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@valeapenabradar
Ter o poder NÃO É ter a razão.
DISCUTINDO A RELAÇÃO
Vamos discutir a relação? Não, não se trata da relação entre marido e mulher, namorado e namorada, pais e filhos ou entre irmãos ou amigos. Trata-se da relação entre animais humanos e animais não humanos. Será que esta relação vem se mostrando adequada do ponto de vista moral?
Inicialmente devemos ter consciência de que, culturalmente, fomos ensinados a tratar os animais como coisas, como meros objetos. Assim, desde pequenos, aprendemos a explorar os animais, pois nos ensinaram que eles foram feitos para nos servir: a vaca nos dá o leite, o boi a carne e o couro, o bezerro a vitela, a galinha o ovo, o cão a vigilância e o faro, o gato (preto) as oferendas, a cochonilha a tinta, o rinoceronte o chifre (afrodisíaco), o pavão as plumas, o pato o foie gras, o cavalo a montaria, o coelho a sorte (com seu pé), o carneiro o carré, o elefante o marfim, a ovelha a lã, o touro os rodeios e touradas, a abelha o mel, o ganso os travesseiros, o camarão a sequência, o Bombyx Mori (bicho-da-seda) a vestimenta, o porco a feijoada, os peixes os fins de semana “no stress” (Tá nervoso? Vai pescá!), os ursos e as orcas os espetáculos, as cobras e jacarés as bolsas e sapatos, o jumento puxa a carroça, as focas, as chinchilas e as raposas nos dão as peles (para maravilhosos casacos), os ratos e os macacos nos permitem os testes em laboratórios, os bisões e leões os safáris (...) e assim, de diferentes formas e com diferentes espécies de animais, prossegue toda a cadeia exploratória. Mas será que tem que ser assim? Quem nos deu este direito? Será esta a única forma de nos relacionarmos com os animais? Seria possível estabelecer uma relação com respeito e igualdade? A ciência exaustivamente já comprovou que animais são seres sencientes, ou seja, possuem capacidade de percepção das mais diferentes sensações (positivas e negativas): dor, sofrimento, fome, medo, frio, calor, alegria, estresse, amor, tristeza ansiedade etc. Portanto, assim como nós, eles possuem vontades e interesses próprios, sobretudo de preservação da vida, liberdade e integridades física e psicológica. Lógico que nenhum ser humano normal acha correto infligir dor e sofrimento a um animal se isto não for realmente necessário. Ocorre que, se refletirmos de forma imparcial, iremos concluir que nenhuma das explorações citadas são realmente necessárias. Podem até ser cômodas, práticas, econômicas, “divertidas” e até saborosas. Todavia, necessárias, isto realmente elas não são. A ideia de que necessitamos de alimentos de origem animal para a nossa sobrevivência já foi há tempos superada pelas ciências da medicina e da nutrição. A ideia de que usar animais é algo cultural também não procede. Cultura é algo mutável. Racismo, machismo e sexismo são aspectos culturais antes aceitos e agora condenados. Por que o especismo (discriminação entre espécies, onde a espécie humana se coloca como superior perante as outras espécies de animais) tem que ser o aspecto cultural prevalente na relação entre animais humanos e animais não humanos? Analisar algo sob diferentes aspectos nos gera conhecimento. O conhecimento nos traz responsabilidade. E a responsabilidade nos obriga a tomar decisões. Podemos decidir continuar coniventes com a exploração animal (fazendo parte dela) ou podemos decidir tratar os animais com respeito e igualdade, se realmente concluirmos que eles possuem algum valor moral. E você, que tipo de relação quer manter com os animais? Qual relação o deixará com a consciência tranquila? Qual tipo de relação lhe trará a paz? Lembre-se: “Para os animais, não importa o que você pensa ou sente. Para os animais, importa apenas o que você faz” (Nina Rosa). Autor: Mauro Cerri Neto (Sentido Animal)
“A libertação animal também é uma libertação humana” – Peter Singer
ONU recomenda mudança global para dieta sem carne e sem laticínios
Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, da escassez de combustíveis e dos piores impactos das mudanças climáticas, afirmou hoje um relatório da ONU. Na medida em que a população mundial avança para o número previzível de 9,1 bilhões de pessoas em 2050 e o apeite por carne e laticínios ocidental é insustentável, diz o relatório do painel internacional de gerenciamento de recursos sustentáveis do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP). Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam sustancialmente devido ao crescimento da população e do consumo de produtos de origem animal. Ao contrário dos que ocorre com os combustíveis fósseis, é difícil procurar por alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial nos impactos somente seria possível com uma mudança substancial na alimentação, eliminando produtos de origem animal”. O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos de origem animal causam mais danos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis”. A recomendação segue o conselho de Lorde Nicholas Stern, ex-conselheiro do governo trabalhista inglês sobre a economia das mudanças climáticas. O Dr. Rajendra Pachauri, diretor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), também fez um apelo para que as pessoas observem um dia sem carne por semana para reduzir emissões de carbono. O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o desenvolvimento econômico, eles disseram. Ernst von Weizsaecker, um dos cientistas especializados em meio ambiente que coordenaram o painel, disse: “A crescente riqueza econômica está levando a um maior consumo de carne e laticínios – os rebanhos agora consomem boa parte das colheitas do mundo e, por inferência, uma grande quantidade de água doce, fertilizantes e pesticidas”. Tanto a energia quanto a agricultura precisam ser "dissociadas" do crescimento econômico porque os impactos ambientaris aumentam grosso modo 80% quando a renda dobra, afirma o relatório. Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo da UNEP,afirmou: “Separar o crescimento dos danos ambientais é o desafio número um de todos os governos de um mundo em que o número de pessoas cresce exponencialmente, aumentando a demanda consumista e persistindo o desafio de aliviar a miséria e a pobreza". O painel, que fez uso de diversos estudos incluindo o Millennium Ecosystem Assessment (avaliação do ecosistema no milênio), cita os seguintes itens de pressão ambiental como prioridade para os governos do mundo: mudanças climáticas, mudanças de habitats, uso com desperdício de nitrogênio e fósforo em fertilizantes, exploração excessiva dos oceanos e rios por meio da pesca, exploração de florestas e outros recursos, espécies invasoras, fontes não seguras de água potável e falta de saneamento básico, exposição ao chumbo, poluição do ar urbano e contaminação por outros metais pesados. A agricultura, particularmente a carne e os laticínios, é responsável pelo consumo de 70% de água fresca do planeta, 38% do uso da terra e 19% da emissão de gases de efeito estufa, diz o relatório, que foi liberado para coincidir com o dia Mundial do Meio Ambiente no sábado. Ano passado, a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU (FAO) disse que a produção de alimentos teria de aumentar em 70% para suprir as demandas em 2050. O painel afirmou que os avanços na agricultura serão ultrapassados pelo crescimento populacional. O professor Hertwich, que é também diretor de um programa de ecologia industrial na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, disse que os países em desenvolvimento, onde se dará grande parte do crescimento populacional, não devem seguir os padrões de consumo ocidentais: “Os países em desenvolvimento não devem seguir nossos modelos. Mas cabe a nós desenvolver tecnologias em, digamos, energia renovável e métodos de irrigação.” FONTE: The Guardian
Seca de São Paulo: entenda por que a carne, o leite e o queijo na sua mesa estão influenciando a falta de água na sua torneira
Já não é nenhuma novidade o fato de que o estado de São Paulo está à beira do colapso no abastecimento de água. Os reservatórios do Sistema Cantareira já estão com menos de 5% da capacidade, mesmo com o uso do primeiro lote do chamado volume morto. E diversas cidades metropolitanas e interioranas e muitos bairros da capital paulista estão enfrentando interrupções cada vez mais longas e frequentes no fornecimento de água. Você não sabia, mas essa seca tem ligação íntima com a carne que você come e o leite que você toma.
