Deve ser uma delícia sentir tão menos e querer tão menos e precisar de tão menos. Passei um tempo muito maior do que eu achei que seria capaz socando todas as vontades e interesses pra caber, e consegui!, mas sempre na esperança de desinchar o bastante a ponto de nunca mais querer mais espaço.
Não deu certo. Agora parece uma avalanche querendo irromper o peito e sair desenfreada machucando todo mundo que eu tentei tanto preservar. Será que não é pra mim? Será que eu nunca vou dar conta da rotina pães e orquídeas?
Leio textos aqui de 15 anos atrás e sinto tanta falta daquela menina. Sinto também tanto alívio por saber que aquele sofrimento todo não tinha razão. Será que eu vou ler isso daqui 15 anos e perceber que não era pra tanto? Que era só socar mais um pouco, diminuir mais um pouco, reduzir expectativas, reduzir as vontades, reduzir a confiança de que podia ser diferente. De que seria melhor sendo diferente.




















