Por que? Você ia se produzir se soubesse que eu vinha ou…Na verdade, desculpe…Era uma brincadeira estúpida. E…Hounsfield, eu não estou preocupado com reuniões ou finanças ou…Eu quis dizer que estou preocupado com você. Você é uma workaholic e decidiu se afastar do trabalho por um bom tempo, isso….É praticamente um anúncio de que as coisas não estão indo tão bem assim. Eu sei somos meio que no acaso e sei que temos nossas “provocações”, mas, eu me importo com você. I got your back, or, at least…I want to. We’re parterns.
Eu odeio isso... Você vê? Você sendo “legal” - fez aspas com os dedos. - só porque a situação não é das melhores. Isso não combina com...você, sabe...isso. - Apontou para ambos, se referindo a relação dos dois. - As coisas não estão muito mais simples e é por isso que eu devo voltar na proxima semana, porque trabalhar me relaxa, de alguma forma. E se você quer mesmo ficar tão a parte assim, aparentemente eu tenho um outro irmão, meu pai teve um caso anos atrás e...É meio esquisito, ele pode inclusive ser o responsável...Digo, vingança...Eu não sei. Agora sério... Você precisa voltar a se parecer com você, antes que isso fique esquisito.
Ei…Então, eu vim checar como você estava. Digo, eu não achei que essa coisa de se afastar da empresa duraria tanto tempo, não achei que você aguentaria, na verdade. Mas…Bem, eu fiquei preocupado.
Então...Você podia ter me avisado antes que vinha. Está tudo bem. Eu só estou resolvendo umas pendências, como expliquei por email. Quanto a empresa, você não precisa se preocupar, eu devo estar de volta na próxima semana.
Balançou a cabeça com a resposta, mostrava entendimento e não ia forçar só que de qualquer forma sentia necessidade em oferecer conforto pra loira. “O que for melhor pra você, mas a proposta fica em pé, as vezes ficar sozinho só faz a gente entrar num espiral de autopiedade e… Enfim, só piora tudo.” Num gesto impensado, afastou uma mecha loira do cabelo da mulher do pescoço dela e sorriu sem mostrar os dentes. “Olha, eu sei que não é muito a sua praia, mas você devia tentar a minha confort food. Não é a solução dos problemas, mas eu garanto que ruim não vai ser.”
- Bem, na verdade, agora eu te odeio um pouco por estar sendo tão ótimo e compreensivo comigo. Mas, só para constar, Eu estou estupendamente agradecida por isso. Acho...Você sabe, eu estou meio que e devendo uma. - Uriel soltou um suspiro longo e acabou dando um sorriso minimo ao homem, uma que praticamente representava alivio. - Não que eu goste de admitir mas, a minha praia não parece estar funcionando tão bem ultimamente, então...Podemos tentar a sua.
Era estranho ver a loira daquela forma, nunca em um milhão de anos, seus sonhos chegariam ao desdobramento que a loira em seu colo chocaria. A confiança que ela passava nunca lhe deu margem pra imagina-la de tal forma, mas ao invés de o afastar o fez querer a trazer pra mais perto até que ela se sentisse bem. No entanto, quando ela levantou o rosto se conteve. “Yep totalmente, mas não pelo que você acha que arruinou. Eu nunca tentaria nada com você num momento tão difícil pra sua família, além do mais, eu não acho que prazer rápido seja a melhor solução de distração agora. Não quero ficar com você enquanto você tá triste e nem acho que você deva querer ficar comigo enquanto tá se sentindo mal.” Não quis concluir sua frase reforçando seu interesse nela e que se ficassem nessas condições seria só carnal. “Eu acho que você devia se permitir sentir seu luto, não afastar ele sabe? Se quiser que minha casa sirva pra isso, posso guardar segredo.”