Já não é nenhuma novidade o fato de que o estado de São Paulo está à beira do colapso no abastecimento de água. Os reservatórios do Sistema Cantareira já estão com menos de 5% da capacidade, mesmo com o uso do primeiro lote do chamado volume morto. E diversas cidades metropolitanas e interioranas e muitos bairros da capital paulista estão enfrentando interrupções cada vez mais longas e frequentes no fornecimento de água. Você não sabia, mas essa seca tem ligação íntima com a carne que você come e o leite que você toma.
Diversos alertas têm sido dados nos últimos meses, por ambientalistas e geógrafos. Segundo eles, a estiagem histórica que tem impedido a renovação dos reservatórios paulistas se deve, pelo menos parcialmente, à interrupção de um fluxo de umidade atmosférica vindo da Floresta Amazônica. E essa anomalia climática, que fez o ano de 2014 não ter uma temporada de chuvas no estado, tem como culpado o desmatamento desse ecossistema, que já lhe consumiu 20% da extensão vegetacional original.
E um outro problema, também de ordem ambiental, tem diminuído a capacidade de armazenamento e renovação dos mananciais paulistas. É o desmatamento das matas ribeirinhas das bacias hidrográficas paulistas.
E adivinhe só: ambos os cataclismos têm como um dos grandes responsáveis a pecuária. O relatório TerraClass, do INPE, denuncia que pelo menos cerca de 66% do desmatamento amazônico até 2009, uma área em torno de 460 mil quilômetros quadrados – maior do que a extensão somada dos estados de Mato Grosso do Sul e Pernambuco – são creditados diretamente à criação de animais, especialmente gado bovino.
Há fontes, no entanto, apontando que a culpa da pecuária é ainda maior. O pesquisador Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, apontou em 2007 que nada menos que 80% de toda a destruição da Amazônia é responsabilidade da abertura de pastos – isso considerando só o gado bovino.
Esse número pode ser ainda maior, se considerarmos a contribuição daquelas plantações que, semeadas também em terrenos amazônicos desmatados, fornecem soja, milho, sorgo, trigo etc. para outras criações animais, como porcos, galinhas, ovinos e caprinos.
No âmbito estadual, o portal O Eco denunciou que a atividade pecuária também está envolvida com o desmatamento da Mata Atlântica da bacia de drenagem do Sistema Cantareira. Segundo reportagem de fevereiro deste ano, os pastos de consumo animal e as plantações de eucalipto, juntos, são culpados pelo desmatamento de 47% das Áreas de Proteção Permanente, compostas por matas ciliares, daquela região.
O que isso tudo significa é que é graças, em parte, à carne e aos laticínios que você consome – e dos quais se recusa a abrir mão – que a água na torneira de sua casa está começando a faltar. E não é só isso: a economia brasileira como um todo está ameaçada, já que a indústria, o comércio e os serviços do estado de São Paulo, que atendem também os demais estados, estão sob perigo por causa do desabastecimento completo que está chegando.
Ou seja, ao comer carne e laticínios, você está contribuindo, junto com outros milhões de consumidores desses alimentos, para que esteja faltando água em seu estado, sua cidade, seu bairro, sua vizinhança, sua casa. Abra a torneira e reflita se vale a pena continuar ignorando ou retrucando com argumentos fracos os alertas dos veganos e vegetarianos e também de muitos ambientalistas.
Pense se é aceitável colocar o consumo desses produtos – que não são essenciais à saúde humana e assim podem ser substituídos por uma alimentação vegana – acima não só da dignidade e vida dos animais não humanos, mas também do bem-estar comum dos seres humanos, incluindo o seu próprio.
