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@ulric-karstark
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𝕮𝖔𝖒: @maidcnbear
Já havia encontrado Michail tanto na viagem de vinda quanto no banquete, mas ainda não tinha tido o prazer de encontrar Dacey Mormont naquele pandemônio de pessoas. No entanto, enquanto avançava entre a aglomeração, vislumbrou os cabelos dourados da Ursa em um canto do salão e seus passos lhe levaram em sua direção. Ulric conteve um sorriso de canto, lembrando-se da ferocidade com que a mulher incansavelmente treinava para juntar-se à Guarda. Agora, como Comandante, era seu papel recrutá-la, mas tal qual não havia sido fácil para ele entrar, não daria aquela oportunidade para qualquer um. Assim que se aproximou, meneou o queixo com um cumprimento singelo. “Lady Mormont, vejo que os cabelos tomam um tom de ouro diferente nas luzes de Dorne.” Comentou ao se juntar à ela em observar o salão no canto. “Como tem passado?”
𝕮𝖔𝖒: @windsxfwinter
Rodeado de Starks desde criança, era quase impossível que não estivesse na companhia de um deles em algum momento de seu dia. Naquele caso, à noite. Por culpa de Arthas, havia tomado mais vinho do que deveria e exibia uma feição mais risonha que a comumente cara fechada já conhecida entre os homens do Norte. No entanto, era quase incapaz de perder seus sentidos aguçados, e percebeu os passos distantes de Lyanna assim que vislumbrou com o canto do olho azul seus cabelos castanhos balançarem no salão. “Milady, precisa de algo?”
Ao mesmo tempo que o nortenho se tornava um pouco mais preocupado que o de costume, com o passar do tempo naquela primeira noite de festejo, era ótimo ver diversos rostos conhecido, alguns deles depois de muito tempo, mas alguns eram recentes, como era o caso de @ulric-karstark, que parecia um tanto deslocado, ao menos ao seu ver. — A máxima do “Inverno está chegando”, não se torna verdade há muito tempo. — abria um sorriso largo, enquanto caminhava na direção do Karstark. — O frio pode não ter vindo junto, mas a matilha inteira do norte está por aqui. Ouvi falar que tiveram alguns problemas no caminho. — abria um dos braços, buscando um meio abraço com o Senhor Comandante da Guarda Nortenha, já que na outra mão, carregava duas taças repletas de vinho consigo. — E eu acreditava que apenas os Dothraki tinham problema com o mar, Ulric. — apertou brevemente o braço em torno do homem. — Que os Primeiros Homens estejam contigo, meu amigo. Bom te ver.
Sua cara fechada permaneceu mesmo vendo o mais velho dos Stark caminhando em sua direção, mas lá no fundo o coração estava quentinho de rever seus amigos finalmente. Ulric ergueu o queixo, os braços cruzados. “E você como sempre abandonando a matilha para curtir a farra em meio aos leões, me decepciona saber que pintou seus pelos de dourado, Stark.” Desdenhou com um riso de canto mas logo abrindo os braços para um abraço apertado em Arthas. “Boatos que enjoei e quem pagou o pato foi o Jovem Urso Branco. Você sabe... navegações nunca foi meu forte!” Comentou com um dar de ombros mesmo sabendo que não era exatamente verdade. “Graças aos Deuses nosso querido Drogon não apareceu para queimar todos vivos, vejo que igualmente para vocês. Como foi a viagem, meu amigo?” Ulric apontou para uma das taças. “Espero que tenha trazido para mim pois de fato estou precisado de um descanso e boa conversa!”
ㅤㅤ ( flashback )
ㅤㅤ ── ❛𝐂𝐀𝐕𝐀𝐋𝐄𝐈𝐑𝐎 𝐕𝐄𝐑𝐃𝐄 ༄:
ㅤㅤA risada do Reed ecoou pelo local com os primeiros dizeres de Ulric. ── Que os Outros te carreguem, todos sabemos que você tem cara de toupeira. Talvez devesse morar debaixo da terra. ── Comentou dando um tapinha em seu ombro sem qualquer força. Escutou seus dizeres e apenas deixou o som da língua estralando no céu da boca. ── Quando você vai entender que eu sou quase um jacaré? Esse é o ponto bom de ser um cranogmano. Porém escutei que quase perdeu seu traseiro para um urso, não que alguém queira essa carne podre. ── Rickard não era um rapaz altamente amigável, no entanto quando se tornava amigo de alguém parecia se tornar outra pessoa. Assim como estava sendo com o Lorde Karstark.
