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祝日 / Permanent Vacation
Xuebing Du
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@verbalizada
te explico assim simples:
aquele momento, aquele momento foi tão-tão bonito que eu mesma não consegui entendê-lo. não fui capaz, nem por um segundo, de afirmar o que era aquilo. pois certas imagens, pessoas, músicas e palavras fazem isso com a gente (e essa é a verdadeira poesia da vida): nos tocam a pele, nos arrepiando; nos tocam os olhos, fazendo-os chorar; nos tocam a boca, que logo sorri; nos tocam a alma, levando ao transe. até minha mente é tocada; se vê inerte, e ao mesmo tempo, explosiva em pensamentos. que transem, procriem, deleitem-se! pois assim são as coisas mais belas: incompreensíveis, intangíveis, inlapidáveis, eternas em sua curta existência. e, sobretudo,
[...] juliana villarinho
teu cheiro
teu cheiro devora minh'alma sedenta com beijos e beijos e beijos sem fim
apaga a dor de não ter teus beijos teu braço teu laço abraço em mim
abraça minh'alma sedenta pedinte que implora teu cheiro teu beijo enfim
me cala me toca arrasta devora minh'alma tão louca sedenta de ti juliana villarinho
aguaceiro
quero esfaquear essa urgência sufocante que me rasga implorando um sossego qualquer calar esse arrepio que domina e me assassina sem calma nem medo de modo qualquer arranhar meus pulmões e fazer sangrar os gritos perdidos num abismo de um surto qualquer e matar quem me olha transpassa me doma quem larga minh'alma numa via qualquer. quero serrar as pálpebras que cobrem e escondem as cores dos olhos de um olho qualquer atirar nos queixos nas asas de um anjo que me arrasta e queima ao toque qualquer estrangular o vazio que como uma onda se enlaça ao meu peito num fluxo qualquer e chorar quem me ama abraça me toma quem beija minh'alma num dia qualquer.
sorrir quem me flore negar quem me fere vestir um perfume, um poema qualquer me aceitar aguaceiro eterno e inconstante uma brisa singela num quarto qualquer seguir meu coração na trilha que leva meu cerne embora num passo qualquer me atar aos teus braços teu céu aos enlaços me perder em teus lábios num golpe qualquer. juliana villarinho
encontro
me explique porquê não reflito o que penso em atos e fatos no mais, no que for
me conte onde vive o laço manchado que parte quem penso quem falo e quem sou sou flores e raios e asas e fadas e rios e risos tão cheios de amor!
mas só choro e calo ou grito e transbordo um jeito fechado de ser com pudor por isso imploro não nego e demoro em olhos e beijos que têm meu calor pois eles me tomam me são e me formam de um jeito sem formas de um jeito com cor e assim eu me entrego tão livre e tão leve aos toques sutis que me arrancam o sabor e salivo e deleito num canto em teu peito que incita tão fácil o gesto que sou. juliana villarinho
assistindo a filmes compulsivamente para esquecer que estou vazia
Ao tentar a imaginar a inimaginável dimensão do mundo e as aplicações da vida quanto ao próprio ato de existir, pequenas coisas tornam-se tão banais que sinto-me desestimulada a fazê-las. Ainda que possam aparentemente possuir alguma importância, ao analisar suas proporções físicas e não físicas em um plano menos superficial, conclui-se que as pequenas e rotineiras tarefas que preenchem nosso cotidiano são, na verdade, uma lastimável perda de tempo. Muitas ainda podem ser utilizadas como ferramenta para alcançar um objetivo maior e mais distante, mas muitas simplesmente não.
conhecer alguém, conhecer alguém de verdade, tornar familiares os nuances de cada emoção misteriosa e encher o próprio coração com o êxtase da existência alheia: em outras palavras, puramente, amar. aceitar, aceitar alguém de verdade, sem cobranças, porque há em cada defeito humano uma singular perfeição divina e em cada lágrima e suspiro e dessossego e derrota, a mais crua das poesias do mundo. amar. ouvir cada palavra mal dita como se o timbre da voz alheia possuísse, no mínimo, a mais crua das poesias do mundo. e desejar entregar tão facilmente a própria alma tão somente a troco de... amor. amar, porque há no amor todo o equilíbrio e o caos do universo e é do caos que surge a mais pulsante beleza da vida.