FONTE: http://veganagente.consciencia.blog.br/seca-de-sao-paulo-entenda-por-que-a-carne-o-leite-e-o-queijo-na-sua-mesa-estao-influenciando-a-falta-de-agua-na-sua-torneira/
por Robson Fernando de Souza, autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do vlog Canal Veganagente.
A CARNE É FRACA... e nosso Planeta também!
O consumo de carne é hoje o maior problema ambiental e social do planeta. Se quisermos resolver o problema da poluição, o problema da fome, o problema da distribuição e concentração de renda no planeta, é só acabar com o consumo de carne. A pecuária foi a principal responsável pelo desmatamento da mata Atlântica, foi a principal responsável pelo desmatamento da Caatinga, do Cerrado e também da Amazônia. Para produzir 1 kg de carne bovina são necessários 7 kg de grãos para a ração animal e 15000 litros de àgua. Para a produção de 1 kg de cereal são gastos somente 1300 litros de água. A terra e água necessárias para produzir 1 kg de carne são suficientes para o cultivo de 200 kg de tomates ou 160 kg de batatas. Em 20 anos o consumo de carne por pessoas na China subiu de 20 para 50 pessoas por ano. Existem países que não podem mais sesustentar ou produzir os alimentos de sua população simplesmente porque não tem água suficiente. A quantidade de água, solo e recursos utilizados para produzir 1 kg de carne (que alimentaria duas ou três pessoas por dia) seriam suficientes para alimentar pelo menos 50 pessoas com vegetais e grãos pelo mesmo espaço de tempo. Os desmatamentos e queimadas na Amazônia em função do avanço da fronteira Agropecuária já respondem pela emissão de mais de 200 milhões de toneladas anuais de CO2 (fora o Metano, liberado no processo de digestão dos ruminantes, que é até 20 vezes mais nocivo que o próprio CO2). Isso significa 2/3 das emissões brasileiras de gases que intensificam o efeito estufa. De 1992 até 2002 mais de 90 milhões de empregos foram fechados nessa área, pois quem mais gera postos de trabalho é a agricultura familiar e não o modelo do Agronegócio, moldado exclusivamente para a exportação. A chamada Crise Ambiental – consequência direta da modernidade-colonial – pode ser esmiuçada pelo, aparente inofensivo, hábito de produzir e comer carne. Anualmente, mais de 200 milhões de toneladas de fezes e urina dos animais criados para abate chegam aos oceanos do planeta. Esses efluentes são responsáveis por 50% da poluição da água na Europa. Na Dinamarca não é mais permitida a criação de porcos em escala industrial, em parte da Alemanha também não. Enquanto a produção de carne nos países centrais cai, o Brasil atinge records na exportação da carne. O mundo, chamado de desenvolvido, reconheceu que é melhor negócio importar a carne brasileira – e deixar os curtos ambientais (que não são incluídos no preço do produto) no território produtor. Diante de todas estas questões, sem falar no sofrimento gerado a tantos animais, que já é de conhecimento de todos, mostra-se um ato de cegueira moral continuar compactuando com isso. Quando um fiscal do Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura vai a um abatedouro, vê o que está acontecendo naquele momento. Quando há fiscalização, o animal é atordoado para não demonstrar dor no abate. Mas longe do fiscal nem sempre isso acontece. No dia a dia, o desrespeito é a norma. E, quando são multados, os produtores embutem o valor da multa no preço final do produto e saem lucrando. A crueldade é impune. Uma mudança de paradigma não se faz da noite para o dia, sabemos disso. É preciso que mais pessoas atinjam o censo crítico e gerem mudanças pontuais, que serão reverberadas. Mas isso só é possível quando abrimos nossa mente (razão e emoção). O Veganismo é mesmo uma filosofia onde as pessoas se encontram sensíveis ao sofrimento dos animais e aos problemas ecológicos, mas nem por isso veganos são “sentimentalóides, que querem te fazer chorar de pena pelos animais”. Veganos são pessoas realistas, abolicionistas, conscientes e críticas. O Veganismo não só vem fomentar a crítica pessoal, como também vem tentar minimizar os impactos causados (nas banais atitudes humanas) aos animais não-humanos, os recursos hídricos, a vegetação, a atmosfera terrestre, e consequentemente, aos próprios seres humanos. O veganismo envolve princípios éticos. Enquanto os recursos do Cosmos forem apropriados como mercadorias, a maioria dos povos estará privada de seus direitos. Enquanto a produção de alimentos no mundo estiver sob a égide dos grandes complexos agroindustriais, em detrimento da agricultura familiar, nos restarão os movimentos organizados, que serão atrelados à esfera de normatividade social, porém, estarão confrontando, mesmo que sob a aparência de reprodução, este ordenamento social de modo a transgredi-lo, perpassando o plano individual.