ㅤㅤ ── Eis um milagre dos deuses alguém sentir minha falta, mas não me recordo da última vez que vocês foram até Atalaia da Água Cinzenta me visitar, Ulric. Você e Lyanna passam tanto tempo enfiados no mato que se esquecem dos amigos. ── Muitos acreditavam que Rick tinha ciúmes do relacionamento entre Stark e Karstark, todavia havia crescido junto com eles e sabia que não existia pessoa no mundo capaz de separá-los. Ele apenas gostava de irritá-los. ── Se não tomarem cuidado, a ninhada vem logo! Aliás, onde está a lobinha? ── Questionou, por fim.
“Você sentiria muito a minha falta se eu fosse para debaixo da terra, lá só irei morar quando finalmente os Ancestrais me levarem!” Exclamou com um dar de ombros e uma expressão desdenhosa. “E qual é a vantagem de ser um jacaré? Viver na lama não me parece muito satisfatório! Ademais, gosto do meu corpo limpinho apesar de todos acharem que não gostamos de tomar banho no Norte, já você...” Insinuou com um dar de ombros antes de inferir um tapa em seu ombro em resposta. “Os ursos amariam ter meu traseiro pomposo como jantar mas não foi desta vez!”
Ulric ponderou por alguns segundos, proferindo um suspiro pesado. “É verdade, meu amigo, estou devendo uma visita. Tenho treinado os novos recrutas e não está sendo nada fácil, os homens do norte ficaram molengas depois dos Outros, estou prestes a ter um surto e enviá-los para serem caçados pelos lobos.” Bufou com a cara fechada, lembrando-se dos problemas que lhe assolavam como comandante. Ele semicerrou os olhos para Rickard assim que o assunto tomou o nome de Lyanna e logo ficou sem jeito. “Pare de tomar liberdades, Reed. Você sabe que nada virá a acontecer, principalmente ninhada! Pelos Deuses...” Comentou com riso de canto antes de virar-se para olhar para qualquer lugar que não fosse a cara de Rick. “Deve estar preparando-se em sua cabine, ouvi dizer que vamos chegar em breve. Ela tenta esconder mas sei que está animada com a viagem, eu por outro lado...” Uma careta formou-se em sua face ao lembrar-se de suas próprias preocupações, tanto com o seu reino quanto pessoais. “Não sei, posso estar exagerando, mas nunca se sabe.”
𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐
virtvous-m:
caminhava em direção à proa do navio para observar o horizonte quando foi interrompido pelo comentário do comandante da guarda nortenha. conteve o riso com a frase que escutou deixar a boca do lorde de karhold. ─ agradeço, sim, por ambos os elogios que seguem encobertos em sua ameaça, karstark… mas… ─ olhou ao redor teatralmente como se procurasse por alguém perto dali. ─ -quem iria fazer minha cara pagar o pato se o oposto fosse realidade? ─ provocou enfim, exibindo um sorrisinho no canto de seus lábios, divertido.
Ulric deu um tempo às formalidades mas logo abriu um sorriso na feição antes séria de comandante. Ele largou a amurada para tocar o ombro de Michail, fitando-o nos olhos. “Meu vômito, oras! Você não teria como recuar se eu enjoasse na sua cara bem agora.” Brincou com um menear de cabeça, a voz arrastando-se pelo sotaque nortenho, e há como era bom estar entre os seus! “Você cresceu, garoto! Está maior que eu já, o que estão comendo na Ilha dos Ursos? Certamente não é peixe!” Comentou com um dar de ombros antes de abrir os braços para um abraço ao Mestre dos Navios. “Como tem estado, você e Dacey?”
