Escolhi trazer esse post com dúvidas gramaticais de Língua Portuguesa porque é algo que parece bobo, mas que faz diferença na hora de escrever a sua redação e também vale para o dia a dia.
“Debaixo de” significa “sob” e sempre precisa de um complemento. Como nos exemplos:
Ele foi se esconder debaixo da mesa.
Vivem debaixo do mesmo teto.
Quando, então, usamos “de baixo“, assim separado? Essa forma é mais rara e só cabe quando a ideia é fazer oposição a “cima“. Note também que ele nem sempre precisa de um complemento. Por exemplo:
Mexeu a perna de baixo para cima.
Vim de baixo, enquanto ela veio de cima.
1. Impresso (pertence à forma irregular) - use com os verbos [ser e estar]: Já foi impresso o edital de convocação.
● Os convites já estão impressos.
● Os cartazes ainda não foram impressos.
2. Imprimido (pertence à forma regular) – use com os verbos [ter e haver]: Esta gráfica tem imprimido muitos jornais.
● A gráfica não havia imprimido as notas.
● Os alunos tinham imprimido o jornal sem nenhuma ajuda.
Tampouco ou tão pouco?
Apesar de soarem parecidas, essas duas palavras têm sentidos bem diferentes. “Tampouco” é advérbio e significa “também não”, o que se encaixa perfeitamente neste exemplo, onde : “Ele não pesquisou os tópicos, tampouco escreveu parte do trabalho”.
Já a expressão “tão pouco” significa “muito pouco” ou “pouca coisa”. Nela, temos o advérbio de intensidade “tão” modificando o advérbio ou o pronome indefinido “pouco”.
Mal ou mau?
regrinha prática: substituir “mal” por “bem” e “mau” por “bom” para não ter mais dúvidas. Porém, para entender melhor:
MAU:
É sempre adjetivo. Significa “ruim”, “imperfeito”, “que causa mal ou prejuízo”. É antônimo de bom, tem como plural “maus” e como feminino a forma “má”. Assim como todo adjetivo, refere-se a um substantivo.
– Interpretei o papel de um homem mau no teatro.
– Era um menino mau quando criança.
– Ele era muito mau com os filhos.
MAL:
Já a forma “mal” tem uma variedade maior de significados. Ela pode ser:
Advérbio de modo: quando significa “de modo irregular”, “incorretamente”, “erradamente”. Nesse caso, é invariável e seu antônimo é o advérbio “bem”. Como todo advérbio, refere-se sempre a um verbo. Ex: Ela comia mal.
Substantivo: quando significa “nocivo”, “prejudicial” ou pode ser empregado como sinônimo de “doença”, “enfermidade”. Como substantivo, admite plural (“males”) e pode ser precedido de artigo, adjetivo ou pronome. Seu antônimo é o substantivo “bem”. Ex: Catapora é um mal que atinge principalmente as crianças.
Conjunção temporal: equivale a “assim que”. Ex: Mal anoiteceu e os ladrões invadiram a casa.
É usado principalmente como conjunção que introduz uma contrariedade, uma adversidade.
Dica: Na dúvida, teste com outras conjunções equivalentes, como porém, contudo, todavia, entretanto. Se o sentido for o mesmo, pode ficar tranquilo e escrever MAS.
Hoje acordei animada, mas não quis ir trabalhar.
Já tenho muitos livros, mas não consigo parar de comprar outros.
É, na maioria das vezes, um advérbio de intensidade e corresponde ao contrário de “menos”. Faça a troca mentalmente e veja se é esse o caso. Se for, escreva MAIS sem medo de errar.
Meus amigos têm mais qualidades do que defeitos.
Fale mais alto, por favor.
“Mas” e “mais” também apresentam outras classificações.
“Mas” pode ser, além de conjunção, substantivo masculino.
E “mais”, além de advérbio, pode ser adjetivo e substantivo masculino.
Meio cansada ou meia cansada
A palavra meio quando se refere a adjetivo é um advérbio, por tanto deve permanecer invariável. Desta forma, o correto é a forma: ela ficou meio cansada depois de estudar a tarde toda.
Exemplo: Mariana ficou meio cansada depois de passar o dia lendo sobre gramática para o vestibular.
Mas, quando meio se referir a um substantivo deverá concordar normalmente com ele.Exemplo: Bernardo tomou meio litro de leite e depois apenas meia xícara de chá.
meio pode se referir a modo, a intensidade.
meia é quantidade [meia xícara].
Na língua portuguesa, a palavra “mesmo” é um adjetivo, mas pode também ter função de advérbio. A primeira categoria apresenta variações de gênero e número, enquanto a segunda é invariável.
Ela mesma trocou a lâmpada.
Eles mesmos trocaram a lâmpada.