O MUNDO DAS IDEIAS
Antes de Platão (427-347 a.C.), Empédocles (494-434 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C.) haviam observado que apesar de os fenômenos da natureza "fluírem", havia "algo" que nunca se modificava (as quatro raízes ou os átomos).
Para Platão tudo o que podemos tocar e sentir na natureza "flui". Não existe, portanto, um elemento básico que não se desintegre. Absolutamente tudo o que pertence ao mundo dos sentidos é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável.
Para exemplificar a visão de Platão, considere um conjunto de cavalos. Apesar deles não serem exatamente iguais, existe algo que é comum a todos os cavalos; algo que garante que nós jamais teremos problemas para reconhecer um cavalo. Naturalmente, um exemplar isolado do cavalo, este sim "flui", "passa". Ele envelhece e fica manco, depois adoece e morre. Mas a verdadeira forma do cavalo é eterna e imutável.
Numa outra situação, considere que você passe em frente a uma vitrine de uma padaria (sua primeira padaria) e vê sobre um tabuleiro cinqüenta broas exatamente iguais, todas em forma de anõezinhos. Apesar de você perceber que um anãozinho está sem o braço, o outro perdeu a cabeça e um terceiro tem uma barriga maior que a dos outros, você chega à conclusão que todas as broas têm um denominador comum. Embora nenhum dos anõezinhos seja absolutamente perfeito, você suspeita que eles devem ter uma origem comum. E chega à conclusão de que todos foram assados na mesma fôrma.
Platão ficou admirado com a semelhança entre todos os fenômenos da natureza e chegou, portanto, à conclusão de que "por cima" ou "por trás" de tudo o que vemos à nossa volta há um número limitado de formas. A estas formas Platão deu o nome de idéias. Por trás de todos os cavalos, porcos e homens existe a "idéia cavalo", a "idéia porco" e a "idéia homem". (E é por causa disto que a citada padaria pode fazer broas em forma de porquinhos ou de cavalos, além de anõezinhos. Pois uma padaria que se preze geralmente tem mais do que uma fôrma. Só que uma única fôrma é suficiente para todo um tipo de broa.)
Platão acreditava numa realidade autônoma por trás do mundo dos sentidos. A esta realidade ele deu o nome de mundo das idéias. Nele estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos na natureza. Esta concepção é chamada por nós de a Teoria das Idéias de Platão.
Em resumo, para Platão a realidade se dividia em duas partes. A primeira parte é o mundo dos sentidos, do qual não podemos ter senão um conhecimento aproximado ou imperfeito, já que para tanto fazemos uso de nossos cinco (aproximados e imperfeitos) sentidos. Neste mundo dos sentidos, tudo "flui" e, consequentemente, nada é perene. Nada é no mundo dos sentidos; nele, as coisas simplesmente surgem e desaparecem. A outra parte é o mundo das idéias, do qual podemos chegar a ter um conhecimento seguro, se para tanto fizermos uso de nossa razão. Este mundo das idéias não pode, portanto, ser conhecido através dos sentidos. Em compensação, as idéias (ou formas) são eternas e imutáveis.