Afirmo não me responsabilizar pela aparência que possuo. O corpo no qual vivo foi milagrosamente formado graças à genética dos meus pais e posso garantir que esses sim influenciaram na forma física pela qual sou vista. Apesar de reconhecer o meu corpo como meu, afirmo que eu não o sou. Ele me serve como um meio de falar, andar, ouvir, olhar, abraçar, sentir etc; ele possui a minha identidade e meu nome, que também são expressos por números e letras em papéis de cartório. Porém, se eu posso me responsabilizar por algo, então digo: tenho culpa e mérito sobre meus pensamentos, minhas ações e, finalmente, sobre essência da minha alma. Ela, e apenas ela, sou eu.
Agora que tenho netflix, estou montando uma listinha de filmes banacas que muito me tocaram. Se alguém quiser alguma recomendação, só falar!
Eu perguntei a mim mesma: pode um coração que jamais provou do amor, amar? Será um homem não-amado capaz de conhecer, ao invés de reconhecer, o amor em alguma outra coisa qualquer? Pouco pensei, logo entendi que sim. O ser humano, como todas as criaturas vivas, é feito de amor, por amor e sobretudo, para amar. A necessidade desse sentimento existe e coexiste com a sua própria realidade humana, e, assim, todo homem e mulher, antes mesmo de nascer, ama e desama com a mesma naturalidade com a qual a vida lhe possui, e seu coração se enche e se extasia, involuntariamente, com a gratidão gloriosa do amar, em um processo simples e contínuo como um rio desaguando. (curto monólogo, por juliana villarinho)
A dedicação ao cinema e à literatura não poderá, jamais, ser tida como perda de tempo. Todo e qualquer segundo que se investe nesse prazer extracorpóreo, ainda que muitas vezes não ajude a obter o retorno almejado (um filme que não agrada, um livro de leitura retardada), é valioso. O transporte mental que nos leva à outras dimensões e que expande nossas mentes e nossos corações é, certamente, místico, surpreendente e, sobretudo, tocante. Para quem guarnece a sapiência de observar com cautela e se ater à detalhes, as palavras, as imagens e os sons que nos levam às tais viagens mirabolantes são, enfim, os instrumentos que ilustram a perfeição da alma humana, a perfeição e a magnitude da arte, pois é através dela, da arte, que envolve tantos outros ramos (a arquitetura, a pintura, o desenho e muitos outros) nós podemos nos sentir, inteiramente, humanos. (uma declaração, por juliana villarinho)
por favor,
vida.
permita que em minha sã consciência eu perceba,
todos os dias,
um milagre diferente.
que é o Sol ao se pôr
o cão ao latir
a música ao tocar
a grama ao crescer
os seus pelos ao se arrepiarem
o vento ao balançar as folhas
as folhas ao cairem
o
seu sorriso
ao sorrir.
Era uma vez um homem
Não era muito velho nem muito novo. Não parecia querer chorar. Tinha jeito de quem morria de fome, se vestia mal e cheirava tristemente.
Todos os dias eu passava por esse homem, pois o ônibus que me permitia chegar a minha casa passava pela esquina na qual ele morava. E todos os dias eu o via no mesmo lugar, doentemente drogado. fazendo os mesmos movimentos com os braços: chacoalhando de um lado para o outro, as vezes parecendo tocar sua guitarra invisível, não com tanto amor como jimmi hendrix, mas provavelmente com grandioso talento também.
Aquele homem não fazia diferença na vida de ninguém. Nós, seres humanos moradores naquele bairro, éramos indiferentes a sua existência, ainda que de certa forma ele transbordasse uma curiosa maluquez e que pusesse medo em senhoras e crianças de forma freqüente.
Aquele homem não tinha a menor noção de como era abençoado por ser um Ser. Ele não sabia que em cada átomo do seu corpo havia a essência da vida, o Amor. Aquele homem apenas respirava, machucava o seu corpo e a sua alma com substâncias tóxicas que limitavam a sua consciência e se reduzia, sem saber que a vida era tão maior que isso!!, à inércia. Se aquele homem um dia teve sonhos, o descompassado movimento de seus braços não deixava parecer. Se aquele homem amava e sorria, a palidez de seu olhar escondia ferozmente.
Foi justamente isso que me incomodou certa vez, enquanto ao passar por ele eu ouvia música clássica. Acredito veemente que as musicas possuem uma capacidade aguda para potencializar a nossa sensibilidade e muitas vezes abrir os nossos sentidos para simples verdades. Foi quando ele de repente me deu medo que eu percebi a poesia gasta da sua essência, e aí eu descobri que aquele homem não sabia que existia. Isso me entristeceu.