@ulric-karstark
“ Diferente dos demais, Artos passou grande parte da viagem em uma cabine. Havia muito a ser feito, muito trabalho ao qual o nortenho não poderia esperar. Negatividades de ser um rei, pensava, afinal o trabalho nunca parava. O pouco de contato que ele tinha com a situação de fora era entregue por Ulric, que ia junto a si naquela viagem. Mas, em certo momento o homem resolveu sair do cubículo ao qual estava e marchou em direção ao lorde comandante, que estava próximo à proa, com olhos atentos para qualquer que seja a ameaça. Uma vez ao lado do velho amigo, apenas passou a fitar o mar aberto, com tanta atenção quanto ao Karstark, como se também estivesse patrulhando. ─── Não esqueça de vigiar os céus. ─── Falou a ele de forma séria, todavia sorrindo discretamente, algo que talvez não fosse passar batido pelo amigo. Os boatos sobre a aparição do famoso dragão negro haviam chego aos seus ouvidos, e mesmo sabendo que houvesse a chance de ser verdade, também havia a chance de ser apenas delírios. Aquela prisão poderia levar qualquer um a loucura. ─── O último rei que compareceu a um banquete, teve a cabeça de seu lobo presa ao seu corpo. ─── Comentou, desta vez visivelmente preocupado, não conseguindo evitar e levando seu olhar em direção ao seu lobo, Black. O animal por sua vez estava em um canto do navio, deitado em uma sombra. Aparentava serenidade, algo que invejava o Stark que estava com a cabeça a mil. Só esperava que terminasse o evento em vinho e não em uma guerra.”
𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐
Não se assustou ao sentir a presença do Jovem Lobo pairando ao seu lado, eram anos demais na conta para não reconhecer a maneira como os mais próximos de si caminhavam, principalmente porque era sua função principal, agora, protegê-los, estando à frente de seus inimigos e potenciais. Ulric manteve a postura e continuou fitando o horizonte ao qual agora ambos observavam, um sulco de preocupação se formando em sua testa ao ouvir a última afirmativa. “Isso não acontecerá de novo jamais enquanto eu estiver vivo.” Disse por fim, sabendo que faria o impossível se qualquer um dos Starks demonstrassem estar em qualquer forma de perigo. Lembrando-se do que Lyanna havia dito apenas um tempo atrás, Ulric virou-se para avaliar Artos. “Se dê pelo menos um pouco de trégua, não digo para confiar nos estrangeiros pois nem mesmo eu o farei, mas pelo menos aproveite para encontrar quem você sente falta e aproveitar sua estadia em sua companhia.” Sabia intuitivamente das aspirações à afeições que o rei tinha com uma das princesas Tyrell, ele mesmo havia soltado alguns comentários em um momento de deslize, e o próprio Ulric sabia como era se sentir daquele jeito, portanto, se havia algum conselho que poderia dar era aquele. “Deixe que eu lide com as preocupações.”
𝕮𝖔𝖒: @virtvous-m
𝕺𝖓𝖉𝖊: 𝕹𝖆𝖛𝖎𝖔, 𝖊𝖒 𝖉𝖎𝖗𝖊𝖈̧𝖆̃𝖔 𝖆̀ 𝕯𝖔𝖗𝖓𝖊
O balanço do navio não era algo que incomodasse a Ulric. Sentia, na verdade, falta do vento a tocar-lhe o rosto, o cheiro de mar e a gritaria de marujos. Estar novamente em alto mar era bastante apreciado, ainda mais quando este navio era, na verdade, da frota de um amigo de tanto tempo. Observava a tripulação com o cenho franzido, entendendo vez ou outra alguns dos comandos que lhe eram proferidos pelo capitão. Quando menino, imaginava-se vivendo grandes aventuras em mar aberto mas o destino lhe colocou em outro caminho. Ao ver o Mestre dos Navios se aproximando, ele lhe gritou. “Pensei que esta viagem fosse me causar mais enjoos, de certa forma, agradeça por isto, capitão! Do contrário, sua bela cara quem iria pagar o pato!”
