Nepal - Trek para o Everest Base Camp
Inicio esse post sem saber direito por onde começar!
Tenho tanto a dizer, mas tudo ainda está muito confuso!
Ok. Vamos começar pela clássica pergunta: "Por que?"
Ainda na Malásia, estava eu bela e formosa pesquisando sobre o Nepal. Até aquele ponto, eu sabia algumas coisas: Kathmandu, a proximidade com a India, os Himalaias e a montanha mais alta do mundo, o Everest. Enquanto pesquisava blogs, também comprei um guia do Lonely Planet. Foi nesses momentos que descobri que a maior parte do turismo no Nepal está direcionado ao trekking. Trekking consiste em caminhar. Caminhar muito, em diferentes paisagens e portanto em diferentes terrenos. As vezes você sobe montanhas, atravessa rios, entra em cavernas e etc. Tecnicamente, trekking é uma coisa que todos podem fazer, pois ele tem muitos níveis de dificuldade. Ao pesquisar sobre o Nepal, me deparei com os trekkings famosos da região, e lá no meio estava ele, aquele que cutucou a minha personalidade capricorniana de "se eu me planejar direito, eu consigo!" - o trekking até o Everest Base Camp.
Não se iludam: eu não escalei o Everest! Chegar ao pico é para ricos e loucos. Para vocês terem uma ideia, de cada 5 pessoas que chegam ao pico em expedições que chegam facilmente a 100 mil reais por pessoa, 1 pessoa morre quando desce da montanha. Isso ocorre por vários motivos, como frio, acidentes e etc, mas o mais importante é o preço alto (sem trocadilhos) de ser a mais alta montanha do mundo: altitude sickness. O pico do Everest não para de crescer, mas atualmente ele está em 8848m de altitude. Para vocês terem uma ideia, à partir de 3000m o corpo humano já começa a sofrer para se adaptar à altitude. Mas não importa: é impossível se adaptar à altitude do Everest. Por isso muitas pessoas adoecem, perdem os sentidos, morrem congeladas e etc depois de atingirem ao pico.
Mas o que tudo isso tem a ver com o seu role até a base do Everest, que está a "apenas" a 5.300m, Ju? Bem, tem a ver com a tortura psicológica de que, dia após dia dentro do trekking, você se pergunta: e se eu adoecer também. Sem contar o termo de responsabilidade que você assina antes de começar o trekking e as 10mil vezes que os agentes e guias te pedem para por favor fazer um seguro de viagem que cubra resgate por helicóptero. Devo dizer que nesse trekking não dá para brincar. Você pode realmente precisar de um helicóptero já que não existe outro meio de você ser resgatado. Não existem hospitais na região e nem estradas. E quando altitude sickness te atinge em cheio, com todos os seus sintomas terríveis, o único jeito de sobreviver é descer. Descer para a cidade mais próxima que você conseguir! Se for para o nível do mar então, melhor ainda,
Reitero para todos os amigos que desejarem fazer essa viagem, por favor, sigam as dicas clássicas que você lê em todos os lugares sobre esse trekking: beba 4Litros de água por dia, ande devagar, não coma carne (tudo que chega nas montanhas é carregado nas costas por Sherpas - um dos povos dos Himalaias - e por yaks - um tipo de boi-, ou seja, sem refrigeração.. você não quer ter um piriri e ficar desidratado naquela altitude), não tome banho (sua pressão pode baixar e a temperatura do seu corpo também - evite depois de passar por Namche - sim, isso significa que você ficará ao menos 7 dias sem banho).
Pois bem, toda essa primeira parte é assustadora sim, mas tem um propósito: te preparar. Esse não é um lugar para brincar! Conheci uma inglesa que teve intoxicação alimentar e não pode continuar o trekking. Teve que ficar em Namche enquanto os amigos continuaram viagem. Conheci 4 rapazes de Singapura, jovens e em forma, enquanto esperávamos o voo para Lukla. Na última vila antes do Everest, 3 deles ficaram doentes. Ficamos sabendo que na verdade eles já tinham sintomas de AS, mas que optaram por não contar ao guia achando que aguentariam - eles não queriam perder a viagem. Quando não deu mais para esconder, eles já estavam muito doentes e já era noite - o helicóptero não vem à noite. Foram deitados no chão do alojamento (o mais embaixo possível naquela altitude) e teriam que esperar amanhecer para o resgate chegar. Mesmo em repouso, eles não conseguiam respirar. Um deles morreu e foi ressuscitado pelo guia e funcionários do hotel. Aguentou até o amanhecer e foi levado de volta a KTM de helicóptero. Imagina só, para não perder a viagem, as pessoas ignoram os sinais do próprio corpo e morrem! Gente, como assim?!