Ele trocou mesmo a lâmpada
Elas trocaram mesmo a lâmpada
Quando adjetivo, “mesmo” é um equivalente para “próprio”. Seria idêntico a se dizer, nas frases acima, que o homem ou mulher trocaram a lâmpada sozinhos, sem auxílio de terceiros. Mas, quando tem função de advérbio, “mesmo” substitui “realmente”, “exatamente”, “de fato”, etc. A frase, então, tem o sentido de que, efetivamente, a lâmpada foi trocada por ela. Ou, ainda, de que elas realmente trocaram a lâmpada.
Nenhum ou nem um?
Sonoramente, “nenhum” e “nem um” são praticamente iguais. Na escrita, são duas formas bem diferentes e que confundem a cabeça de muita gente. Entenda o sentido de cada uma das expressões
Equivale a nem um sequer ou nem um único, com sentido quantitativo em frases como essas:
Nem um deputado foi ao evento.
Na linguagem coloquial, é comum ouvir até a expressão “Nem unzinho”.
Ex: “Não ganhei cachorros quando era criança, nem unzinho sequer”.
Já a forma “nenhum” trata-se de um pronome indefinido variável, que admite a flexão de gênero e número. “Nenhum” é a forma negativa de “algum”, do mesmo jeito que “ninguém” é a forma negativa de “alguém”.
Nenhum carro resistiu à enchente de domingo.
Mulher nenhuma compareceu à reunião do clube do livro.
Quando usar “onde” e quando usar “aonde”? A diferença entre essas duas palavras vai um pouco além da presença da letrinha “a” no começo de uma delas. As duas formas estão corretas, porém, cada uma delas deve ser usada em situações distintas. Gramaticalmente, ambas fazem parte da classe dos advérbios, o que significa que “onde” e “aonde” servem para acompanhar e modificar um verbo.
ONDE
Indica o lugar em que algo ou alguém está. Emprega-se “onde” com verbos que indicam permanência, ou seja, ausência de movimento.
“Conheço o lugar onde você o encontrou”.
O verbo “encontrar” não indica movimentação. Assim como verbos como estar, ser, morar, ficar…
AONDE
Também indica lugar. No entanto, deve ser usado com verbos que indicam movimento e que são regidos pela preposição “a”.
“Ele não viu aonde o filho foi”.
O verbo “ir” (íamos, foi) indica a ideia de movimento. Outros com essa ideia são: chegar, voltar…
AONDE: usar com verbos que dão ideia de movimento. Equivale sempre a “para onde”.
Ex: Aonde você vai? | Aonde nos leva com tal rapidez?
ONDE: usar com os outros verbos, todos que não dão ideia de movimento.
Ex: Onde estão os livros? | Não sei onde te encontrar.
Ratificar significa validar algo acertado ou contratado, confirmar, reafirmar, manter sua palavra. No caso do governo brasileiro, por exemplo, quando o Congresso decreta uma lei e o presidente da República a sanciona, ele a ratifica.
Retificar tem diferentes sentidos, mas o mais usado deles é quase o oposto de ratificar: significa corrigir algo, emendar. Observe, porém, que o verbo, em sentido secundário, é também variação da palavra reto e, nesse caso, significa por em linha reta, endireitar, colocar algo em ordem, consertar. É comum em mecânica, por exemplo: retificar o motor do carro quando ele funde.
♦ Em junho de 2002 o Senado brasileiro ratificou o Tratado de Kyoto, o qual o governo já havia assinado. Ao ser ratificado, as regras do tratado entraram em vigor em nosso território.
♦ O juiz retificou seu veredito, considerando que o réu não era culpado.
a) a não ser, exceto, mais do que
Rafael não faz outra coisa senão estudar.
Dos críticos não recebeu senão elogios.
b) mas, mas sim, mas também
Virou um escritor conhecido não apenas no Brasil, senão também no mundo inteiro.
Não quero falar mal, senão apontar erros.
c) caso contrário, do contrário
Leve a blusa, senão vai ficar com frio.
Preciso aprender matemática, senão vou ficar com nota vermelha.
Encontrei um senão no trabalho do artista.
Não havia nenhum senão no texto.
a) conjunção condicional, com o sentido de “caso não”:
Vou perder a bolsas de estudo, se não estudar corretamente.
Renata irá a pé para a faculdade, se não passar o ônibus.
b) conjunção condicional, com o sentido de “quando não”:
Fazer o exercício de gramática parecia tarefa difícil, se não impossível.
São medidas preventivas para, se não acabar de vez, diminuir a ocorrência de erros
c) conjunção integrante (inicia uma oração objetiva direta):
Queríamos saber se não havia perigo.
Perguntei-lhe se não voltava mais.