está desenvolvendo sua inteligência emocional, haverá momentos em que meu caos se manifestará da pior forma possível e ciente de como o mundo é mundo, consequências acontecerão.
Sei que meu DNA tem toda a loucura da minha avó, as atrocidades do meu pai e diversas outras questões, mas há também a inocência do meu irmão pequeno, a bondade e o meu bem querer da minha mãe e outros pontos acalentadores. Aceitar meu DNA da forma como ele é, é aceitar o caos que há em mim (E sei que por enquanto nessa vida, alguns carmas não irão embora), tem me ajudado a lidar melhor com tudo. Não estou normalizando as coisas e nem romantizando, apenas criando consciência de onde se vive e tentando seguir da melhor maneira possível!
Sinto que isso tem me libertado aos poucos, no sentindo de não me importar com julgamentos e tem me ajudado a me conhecer de fato. Isso faz com que cada vez mais eu respeite as pessoas como de fato elas são e o que elas tem conseguido fazer nesse mundo. Vejo pessoas que estão mais evoluídas quanto a inteligência emocional (Hello iGens!), quanto algumas que ainda precisam estourar algumas bolhas (Todos nós, inclusive euzinha aqui). Não tornando isso uma corrida, mas sim respeitando a trajetória de cada um e seu DNA.
Se não fizer sentido para você, talvez esse não seja o momento mais adequado para essa conversa. Mas se você se conectou de alguma forma, vamos um dia de cada vez, porque a certeza que temos é que nada sabemos quanto ao tempo e enquanto ele passa.
Ter no que se acreditar, no que se nortear e manter a essência, independente do cenário, começa a ser vital! Daqui sigo tentando sentir, ainda que só pra mim, cada mínimo momento especial, antes que a vida, seja vida!
“I got, I got, I got, I got
Loyalty, got royalty inside my Dna
Cocaine quarter piece, got war and peace inside my Dna
I got power, poison, pain and joy inside my Dna
I got hustle though, ambition, flow, inside my Dna
I was born like this, since one like this”