UMBRAIS
Será que estão matando os poetas... ou nós simplesmente paramos de escutá-los?
Eu faço essa pergunta...
Porque às vezes tenho a impressão
de que não enterram nossos corpos...
Enterram nossas palavras.
É estranho viver num tempo
em que tudo precisa ser rápido,
barulhento,
descartável.
Onde o escândalo vale mais que o sentimento.
Onde um grito vazio
recebe milhões de aplausos...
Enquanto um verso escrito com a alma
morre sozinho na tela de um celular.
E isso...
Isso machuca.
EU VEJO POETAS DESISTINDO.
Vejo cadernos fechando.
Vejo sonhos sendo vendidos por necessidade.
Vejo gente trocando a própria voz
pela aprovação de um algoritmo.
Não porque deixaram de amar a poesia...
Mas porque a poesia quase nunca paga o pão.
Quase nunca paga o aluguel.
Quase nunca paga o silêncio de quem escreve
enquanto o resto do mundo apenas passa o dedo na tela.
Hoje...
Poucos param para ouvir Camões.
Poucos conhecem Vinícius.
Drummond parece distante.
Fernando Pessoa virou nome de prova escolar.
E tantos outros...
Ficaram esquecidos nas prateleiras da pressa.
A gente aprendeu a descer até o chão...
Mas desaprendeu a levantar os olhos para os umbrais.
CANSA.
CANSA VER A ARTE PEDINDO SOCORRO.
CANSA VER O POETA SENDO TRATADO COMO EXAGERO...
ENQUANTO A SUPERFICIALIDADE VIRA REGRA.
Mesmo assim...
Eu continuo escrevendo.
Porque poesia nunca foi moda.
Poesia sempre foi resistência.
Cada verso que nasce
é uma pequena revolução contra o silêncio.
Cada palavra escrita com verdade
é um poeta que se recusa a morrer.
E enquanto houver alguém disposto
a sentir antes de consumir...
A poesia continuará respirando.
Mesmo ferida.
Mesmo esquecida.
Mesmo sozinha.
POETAS NÃO MORREM QUANDO SE CALAM... MORREM QUANDO O MUNDO DEIXA DE SENTIR.
Poesia de Gilson Rodrigues
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