dvrkwalk:
O olhar que Yron ofereceu ao recém-chegado não era amigável. Cinza cortante dos Stark, a sombra violenta de uma nevasca contida. Manteve todos afastados durante todo aquele momento, por isso, talvez, dispusesse de uma mesa inteira para si, sem o fantasma de uma companhia para testar a paciência dele. No entanto, aquele era Ulric Karstark que se aproximava sem medo, um velhaco que a Casa Stark conhecia há tempo suficiente para ele criar ousadias como aquela. Sua presença quase cortou a insatisfação de Yron com o momento, isso se ele não fosse orgulhoso o suficiente para admitir qualquer coisa. Houve um instante, Yron sustentou as feições por um instante longo o suficiente para fazer o outro pensar que o príncipe o mandaria aos demônios, mas aquilo passou e ele sorriu de canto, cedendo. “Quando vossa senhoria se decidir sobre a própria feiura, discutiremos sobre a ausência da minha”, zombou Yron, a voz ensonada, morosa, carregada com o sotaque que os nortenhos compartilhavam. Tomou outro gole do próprio rum, bateu o caneco contra a mesa de madeira, ajeitou a postura. “O que o traz até mim? Sua Majestade, o Rei, lhe chutou para fora da cabine real?”, continuou com o tom, como se ignorasse o motivo para aquilo. Podia ver estampado no rosto de Ulric. O sorriso matreiro disfarçava bem, mas Yron conseguia distinguir o gracejo antes da tempestade. Também conhecia o nome da tempestade. Os homens não paravam de sussurrar sobre isso, perguntando-se se seria verdade o rumor. Não havia escutado palavra alguma do irmão, o que apenas o deixava inquieto. Percebeu que Ulric devia saber mais coisas concretas do que ele. Em outra época, muitos anos atrás, isso o deixaria enciumado, mas os anos passaram e as opiniões mudaram. Agora ele esperava uma resposta sincera enquanto afastava para o lado o prato com uma comida fria que ele havia dispensado, mesmo que no fundo quisesse que se tratasse de qualquer coisa além do maldito demônio voador.
Um rosnado do fundo da garganta foi a única coisa proferida ao insulto. Não estava com raiva, no entanto, conhecia a natureza do rabugento Stark e acabava sempre por lhe agradar e distrair aquela companhia tão tenebrosa. Ulric deu de ombros, um sorriso zombeteiro no rosto enquanto terminava de petiscar o pãozinho. Não estava com fome. Virou levemente o queixo para encarar Yron com os olhos cerrados. “O senhor seu irmão jamais aguentaria alguns minutos em minha companhia na cabine, se é que me entende.” Ergueu as sobrancelhas com um ar pomposo antes de cruzar as mãos no espaço que sobrava naquela pequenina mesa com dois homens nortenhos tão largos.
Ulric pigarreou, demorando alguns segundos para formular as palavras corretas. Sabia que Yron não era tolo, muito menos covarde. Era um de seus soldados mais fortes e inteligentes. No entanto, não era só mais um soldado, era também príncipe Stark e como tal o Comandante sabia de seu outro papel em toda aquela trama. Decerto também que já deveria saber sobre os boatos, se estes não tivessem chegado aos seus ouvidos por Arthos teriam chegado pelas fofocas. Ele suspirou. “Quero lhe pedir algo.” Começou com um murmurar de lábios antes de suas feições tomarem os ares sérios que compartilhavam na Guarda. “Fique de olhos bem atentos, Passo-Escuro. Não sinto bom presságio nesta visita a Dorne.” Embora fosse quase um desabafo, Ulric tinha o sotaque arrastado em quase um comando. “Não estou dizendo para somente tomar conta dos seus irmãos como homem da Guarda, peço que lembre-se que também é, em sua natureza, Príncipe, e dessa forma igualmente visado, seja da soldado ou não.” Não era nada que Yron não soubesse e Ulric já esperava a peitada grave de suas palavras, mas como seu Senhor Comandante, ele precisava deixar seus receios evidentes. “Além do mais, já deve saber dos boatos em que que o espectro de Drogon estaria sobrevoando o Vale. Se bem sabemos, se isto for de fato consumado verdade, é muito capaz de que estejamos indo para o ninho das cobras, e que tal festejo não passa de uma distração.” Tamborilou os dedos na madeira antes de apontar com o indicador para ele e depois para si. “Mas nós, da Guarda, nunca nos distraímos.”
windsxfwinter:
~ ❝𝒘𝒊𝒏𝒕𝒆𝒓 𝒊𝒔 𝒄𝒐𝒎𝒊𝒏𝒈
ㅤㅤ ㅤㅤ Ainda de olhos fechados Lyanna podia sentir o mar balançando a embarcação de uma forma suave e ritmada, como uma mãe que embala um bebê de colo. Aqueles movimentos facilmente a teriam feito pegar no sono novamente se não fosse pelo murmurinho no convés. Era cedo, até mesmo para ela, mas uma vez que abriu os olhos não pode mais permanecer deitada. Não queria desperdiçar os minutos daquela viagem dormindo, afinal era uma oportunidade rara para a nortenha que estava ansiosa com a ideia de conhecer Dorne.