Assim como os filósofos que o antecederam, Platão também queria encontrar algo de eterno e de imutável em meio a todas as mudanças. Foi assim que ele chegou às idéias perfeitas, que estão acima do mundo sensorial. Além disto, Platão considerava essas idéias mais reais do que os próprios fenômenos da natureza. Primeiro vinha a idéia cavalo e depois todos os cavalos do mundo dos sentidos. A idéia galinha vinha, portanto, antes da galinha e do ovo.
(Tirado de O Mundo de Sofia: Jostein Gaarder)
Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.
Cecília Meireles
As deficiências psicológicas e o aperfeiçoamento humano
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Com vistas ao aperfeiçoamento humano, a concepção logosófica apresenta um método que parte do estudo da própria mente, por ser ela o órgão promotor da vida psíquica, e se projeta sobre os pensamentos, por serem os agentes naturais que configuram a vida de cada homem em seus aspectos mais preponderantes. O aperfeiçoamento integral e consciente deve começar pelo essencial: conhecer, bloquear, debilitar e anular todas as deficiências psicológicas que afetam a criatura humana, para que sua nefasta influência não prejudique nem detenha o processo de evolução mediante o qual se rompem as limitações a que está sujeito o ser, por falta de preparação e fortalecimento internos adequados. A Logosofia chama de deficiência psicológica o pensamento negativo que, enquistado na mente, exerce forte pressão sobre a vontade do indivíduo, induzindo-o de modo contínuo a satisfazer seu insaciável apetite psíquico. É o pensamento tipicamente dominante ou obsessivo, que, ao mesmo tempo que cumpre uma função totalmente prejudicial, tem tanta influência na vida do ser humano e se evidencia de tal maneira que este é apelidado por seus semelhantes com o nome do pensamento-deficiência que o caracteriza. Por isso mesmo é que, em alguns casos, o indivíduo é chamado de vaidoso, rancoroso, egoísta, teimoso, intolerante e, em outros, de presunçoso, hipócrita, intrometido, obstinado, etc. O curioso é que seu possuidor em geral permanece alheio a isso, talvez porque aqueles que o identificam com o defeito de que padece não lhe digam nada, por se tratar de um segredo que gostam de comentar pelas costas. A configuração de uma deficiência pode variar num mesmo indivíduo. Isto quer dizer que nem sempre uma deficiência se comporta da mesma forma, o que às vezes torna difícil seu reconhecimento. Daí que seja tão importante realizar o processo de evolução consciente que leva ao conhecimento de si mesmo, porque nele cada deficiência pode ser observada sem se perdê-la de vista.
As deficiências guardam estreita semelhança com o camaleão, que dissimula sua presença tomando a cor da pedra ou da árvore onde faz pouso.
Toda deficiência é produto do desvio experimentado pelo homem na integração de suas qualidades e do mau uso de suas condições intelectivas, psíquicas e morais. O desconhecimento de seu próprio existir como entidade consciente e capaz o leva a cometer inúmeros erros, que depois afloram como deficiências impressas em sua psicologia. Antideficiência é o pensamento específico que selecionamos para conferir-lhe a missão de opor-se a determinada deficiência. Sob seu influxo, a vontade se fortifica e atua sobre a inteligência, instando-a a realizar movimentos mentais tendentes a anular o despotismo que o pensamento-deficiência exerce sobre os mecanismos mental, sensível e espiritual do homem. A antideficiência é um pensamento-polícia que deve ser instituído na mente, com a finalidade de vigiar, repreender e paralisar, temporária ou definitivamente, o pensamento-deficiência.
[Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pp. 11 a 19]
Um dia, a liberdade será tamanha que abriremos as nossas asas sem ferir ninguém.
Eu me chamo Antônio.
Eu não como grama.