“Eu quero”. Uriel pensou rapidamente mas, não teve coragem de falar. Até porque, a frase tinha para ela mais de um sentido. Queria a companhia de Twyin, por mais estranho que fosse para ela, querer a companhia de alguém naquele momento de fragilidade. Talvez a explicação estivesse no fato de ele tê-la deixado confortável e na ideia de que talvez ele não a julgaria depois por aquilo. - Eu não...Obrigada. Digo...Você é, está sendo...ótimo. Eu não estou muito acostumada com isso...Digo, comigo assim e companhia então...Eu não sei. Mas, obrigada.
Num susto, caiu de bunda no sofá até meio catatônico com a atitude da loira. Tinha sido fiel aos amigos, mas Uriel não era fácil e ele não negava a atração e o interesse que sentia por ela, a única coisa que o prendia era saber que podia chatear os amigos. Contudo, surpreendeu-se com o abraço e ao ter ela encostada em seu peito abraçou-a pela cintura a mantendo em seu colo. A frase seguinte o fez suspirar, agora entendia e demorou uns segundos pensando no que poderia fazer. “Acho que ninguém tá preparado pra viver num mundo sem quem a gente gosta, mas muita gente não tá preparado pra muita coisa e no fim as coisas vão se acertando.”
Uriel odiava estar naquela posição. Como única mulher e caçula entre seus irmãos, demonstrar vulnerabilidade era uma das coisas que ela mais detestava fazer. Naquela momento no entanto, ela tentava se perdoar pela situação. Talvez fosse mais do que justo, com ela. Com Twyin...Provavelmente longe de justo. Ergueu o tronco, o suficiente para fitá-lo. O rosto vermelho de quem está prestes a derrubar uma lágrima; a lágrima que dificilmente ela deixaria escapar, caso contrario, tinha dúvidas se conseguiria parar. - Eu sinto muito. Foi uma péssima ideia. Eu, na realidade, achei que poderíamos nos distrair. Mas...Talvez, tudo que eu tenha feito seja me distrair.
Cobriu os olhos com as mãos e soltou uma risada nervosa em seguida, como se tentasse apenas superar a cena prévia. - Isso totalmente arruína a possibilidade de sexo, hm? Oh God... Twyin, seems like the destiny keeps saving you from me.
“Talvez um pouco dos dois e outras coisas, eu não sou nem um pouco difícil também.” Coçou a nuca ao dar espaço pra loira e depois fechar a porta atrás dos dois. “Não está mais aqui quem perguntou, mas de qualquer forma eu sirvo pra escutar quando precisam, estou a disposição.” Não era dos melhores conselheiros, mas escutar bem ao menos fazia. Tirou umas embalagens do que comera mais cedo de cima do sofá e mesa de centro pra que a mulher tivesse espaço pra sentar e se acomodar. “Você quer mesmo que seus irmãos me matem né?”
Uriel não pretendia perder tempo com conversas. Na verdade, tudo que ela havia feito nos últimos tempos era evitar o máximo de conversa possível. Tinha a sensação de que, se em algum momento começasse a falar cairia num choro e não pararia mais. Dessa forma, assim que o homem liberou espaço no sofá, o empurrou, colocando a garrafa de vinho na mesa do centro e passando as pernas ao redor do corpo dele, sentando sobre o mesmo. A Hounsfield levou as mãos até a nuca do homem, pronta para o próximo passo, todavia, travou. O quase beijo urgente deu lugar a um juntar de corpos em um abraço, enlaçando seus braços ao redor do pescoço do homem, apoiando, sem seguida a cabeça. - Eu não...Eu não estou conversando mas...Eu não sei se eu estou preparada para viver em um mundo onde meu pai não existe.
“Eu confirmaria e diria que isso é difícil pra mim considerando seus irmãos, mas é tão mais difícil dizer não olhando pra você.” O moreno fez uma careta, no fim não estava bem falando sério. Deu espaço pra que Uriel entrasse. Não se importou em se arrumar ao abrir a porta mesmo que sempre quisesse a impressionar, no fim sua calça de moletom não era assim tão mal. “Inseguranças huh? Quer falar sobre isso?”