Ela estava mais do que acostumada a despertara antes mesmo dos primeiros raios solares iluminaram o horizonte. Sentia-se mais disposta quando acordava durante aquele período da passagem da madrugada para o amanhecer, e a visão é claro era sua favorita. Após se vestir e seguir para fora de seus aposento para que pudesse se juntar a tripulação, foi recebida pela brisa marítima que agitou seus cabelos castanhos assim como o vestido que usava. O sorriso então ganhou espaço no rosto pálido quando viu no horizonte as cores misturavam-se no céu, como se os deuses brincassem com os pigmentos, e o sol enfim parecia surgir ao longe para anunciar um novo dia.
De tão absorta que estava enquanto observava a paisagem, só percebeu a aproximação de Ulric quando ouviu sua voz e o sorriso que antes tinha no rosto acabou tornando-se uma risada perante a reverencia totalmente desnecessária feita por ele. O que a fez cutucá-lo com o cotovelo. — Deixe as formalidades para quando chegarmos em Dorne. — Perante os outros nobre veemências seriam de fato necessárias, agora entre eles, podia-se dizem que eram íntimos demais para aquilo. No entanto, os dizerem a seguir fizeram Lyanna assumir uma postura mais séria, imaginando que tipo de noticias Lorde Baratheon poderia ter dado. E até mesmo imitou o gesto do Karstark, olhando para os lados para se certificar que estavam de fato sozinhos no convés.
— O que ele disse? — Perguntou curiosa e um pouco apreensiva também, o tom de voz baixo o suficiente para que só o homem pudesse lhe ouvir. Ela temia o pior, porém, o que recebeu em resposta estava longe de ser algo que esperava ouvir. Como uma criança nortenha tinha ouvido de sua ama as mais diversas histórias sobre criaturas míticas, como gramequins e snarks, e conhecia outras mais reais, sobre dragões que haviam voado para o norte e ajudado a por fim nos caminhantes brancos. Adorava de fato tudo aquilo, mas, ouvir no presente momento foi tão inacreditável que sua reação foi rir novamente. — Um dragão? Eu… não sei. Quem conseguiria montá-lo? — Os olhos azulados voltaram-se para o céu como se pudesse ter a oportunidade de vê-lo naquele mesmo instante, batendo suas enormes asas de morcego em cima do oceano. Havia ouvido que as criaturas viviam longas vidas, mas, seria possível que o dragão desaparecido de Daenerys Targaryen ainda estivesse por ali?
𝒘𝒊𝒕𝒉: @ulric-karstark 𝒘𝒉𝒆𝒓𝒆: a caminho de Dorne
Meneou a cabeça em concordância, os lábios franzindo-se em um sorriso contido. Era gratificante saber que, apesar de tudo, ainda compartilhavam a intimidade para saber quais eram os momentos certos para cada ação. Estava prestes a contar-lhe tudo o que havia na missiva até perceber, com o canto dos olhos, a proeminência de uma risada que ele conhecia bem. O deboche implícito das feições de Lyanna quanto esta não acreditava muito no que estava diante de seus olhos.
“Faz de minhas palavras piada, Vossa Alteza?” Perguntou ao virar-se para fitá-la nos olhos, o rosto tomado por uma seriedade teatral. Ulric recostou-se de lado na amurada, apoiando-se em um cotovelo. Os olhos de diferentes cores vagaram agora um pouco mais sombrios pelos céus, observando as cores que se mesclavam com os primeiros raios de sol da manhã.