Dizem que quem geralmente fica doente são as pessoas mais jovens e saudáveis, já que elas tendem a não respeitar os seus limites. Isso é real. No primeiro grande dia de trekking - 6hrs montanha acima - um grupo de universitários ingleses de 20 anos ultrapassou nosso grupo, com toda aquela pompa de "somos fortes, vocês são lerdos, beijos". Eles mesmos deixaram um grupo de 6 meninas gordinhas e mais lentas para trás. Dias depois, a história se inverteu: as meninas tomaram a frente e os meninos ficaram para trás, todos doentes e sofrendo de terríveis dores de cabeça - um sintoma recorrente.
Milagrosamente eu não tive nenhum sintoma! Nem a dorzinha de cabeça chata que acomete até os guias. Talvez porque eu ande muito lentamente - como sou destrambelhada, tinha que redobrar minha atenção a cada passo -talvez porque toda a vez que meu corpo pedia para parar, eu parava. O fato é que a montanha não me atingiu onde atinge a todos. Meu problema, nos últimos 3 dias de trekking, que consistem em apenas descer montanhas para retornar, foram os joelhos. Dores terríveis ao descer os tortos degraus de pedra que variam de 10cm a 50cm de altura, e transformaram dias de caminhada que deveriam durar 3h em 5h! Mas o importante é que agora eu estou descansando! rs
Sobre guias: a não ser que você seja um trekker profissional, daqueles que já fizeram trilhas por todo o tipo de lugar, tem senso de direção, noção de primeiros socorros e está preparado para tudo, por favor, não faça isso sozinho. O fato é que se você seguir a trilha, dificilmente estará em algum lugar inóspito: sempre vai ter um grupo de trekkers, mercadores e viajantes passando.. Mas é fácil se perder. Nos hotéis, cartazes de desaparecidos estão por todos os cantos. Mas Ju, se sempre tem alguém nas trilhas, como essas pessoas desapareceram? Bem, digamos que você é muito lerdo ou muito rápido, ou que simplesmente quer fazer as coisas sozinho.. Algumas trilhas tem 2,3,4,5 bifurcações, não muito distantes entre si, com aquela carinha de "ah, tudo bem se eu pegar a trilha errada, eu posso voltar!". O problema é que depois de 5h andando na direção errada e não chegando na cidade que você achava queria chegar, ou pior, não chegando em lugar nenhum, a volta vai ser muito de tarde ou até à noite. Daí, precipícios se tornam mais perigosos, avalanches e deslizamentos ocorrem, fica frio, chove, vem terra, chuva, lama... Terror! Sem contar que, quando mais perto do Everest, pior: você não sabe, mas pode estar andando em cima de um glacier coberto por uma camada de pó e pedrinhas, parecendo um morrinho tranquilo. A qualquer momento você pode pisar em uma camada mais fina, quebrar o gelo, afundar na água gelada e nunca mais ser visto.. Fique esperto!
Bem, meu grupo começou micro mas foi aumentando aos poucos, com os amigos que conhecemos pelo caminho!
- Bunu - a guia, de uma tribo do noroeste do Nepal
- Lawrence, um inglês muy estranho
- Tika, o nosso porter - pessoa contratada para nos ajudar com a mochila. Eu sei, parece horrível contratar alguém para carregar as suas coisas durante os 13 dias, mas a situação econômica aqui é tão ruim que esse é o trabalho que mais paga bem. Quem tem um membro da família trabalhando diretamente com o turista está salvo da miséria... Me senti muito mal no começo, mas não existe outro jeito. E depois que vi sherpas carregando 120kg nas costas durante horas, montanha acima, fiquei feliz que os 10kg da nossa bagagem não era nada para o Tika. Era tão pouco, inclusive, que durante alguns dias ele carregou a bagagem de um casal de alemães que conhecemos pelo caminho, e que queriam se aventurar por ali sem guia e sem porter.
