— Sassenach — chamou a rainha por um antigo apelido, utilizado pra designar aqueles que não eram das Terras Altas, como era o caso de Grimhilde. — Quando eu te conheci eu era um rapaz um tanto imprudente, que não pensava direito nas consequências e que não tinha medo de morrer em batalha. A vida me tirou muito dessas coisas — a prótese de madeira era uma constante lembrança daquilo e de como tinha perdido sua vida. — Meus filhos são minha prioridade — Merida, Harris, Hubert e Hamish. Na maioria das vezes Fergus tinha a impressão de que os filhos iriam o levar a loucura, afinal de contas sempre tinha alguém aprontando alguma coisa, sempre surgindo com uma nova aventura ou problema, mas isso não mudava o amor incondicional que sentia por cada um quatro. — E-e-e… — o rei foi incapaz de pronunciar a palavra corretamente, pois o simples toque da mulher em sua pele foi capaz de desencadear uma descarga elétrica por todo seu corpo. Era impossível não se pegar imaginando nas lembranças do passado e durante o breve e intenso período que compartilharam juntos. Com uma tremenda força de vontade, Fergus conseguiu se afastar alguns passos. Estava perto o suficiente para encará-la diretamente, apenas com alguns passos de distância entre eles. — Você sabe que eu não posso.
Sorriu de orelha a orelha ao ser chamada pelo antigo apelido, "Sassenach," sentindo as memórias do passado ecoando naquele termo. No entanto, sua expressão endureceu enquanto ouvia as palavras de Fergus sobre seus filhos e a escolha que ele fez. O ressentimento pulsava em seu peito, alimentando a chama do ódio que sempre ardeu em seu interior. Ela estava furiosa por não ser ela a desfrutar daquela vida familiar, por não ser a mulher que compartilhava os dias com ele. Ela murmurou palavras em um antigo dialeto, invocando a essência da magia das trevas que era sua aliada. Seus dedos traçaram padrões no ar, enquanto ela tentava lançar um feitiço sutil sobre o coração do outro, uma tentativa desesperada de perturbar a paz que ele havia encontrado. — Fergus, meu querido Fergus... — sussurrou ela com um tom melódico, seus olhos brilhando com uma energia sinistra. — Você é tolo por não ter escolhido o verdadeiro poder, por não ter reconhecido o potencial que eu oferecia, por não ter me escolhido... — encarava o homem com uma intensidade maligna, suas palavras carregadas de ressentimento e um desejo ardente de destruir a felicidade que ele tinha construído sem ela. O feitiço lançado era um fio tênue, uma tentativa de infiltrar-se na mente dele e semear dúvidas, questionando as escolhas que ele fizera. — Pense bem. Uma vida ao meu lado seria repleta de glória e poder. Não permita que a mediocridade o prenda a uma vida miserável. Eu garanto que eu te faço mais feliz do que ela. Que eu o amo mais... — a voz da rainha ecoava com uma promessa sedutora, enquanto ela aguardava, observando atentamente os resultados de sua influência sombria.






