“Ele diz que na campina não há lorde ou camponês que não tenha se apavorado com o relato. Parece-me que ele custa a acreditar na veracidade da notícia, no entanto, me parece que O Tempestuoso tem estado perturbado com a possibilidade. É mão da Rainha agora, não há como não se perturbar visto que precisa sempre aconselha-la ao melhor.” Voltou-se para olhar a silhueta de perfil da Stark que tanto conhecia e que havia visto mudar durante os anos. Seu coração temia por aquela viagem, pelos Starks que considerava como irmãos para si, até mesmo rabugento Yron, mas ainda mais por ela. Era tolo também pois, em meio a uma ameaça tão grandiosa como a de um dragão sobrevoando o continente, Ulric temia igualmente o que poderia vir de festividades como aquelas em Dorne.
Afastando os pensamentos, ele virou-se de frente novamente, as mãos balançando em gestos. “Alguém com sangue de dragão, suponho. Valirianos... embora os Targaryen tenham se findado com a morte de Daenerys, creio que não seja tão difícil pensar que um dragão pudesse simpatizar com outro mestre, principalmente se este tivesse a mesma intenção de continuar o que sua Mãe não conseguir finalizar.” Olhando de fora, toda aquela ideia poderia parecer, de fato, mirabolante. Mas Ulric era um soldade, um soldado nortenho, não havia nada tão incrivelmente fantasioso que o Norte não pudesse enfrentar. Crescera escutando histórias, histórias estas que seus ancestrais julgaram incoerentes até que eles próprios estivessem cara a cara para enfrentar. Ele não cometeria os mesmos erros.
“Lyanna...” Começou com um franzir de cenho, uma das mãos deslizando pela madeira da amurada em busca dos dedos finos dela. “Temo por este evento, pelos Stark... não sinto um bom presságio.” Era verdade. Talvez fosse aquele senso de deveres ou realmente destino, Ulric não se sentia completamente confortável em terras estrangeiras. Não se sentia confortável em deixar o Norte com tão poucos lobos. “Mesmo que seja brava como a loba que és, peço que não fique sozinha na companhia da Corte. São ardilosos, como bem sabe, e não há rosa viva que não possua espinhos. Há boatos de que Selyse aparenta ser tão louca como foi Daenerys, os olhares... eles nunca mentem.” Comentou com um risinho seco, sabendo ele próprio o significado daquela frase. “Não é Dorne que me preocupa. Ainda há os Lannisters... leões nunca estão saciados com o que tem, sempre querem mais, ainda mais depois de perderem tudo.”
MISSIVA A UM LOBO DE DOIS OLHOS @ulric-karstark ,
Chegou aos meus ouvidos um rumor que vem a assombrar meus pesadelos. Veja bem, escrevo a você com minhas próprias mãos — das duas uma: ou considera-se de extrema valor a um mero Lorde Baratheon, ou considera-se rumor de tamanha preocupação a ser pensada. De qualquer forma, brincadeiras à parte, trago nessa carta o conteúdo dos rumores que correram as campinas até minha Ponta Tempestade para que assim o Lorde de Karhold e Senhor Comandante da Guarda Nortenha se atenha às minhas preocupações ou as torne meras piadas da idade de meu nome.
Após cinquenta anos da morte da última Targaryen, outra vez um dragão foi visto rasgando o céu acima das Celas do Céu. Ao menos, isto é o que me trouxeram. Dizem ter sido vistos pelos prisioneiros de tal cativeiro, o que já possivelmente é o suficiente para tornar tal história incrédulo. Contudo, o que mais me prende são as palavras que trouxeram a mim. “É sem dúvidas o fantasma do dragão perdido de Daenerys Targaryen.” Se me recordo bem, Drogon era o nome da criatura. Além disso, por que um mero fantasma? Dragões são criaturas capazes de viver mais que o dobro da vida de um homem comum. Há de ser o próprio Drogon em carne e osso.
Sei que pode parecer tolo que tal ideia preocupe o coração do velho Senhor de Ponta Tempestade, Protetor das Terras da Tempestade e Mão da Rainha, mas sou um velho tempestuoso e isso não lhe é novidade. Achei decente lhe repassar as histórias para que a tome como bem entender e faça dela sua verdade ou não. Espero ter sido o primeiro a te alcançar com tal notícia tenebrosa de novos tempos. Até mesmos Sacerdotes Vermelhos têm surgido ao longo de nosso Reino. Ainda assim, se não fui o primeiro a lhe achegar com essa ideia divertida e assustadora, espero respostas para assim compararmos os rumores que nos alcançaram.