Bem, vamos começar o diário! Segue:
1o Dia - De KTM para Lukla e caminhada
- Avião para Lukla, o aeroporto mais perigoso do mundo. No pouso, a pista curta termina em um paredão onde o avião pode bater se não conseguir parar a tempo. Na decolagem, a pista curta pode não dar tempo suficiente para o avião levantar voo, causando uma queda em um precipício de 3km de profundidade. Ai!
- O avião passa tão perto das montanhas que você quase pode tocá-las. Ele voa pelos vales, zig-zageando e subindo e descendo montanhas. Terror e pânico no avião de 14 passageiros mais a tripulação: piloto, co-piloto e uma comissária.
- Na chegada em Lukla, parada para um chá de gengibre - dizem que ajuda com a altitude, assim como sopa de alho. O chá foi minha bebida oficial nos 13 dias de trekking - melhor prevenir, não?
- Primeira caminhada de 3h a 4h nos primeiros sobe-e-desce e com chuva fina. Cachoeiras, pontes de pedra e meu primeiro encontro com as pontes suspensas de metal, balançando com o vento gelado enquanto atravessávamos precipícios ou corredeiras volumosas. Primeira constatação das mil possibilidades de escorregar, pisar em falso ou simplesmente escolher a pedra errada, cair e torcer o pé.
- Hospedagem na teahouse com última chance de comer carne. O quarto, espartano, indicava que realmente um saco de dormir de -10oC é necessário! Banho de gato e preparação para o segundo dia, considerado um dos mais difíceis de todo o trekking.
2o Dia - Caminhada até Namche (localizada a 3440m)
- A caminhada é dividida em 2hrs de subida, 1h de almoço e mais 3hrs de subida.
-Exaustivo: escadas de pedra, caminhos de terra em ângulo de 45o e mais pontes suspensas com vento.
- As últimas horas são as piores: seu corpo quer parar e desistir, mas sua cabeça te obriga a continuar. Muitas vezes dá vontade de chorar, mas não se entregue! (sim, eu escrevi isso para mim mesma..rs). Você deve tentar manter o bom humor e entender que esta é uma viagem de superação física e mental.. (que louca!! hahahaha)
- Namche é uma cidade alta, em uma curva de montanha. Da janela do meu quarto, bem cedinho, posso ver o Monte Thamserku. - para qualquer vista nessa altura, você deve estar de pé as 6h. À partir das 9h, as nuvens começam a descer (ou subir) e você não consegue ver mais nada! Esse monte deu aquele gostinho de que estávamos nos aproximando dos Himalaias.
- Último banho até o início do caminho de volta - água quente sim, mas no balde. Nenhuma das cidades tem encanamento ou tratamento de água, e a maioria funciona com energia solar ou geradores.
3o Dia - Aclimatização em Namche (subida ao viewpoint, que fica a 3880m)
- Aclimatização significa subir mais alguns bons metros durante o dia e descer para dormir em uma altura mais baixa. Isso ajuda o seu corpo a tentar se adaptar à altitude. Assim, quando você subir mais ainda no dia seguinte, seu corpo não vai ficar totalmente em choque.
- Subida terrível - onde os universitários me ultrapassaram triunfantes. De 10min em 10min, parando para sentar e respirar. 2hrs de concentração, sem poder se distrair - a subida é íngreme, mas a vista é vvvaravilhosa.
- A trilha é feita de pequenas pedras, com uma largura de 50cm. Ao lado, o precipício.
- Na descida, fizemos um caminho alternativo e passamos por um monastério onde estava acontecendo uma celebração. Sentamos em meio aos sherpas, bebemos chá e ouvimos os monges cantarem.
4o Dia - Trekking para Tengboche (localizada a 3876m)
- Saída tranquila de Namche, em zig-zag pela encosta da montanha durante 3hrs.
- Almoço vegetariano (mas com ovos) e batatas! A especialidade da região: mini-batatinhas orgânicas e adocicadas.
- Depois do almoço, 2hrs de subida que pareciam 8hrs. Você puxa o ar e enche o peito, mas não se engane: não tem oxigênio suficiente nesse ar, fia! Duas paradinhas de 10min para não perder o ritmo. Talvez a aclimatização do dia anterior tenha ajudado a não sofrermos tanto nessa subida.
5o. Dia - Pheriche (localizada a 4200m)
- Saída tranquila no estilo "nepali flat" - sobe um pouquinho, desce um pouquinho.