- Porque eu estou usando minha puppy face ou porque eu sou muito charmosa para você me recusar? Digo...Só colhendo informações para possiveis necessidades futuras...Nunca se sabe. - Disse, dando de ombros e entrando na casa do outro. - Não...Eu definitivamente não quero falar sobre isso. Digo, seria até estranho ficarmos papeando sobre...Bem, tudo isso. Você não acha? E...Como eu disse, segundas intenções são o foco.
- Ei...Eu sei que provavelmente é a última coisa que eu deveria estar fazendo...Especialmente porque você já deve estar aguentando toda a porcaria que tem passado pela cabeça do Gabe. Mas...Anyway...Eu passei aqui com essa garrafa de vinho e segundas intenções, porque verdade seja dita, não aguento mais ficar sozinha, ou no caso, com mil seguranças, trancada em casa.
Imagino que não sou a pessoa com quem você esperava encontrar. O Gabreel foi dar uma volta com um de nossos primos. Mostrar a cidade ou algo assim, se quiser esperar, não acho que ele vai demorar muito.
The Masterpiece Is Broken - Part I [Or: The decided one always can be lost]
Pressentimento: Ato de sentir antecipadamente, mais pela emoção do que pela razão, a ocorrência de um fato futuro; suspeita, desconfiança.
Não importava quantos metros quadrados haviam no salão de festas da mansão dos Hounsfield, Uriel se estava sufocando em meio a um pressentimento ruim. Não conseguia explicar como ou porquê a sensação havia começado, havia tentado, como boa racionalista que era, se afastar daquela perturbação. No entanto, mesmo os diversos drinks proporcionados por um requintado barman, fracassavam em distrair a caçula dos Hounsfield.
Se afastar um pouco de tudo aquilo lhe pareceu uma boa opção, e foi por isso que a mesma decidiu ir até o segundo andar da casa, buscando a tranquilidade que só a varanda do escritório de seu pai costumava lhe proporcionar. Lembrava-se de todas as noites de incerteza, quando ela ainda estava na adolescência, em que ela e Griffin sentavam em poltronas confortáveis e jogavam xadrez até que nada fosse confuso ou perturbador.
A publicitária subiu as escadas, cumprimentando os convidados, torcendo para ninguém iniciar uma conversa, afinal, antes do jantar, queria por aliviar sua cabeça, ou tentar entender o que havia com ela. Teria a discussão com Parker lhe causado tamanho desconforto? Não! Era besteira. Era algo pequeno demais, afinal...Era só uma birra. Já haviam tido conflitos piores e ela não lembrava de se sentir desconfortável daquela maneira.
Porta entreaberta, ambiente estranho, dois segundos antes de seu coração quase parar, Uriel abriu a porta dando de cara com a cena que ninguém esperava ver: O longilíneo corpo de Griffin Hounsfield estirado no chão, coberto de sangue. O grito que saiu da garganta de Uriel ecoou pelo ambiente e foi seguido de passos da moça até o corpo de seu pai, tateando sua mão, afim de encontrar pulso. Mexia no corpo desesperada, em busca de qualquer sinal indicativo de que seu pai ainda estava vivo. Estava tão distraída com a busca que se lhe perguntassem o intervalo de tempo em que os paramédicos chegaram e Mikael a afastou do corpo com a ajuda de Gabreel, Uriel não saberia responder.
Pressentimento é uma coisa poderosa. Por mais que tentemos ignorá-lo, a vida parece vir, jogar na nossa que cara que devemos desconfiar de tudo sempre e confiar nos nossos instintos.