De qualquer maneira, se for para ser sincero, em ambos os casos, ou em nenhum citado, espero resposta.
Do Tempestuoso,
ㅤㅤ Lorde Lyonel,
ㅤㅤDecerto que o Senhor tenha sido o primeiro a me escrever histórias sobre tais rumores que agora sei que já começaram a correr pelo norte com relatos ainda mais devastadores. Sabes que aqui há muito a que temer desde a batalha contra Os Outros, muito embora acredita-se que estes já estejam finalmente findados. O que quero dizer é o seguinte: não há história que me surpreenda mais depois da aparição dos demônios caminhantes de gelo. Faço de suas preocupações as minhas, se é assim que se sente. Escrevo-lhe com um franzir de cenho apenas por pensar na possibilidade do Norte rever Drogon novamente, mesmo que este não tenha-nos feito mal algum.
ㅤㅤO que mais me preocupa, neste enfim desabafo, é a possibilidade de um cavaleiro montado no dragão outrora de Daenerys Targaryen. Mesmo que o estimado Bran tenha falhado em sua missão em achar o dragão pelos mares, ares e continentes em sua empreitada mágica, temo bastante que na verdade não o pudesse tê-lo feito devido as empreitadas mágicas de um outro alguém.
ㅤㅤPode parecer mirabolante ao seu ver, o que escrevo nessa missiva de volta ao Tempestuoso. Contudo, os Olhos que diferem em seus tons do Lobo temem não se enganar, seja por benção ou maldição. De toda forma, estaremos finalmente em companhia nesta viagem às Terras Dornesas e teremos a oportunidade de conversar em pessoa, o que me é bastante agradável, pois é certo que já faz muito tempo desde que ouvi seus sábios conselhos.
ㅤㅤAdemais, estarei de Olhos abertos como Lobo e como Comandante, e se tiver qualquer novidade com absoluta certeza lhe volto a escrever.
ㅤㅤMinhas sinceras estimas,
ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ Lorde Ulric de Karhold.
ㅤㅤstarter with @ulric-karstark
ㅤㅤ ── ❛𝐂𝐀𝐕𝐀𝐋𝐄𝐈𝐑𝐎 𝐕𝐄𝐑𝐃𝐄 ༄:
ㅤㅤAssim que viu a figura de Karstark de longe, Rickard precisou se aproximar. Embora, tivesse que manter a Bolton sempre as vistas, sabia que dentro do navio poucas coisas poderiam lhe acontecer, a preocupação seria em Lançassolar. Por isso, assim que chegou deu dois tapas nas costas do homem, deixando aquele sorriso travesso que pouquíssimas pessoas conheciam surgir em sua face. ── Pensei que os Outros tinham lhe pegado porque sua face está mais feia do que costuma. Tenho pena da Lyanna! ── Comentou, sabendo que Ulric estava acostumado com aquilo vindo dele e provavelmente iria revidar de algum jeito. Pouco se importava. ── Soube que o único motivo que estão lhe deixando ir junto é porque se rosto vai assustar todos os dorneses. Nem lá devem ter visto alguém tão feio! ── Proferiu.
Conhecia os passos sorrateiros do Reed à milhas de distância, faceta esta que havia aprendido a partir do próprio Rickard desde que eram crianças. Talvez, apenas talvez, tivesse aprendido a ser mais silencioso com ele, mas jamais diria aquele pensamento em voz alta. Um sorriso ladino tomou conta das feições antes sérias e Ulric vagou o olhar à frente antes de virar-se de lado para encarar Rick. “Seu rosto de duende jamais chegaria aos pés das minhas belas feições.” Disse com um cruzar de braços, o queixo abaixando-se e erguendo-se para olhar Rickard dos pés à cabeça. “Vejo que ainda não esta cotó! Pensei que os jacarés finalmente tinham feito seu trabalho.” Brincou com o ar mais sério que conseguia antes de abrir-se em uma gargalhada baixa. Abriu os braços para um abraço. “Só assim lhe vejo, homem! Faz tempo desde que esteve no Norte... Lyanna finge que não mas sentiu sua falta, só não conte a ela que te contei.”