- Um perigo na 1a hora de trekking: como ocorre nessas montanhas o dia inteiro, um deslizamento levou embora parte da trilha. Tivemos então que escalar - eu disse, ESCALAR - pedras gigantes à beira do precipício. Falei muitos palavrões nessa hora. Vocês conseguem me imaginar escalando alguma coisa? Com as perninhas abertas com mais de 1m de distância entre uma e outra, um pezinho em cada pedra, uma mão em uma fresta e a outra procurando uma pedra que não estivesse solta? Não? Nem eu! Mas eu fiz!!
- Depois do almoço, uma sucessão de escadas com degraus megalomaníacos (porque, deuses, se os nepali são tão pequenos??) até chegarmos ao vale.
- Primeiros yaks avistados, vento e a chuvinha tradicional no meio da tarde.
- A cidade é micro, no meio do vale, mas com a paisagem mais linda - pra mim - de todo o trekking!
- À noite, chocolate quente, chá de gengibre e Dumblo, um jogo de cartas do Nepal. Aqui, ficamos mais próximos de um casal - Laura e Paul, e seguimos viagem nos juntando a eles e ao seu guia, Bishnu.
- Um momento de desenvolver técnicas manuais: jantamos o tradicional dhal bhaat (arroz, curry de vegetais, lentilhas, papad -tinho uma massinha frita- e picles apimentados) do modo mais tradicional - com a mão! E tem que ser a mão direita, chupando a comida e fazendo barulho! Só cuidado para não engasgar!
6o. Dia - Acllimatização em Pheriche (subir 200m a mais, no morro atrás do hotel)
- Laura acorda mal, com dor de cabeça. Toma meio diamox, um remédio que ajuda com a altitude mas te deixa desidratado. Muito alho e gengibre. Mesmo assim, o guia a incentiva a fazer a aclimatização. Lágrimas de Laura :(
- Dia para descansar depois de subir só 200m. Muito jogos de cartas até irmos dormir derrotados pelo cansaço às 20h. - sempre vamos dormir por volta das 20h e saímos para o trekking as 8h -
7o Dia - Trekking para Lobuche (localizada a 4928m)
- 6h de caminhada sem fim
- 3h por um vale muito bonito, cheio de mini-flores do campo. 1h de almoço (batatas) e mais 3h subindo e descendo morros até chegar na cidade.
- Antes de chegar ao vale, passamos por um Memorial, que começou a ser construído desde que ocidentais e sherpas começaram a tentar chegar ao pico do Everest. Assim, todos os que falecem na subida ou na descida recebem homenagens de seus familiares com a construção de pirâmides de pedra, placas e etc.
- No memorial. pessoas de muitas nacionalidades e idades. O guia Scott Fischer, que perdeu a vida no desastre de 1996 ao retornar para ajudar clientes que estavam morrendo, tem um memorial bem grande. A ética na montanha funciona de outra forma e não podemos julgar. Mas é certo que dificilmente alguém machucado será ajudado se estiver muito perto do pico, já que as condições lá em cima são outras e muitas vezes levam a vida de quem já estava sofrendo e de quem tentou ajudar. Tenso e um lembrete de que com essa montanha não se brinca.
8o Dia - Trekking para Gorak Shep (a 5100m) seguido de trekking para o Everest Base Camp (5300m)
- O DIA MAIS DIFÍCIL DE TODOS.
- Saímos de Lobuche para Gorak Chep em uma dura caminhada de 3hrs, subindo forever.
- Chegamos mortos na cidade, parando a cada 5min para respirar.
- Como chegamos um pouco tarde, saímos atrasados para visitar o EBC e isso se tornou um pesadelo.
- Já estávamos cansados e a trilha tinha 50cm de largura, com deslizamentos de terra constantes dos dois lados. Em uma parte do percurso, passamos lado a lado dos glaciers - formação de gelo, com lagos e perigo constante de deslizamento.. ai!
- Quando finalmente chegamos ao EBC, a constatação: estava muito tarde!
- Para sair do EBC e retornar à trilha, que fica no meio do glacier, tínhamos que descer um morro de 8m de altura cercado de pedras gigantes. Quando a Laura foi descer (ela foi a 1a), ela provocou um deslizamento que desapareceu com o morro abaixo dos pés dela, fazendo com que ela precisasse se esgueirar para a esquerda em um ângulo ridiculamente íngreme até encontrar uma pedra fixa. Paul desceu em seguida e foi tudo bem. Na minha vez, quando cheguei na beira do mini precipício, naquele frio, surtei! Surtei como ainda não havia surtado nesses 5 meses de viagem! Desci o morro sentada, com o guia Bishnu me segurando pela alça da mochila! E, quando finalmente cheguei lá embaixo, chorei! Chorei de soluçar! Chorei de medo! Chorei de vergonha por estar chorando! Fui abraçada por todos, respirei fundo e engoli o choro que ainda estava lutando para sair.