Assim, subitamente, pus-me a refletir sobre todas as outras pessoas, inclusive sobre aquelas que possuem casa, cheiram a perfume, não morrem de fome mas tampouco vivem de nada. São seres fantásticos e vibrantes, muitas vezes já foram adolescentes revolucionários, que cresceram e deixaram escapar o brilho dos olhos. Acostumados com a rotina que matam um pouquinho do que são, dia após dia, não possuem tempo para aproveitar os pequenos prazeres da vida, tampouco possuem tempo para criticar o próprio comportamento padronizado. São seres que abandonaram os seus sonhos ao seu acomodarem com um presente pouco satisfatório, graças ao medo das consequências que os riscos podem proporcionar. Acordam todos os dias mas não tem vontade de levantar, pois a perspectiva do dia que está por vir não os estimula. Trabalham até cansar, muitas vezes executando tarefas indesejáveis, e no fim do dia voltam para casa, para realizar as outras pequenas obrigações rotineiras, tomar banho, comer, dormir.
No fim do mês ganham um dinheiro, e com esse dinheiro pagam por coisas pelas quais nunca tiveram verdadeiro interesse. Coagidas pela sociedade, dia após dias as pessoas esquecem de como são fantásticas. As pessoas não se maravilham com a sua própria existência e ainda acreditam que fazer de suas vidas algo extraordinário é pretensão de filme romântico ou idealização de adolescente anarquista. Mas eu, que sou apenas outro ser, mas que me permito a calma e o gozo do presente, me indago: como podem ter tanta pressa a ponto de se esquecerem de olhar para o Céu? Como se entretem tanto com os comerciais na tv a ponto de não questionarem as coisas como elas são? Aquele mendigo na rua, aquela triste poesia ambulante certamente não sabe que vive, mas será que nós todos sabemos mesmo? Será que vivemos? Eu nos vejo mais como tijolos em uma parede gigantesca que tampa o outro lado do mundo.
Mas eu não farei parte dela.
Por Juliana Villarinho
frenesi da alma
volta e meia sou atacada pelo sentir mais profundo, que extrapola meu cerne e se metamorfoseia em arrepios e lágrimas.
de súbito a vida ganha um significado e me ponho a escrever.
(que significado é esse, eu não sei. se soubesse explicar, talvez a vida não teria mais as mesmas cores).
sei que há enorme desfrute e gozo na ignorância; o fato de não saber me leva a observar cada detalhe e a criar as mais loucas e densas teorias com minha mente ansiosa, alheia à qualquer letargia.
enquanto penso, meus pensamentos se transformam em fogos coloridos, se estouram dentro de mim e mudam de forma. cada pensamento é como um rio e suas águas são brilhantes e gélidas; fluem com calmaria ou urgência, às vezes arrastam galhos e pedras consigo.
cada pensamento tem energia, potencial e força. é como uma flecha apontada pro mundo, uma flecha no meio de tantas flechas que podem apontar qualquer direção, salvar ou destruir. nesse momento, os meus pensamentos são flechas mornas e delicadas apontadas pra minha alma. elas atingem a minha alma com perfeição e eu me emociono comigo mesma e com as sensações que o viver me proporciona.
nesse exato segundo eu choro porque sei que me encontrei. estou tão serena, estou tão em paz, que sou capaz de compreender que parte do cosmos sou eu, é você, são as rochas e as nuvens, as folhas e as bombas, somos todos que somos átomos perfeitamente combinados. nesse segundo eu não sou nem capaz de me preocupar com nada porque a maioria das coisas todas são extremamente pouco significantes. eu gostaria de expandir tudo o que sinto para que a gratidão, o amor universal e a paz pudessem atingir todos que fossem tocados pela minha áurea. eu sei que estou brilhando. eu ponho em cada palavra que digito uma vontade imensa de abraçar, de mergulhar no mar, de fechar os olhos e sorrir. minhas palavras carregam o sabor da simplicidade, da alegria, do contentamento. minhas palavras sussurram como todo o carinho que há tanto para amar e tanto pra ser amado e há tanto para gargalhar e disseminar e beijar e dançar e dividir. minha alma dança...
minha alma dança... por juliana villarinho brandão
instagram: julianavillarinho
eu sonhei com uma luz branca.
sabe quando a gente tá com os cílios molhados e olha pro Sol com os olhos meio fechados, e vê os raios solares de um jeito todo louco, por que a umidade dos cílios interfere na nossa visão? a luz era como esse quadro, toda espalhada, líquida, pulsante e brilhante demais. eu sonhei que ela era só um pontinho, mas ia ondulando como as ondas do mar e se expandindo como um vírus em nosso corpo, cada vez maior e com mais luz, cada vez mais simpática, mais minha amiga. eu sonhei com essa luz e acordei feliz, meio flutuante. havia percebido que, olha que lindo, essa luz era eu...