𝕮𝖔𝖒: @dvrkwalk
𝕺𝖓𝖉𝖊: Segundo convés inferior, na viagem em direção à Dorne
Já era noite quando Ulric encontrou os tripulantes do Tempestuosa no segundo convés inferior para o descanso. Caminhando entre o amontoado de gente que seguia à Dorne, ele encontrou os poucos soltados da guarda Nortenha amontoados já em festa tomando suas respectivas canecas de rum. Particularmente, o mais velho Karstark não buscava por uma distração, pelo contrário, só conseguia ficar relaxado - e olhe-se lá - quando estava rodeado pela neve alva do Norte. Ali, em meio à tantas possibilidades de ameaças, Ulric não conseguia sequer descansar.
Encontrou o príncipe Yron mais afastado em uma das mesas e os passos o guiaram até seu companheiro de Guarda. “Por certo que Vossa Graça deva estar desfrutando de sua caneca de rum.” Comentou com um olhar semicerrado para o outro, puxando um banco a sua frente e servindo-se de umas migalhas de pão molhado à banha de porco. A luz das velas deixavam seu rosto mais sombrio a medida que Ulric trazia um risinho travesso aos lábios. “Esta cara feia em suas feições é fome?” Perguntou apontando com o queixo para o companheiro, tirando aquela gracinha apenas para amenizar o que viria mais a frente, quando finalmente demonstrasse suas reais preocupações naquela conversa.
𝕮𝖔𝖒: @windsxfwinter
𝕰𝖒: 𝖛𝖎𝖆𝖌𝖊𝖒 𝖆̀ 𝕯𝖔𝖗𝖓𝖊
Era manhã cedo demais, o sol estaria começando a nascer nos horizontes do Mar Estreito, mas Ulric já havia se acostumado a se acordar aquela hora. Se bem conhecia os Starks, Artos estaria aproveitando os últimos minutos de madrugada para finalmente ter de lidar com as responsabilidades, mas Lyanna certamente já estaria de pé, observando na amurada do deck.
Subiu as escadas e finalmente ultrapassou os poucos metros que separavam ele da sua amiga de infância. Era quase estranho vê-la com vestes diferentes daquelas usadas no norte, não que desaprovasse. Sabia que deixariam de lado as peles pesadas e as trocariam por roupas mais finas, visto que morreriam de calor no sol escaldante de Dorne. Ele pigarreou levemente, apenas para mostrá-la sua presença, e se pôs ao lado de Lyanna, o olhar à observar o céu tomado por listras violetas mesclando-se no azul. “Vossa Graça.” Reverenciou com um menear de cabeça, demonstrando o máximo de respeito que conseguia com um sorriso ladino que indicava a graça como soava aquela formalidade quando estavam a sós.
“Recebi uma missiva do Lorde Baratheon esta noite.” Começou enquanto olhava para ambos os lados com um olhar cuidadoso. Não queria alarmar ninguém àquela altura, enquanto os rumores eram apenas... rumores. “Parece que viram uma criatura... um dragão, pelas bandas do Vale.” Completou com um ar mais sério, escorando os cotovelos na amurada, o pescoço tombando de lado para fitá-la.
Certamente os Starks já deveriam saber de fofocas como aquela, Artos deve ter recebido um corvo com relatos, mas Ulric tinha de saber o que Lyanna achava sobre aquilo. Fosse pela sua opinião importar, fosse porque era um assunto que poderia puxar entre eles, não era como se importasse muito. Estava sempre em busca de motivos para se dirigir a ela pois, com o crescimento, novas responsabilidades foram chegando e a intimidade que antes tinham quando jovens fora se esvaindo com o peso de seu sobrenome. “Acha que podem ser apenas rumores de um detento louco ou pensa que há a possibilidade de veracidade?” Perguntou vagamente, lembrando-se de que Daenerys e seus dragões outrora visitaram o Norte. Seus antepassados mais do que ninguém tiveram contato direto com aquelas criaturas, era difícil para Ulric deixar aquele fato de lado. “Me pergunto o que ele faria no continente, sozinho, depois de tanto tempo... o que me leva a pensar se não há um cavaleiro com ele.”
uhtred channeling his inner geralt of rivia.
House Karstark in 8.01