- No meio do caminho de volta, a chuva fina chegou com a noite e voltamos pelo menos caminho perigoso munidos apenas por nossas lanterninhas!
- Cheguei ao hotelzinho com a moral lá embaixo, me perguntando para quê tudo isso.. Agora eu dou risada, mas na hora do desespero a coisa não estava bonita como nas fotos.. rs
9o. Dia - Escalar o Kala Phatar (5500m) para ver o nascer do sol e a melhor vista do Everest que você pode ter nessa vida.. rs
- Levantamos as 4h da manhã para escalar o monte.
- Minha guia não foi porque não estava se sentindo bem, então fui acompanhada pelo Tika. O problema é que o Tika não fala inglês, e em todo o meu sofrimento as 4h da manhã, abaixo de zero, tudo o que ele conseguia dizer, sorrindo era: "Top! Top", para me incentivar a subir mais um pouco. Agradeço o incentivo <3
- Subimos o morro na base da lanterninha durante 3hrs. Minhas luvas estavam molhadas do dia anterior, então pude observar minhas unhas ficando gradualmente azuis. Tika, sherpa forte e quentinho, tentou me ajudar massageando minhas mãos! Muito amor, gente!
- Mesmo cansada, cada paradinha para respirar era uma chance de tirar os olhos da trilha e ver o amanhecer chegando devagarinho, dissipando a neblina e revelando a monstruosidade everestiana.
- No meio do caminho, bateu aquela fome e tirei do bolso duas barras de cereais. Dei uma para o Tika e outra para mim, e quando mordemos foi aquele croc: as barrinhas tinham congelado.. rs
- Fiquei lá em cima, pensando nas coisas todas, em todos os extremos dessa minha viagem e em como coisas acontecem quando você as deixa acontecer.. Brisa é pouco, essa experiência parece mais é furacão!
- Às 10h, começamos o processo de retornar à Lukla, saindo da vila e retornando para Pheriche.
(nessa foto, eu e o Everest) <3
10o, 11o e 12o dias: retorno
- Esses dias são dos mais tranquilos! A cada 100m que você desce, seu corpo começa a ser feliz novamente! Você consegue respirar, descer bonitamente sem muito esforço!
- Mas nem tudo são flores: se não tive problemas com a atitude, JESUS, agora tenho dois souvenirs do Everest: joelhos estourados! O fato é que tanto sobe e desce zoaram meus joelhos e eu tive que comprar belos compressores para conseguir completar o trekking. Sem contar que a cada escada, e isso significa praticamente o dia todo, a guia Bunu teve que me ajudar a descer, me levando pela mão já que eu não tinha firmeza nas pernas para descer os degraus sozinha. Saravá!
Bem, gente, depois de tudo isso não consigo mesmo focar em nada. Se é sofrido? Sim! Se é prazeroso? Sim! Se desperta a contemplação e o melhor das pessoas? Sim! Se você quer matar todo mundo também Sim!
Resolvi fazer uma pequena contagem, só para manter o bom humor:
- Número de tropeções: 5.983.275
- Número de quedas: 2 (!!)
- Número de deslizamentos de terra: 4.762.397
- Número de avalanches na região do Everest: 1.561.947
- Número de vezes que perdi no jogo de cartas: 20
- Número de vezes que ganhei no jogo de cartas: 6
- Número de vezes que comi batatas de todos os tipos: 18 refeições
- Número de banhos em 13 dias (não me julguem): 5
- Número de vezes que chorei escondida: 3
- Número de vezes que chorei em público: 2
- Número de vezes que tentei encontrar o sentido da vida: 0
- Número de vezes que de fato entendi o sentido da vida: 0
- Número de trekkers que conversei pelo caminho: 24
- Número de guias que conversei: 6
- Número de yaks que vi pelo caminho: 751
- Número de ratos selvagens: 1
- Número de cachorros: 638
- Número de abelhas que me perseguiram: 127
- Número de machucados no pé: 4
E a pergunta final: valeu a pena? Bem, vocês terão que vir até aqui para descobrir!