As cenas seguintes passaram apenas como flashes pela vista da Hounsfield. Ninguém entendeu o que estava acontecendo até ver o corpo pálido de Griffin Hounsfield ser carregado escadaria abaixo pelos quatro paramédicos que carregavam a maca. Enquanto atrás, Uriel Hounsfield, era acompanhada por seus irmãos com a faceis de desespero, mais pálida do que costumava ser. O vestido branco que usava agora tinha a barra manchada de vermelho, assim como eram as manchas de sangue que contrastavam com sua pele. Era uma cena de estranheza total. Certamente nenhuma das elegantes pessoas que haviam deixado suas casas aquela noite esperaria por aquilo. Primeiro porque Griffin era amado e idolatrado por todos os cantos dos Hamptons, ou era assim que se pensava. Segundo porque quem poderia driblar toda a segurança da imensa mansão dos Hounsfield para cometer ato de tamanha brutalidade? Além da pergunta que não queria calar: Por que?
Uriel Hounsfield não conseguia enxergar muito bem por trás de toda apreensão e desespero mas, para todos os olhares perdidos das dezenas de convidados, estava muito claro:
A imagem de perfeição que os Hounsfield passam, sustentada por tantos pilares, estava apenas começando a ruir.
Sério? Você vai me falar sobre dormir com estagiários? Você? Okay…Quer saber…Vai lá, pose para as fotos. De lingerie, sem lingerie, é a sua imagem. Faça uma sessão de fotos particular, se é o que você quer. E, por que não aproveita e dorme logo com o fotógrafo?
Essa é uma ótima pergunta, Parker... Quem sabe eu durma.
Mas, é claro que sou eu, Uriel. Eu passo todos os meus dias lá em cima, no andar administrativo pensando em artimanhas para tirar a sua roupa, porque claramente você é a única ocupação da cabeça de qualquer homem naquele escritório o dia todo. Eu nem sei porquê eu iria trabalhar se você não aparecesse lá com suas pernas treinadas no pilates.
Não foi isso que eu quis dizer. Mas, para alguém que sai com todas as estagiárias, me parece que você está muito incomodado com a ética e as intenções do fotógrafo.
O que você quer que eu interprete, Hounsfield? Que ele queria uma desculpa para te ver de lingerie? Porque eu interpretei isso. Vamos lá…Ele estava sendo um babaca pretensioso e só queria um pretexto para ver você tirar a sua saia.
Sério, Timothy Charcott Parker? Você tem certeza que esse não é você?
Primeiro: Não te ensinaram que é feio se meter na conversa dos outros? Segundo: Eu não estou fazendo drama sobre, eu estou narrando um fato. E eu espero que depois que eu me retirei, você tenha recusado esse absurdo.
Primeiro: Não te ensinaram que é feio falar dos outros? Segundo: Você se quer ouviu a ideia direito e, sequer se deu ao trabalho de interpretar.
E então, ele queria que a Uriel fosse a modelo da propaganda, porque segundo ele, queria uma mulher real, não uma super modelo e etc, mas, o ponto é…Ela é co-presidente da empresa e ele só estava sendo um babaca e arrumando uma desculpa para vê-la de lingerie. Não confio em fotógrafos, de verdade.
Credo, esse é o tipo de pessoa que trabalha com você? Ou com ela? Deus me livre, ainda bem que eu só tenho que conviver comigo e com os meus alunos, só devo colocar eles na linha as vezes mas mesmo assim… Isso é nojento.
Meu Deus do céu, Parker! - Disse mais alto, chegando por trás do homem e colocando a bolsa na mesa, antes de sentar. - Não acredito que você está fazendo drama para as pessoas sobre a sua reação exagerada da situação. Chicago, o fotográfo fez uma sugestão de que não fosse uma modelo, fosse alguém comum e ele sugeriu que eu e mais algumas mulheres da empresa a critério, fotografassemos para a campanha. O único problema na verdade, é o fato de algumas pessoas não tem noção de interpretação de texto.
Uriel Hounsfield @u-hounsfield - Tumblr Blog | Tumgag