Eu nunca quis ser conhecido como um poeta, mas, até hoje, tudo o que fiz foi ver o mundo em poesia. Eu juro que me arrependo amargamente por isso.

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@victorhugoariesh
Eu nunca quis ser conhecido como um poeta, mas, até hoje, tudo o que fiz foi ver o mundo em poesia. Eu juro que me arrependo amargamente por isso.
Ă cruel, abusivo e terrĂvel ser forçado a guardar o luto de alguĂ©m que ainda estĂĄ vivo. Um lado bom? VocĂȘ pode desfrutar do prazer de ver a mesma pessoa morrer duas vezes.
O futuro nĂŁo existe. NĂŁo haverĂĄ nada no amanhĂŁ que nĂŁo seja consequĂȘncia do que se criou hoje. Deixe de ser apenas um leitor e comece a ser o roteirista da sua prĂłpria histĂłria.
Eu estava bem ali, sozinha, perdida. Embora ele estivesse comigo, com sua presença forte como sempre, pela primeira vez me senti muito solitĂĄria dentro de mim. Era minha hora de ir, jĂĄ que eu vim sĂł para me despedir, e eu estava completamente perdida por nĂŁo saber como seria minha vida depois que saĂsse dali. Eu tinha tudo que eu precisava naquele lugar. Caiu a noite, ele estava nu, deitado na cama do nosso quarto de motel favorito e eu totalmente despida de tudo, agarrada nos braços dele, ouvindo nossas cançÔes tocando na caixinha de som na cabeceira da cama. Aquele tinha sido um dia tĂŁo incrĂvel como os outros... Eu curti o tempo todo, bebemos vinho, me entreguei, ataquei, fui violentada da forma que eu gosto e agradeci fazendo ele gozar junto comigo. Tivemos fome, mas nem conseguimos parar pra comer. O dia inteiro ficamos atados um ao outro, possuĂdos pelo tesĂŁo que nĂŁo parecia acabar um minuto sequer. Foi intenso, visceral. Eu babava por cima dele tanto quanto ele me lambia. Eu chupava ele com a mesma voracidade que ele me enforcava e me sufocava. E eu sĂł pedia pra ele nĂŁo parar.
Acho que ele nĂŁo fazia a menor ideia de que eu estava ali para me despedir. Aposto que achou que era mais uma das nossas deliciosas experiĂȘncias de caos sobre o amor que a gente fazia, desses que destruĂa todo o lugar. Era toalha molhada pelo chĂŁo, taça quebrada, chocolate derretido escorrendo pelo lençol, uma bagunça total, e podia o mundo estar se acabando aqui fora que a gente nĂŁo ia perceber. De repente, eu suspirei. 'Me dĂȘ um minuto', pedi, e isso foi suficiente. Me agarrei ao peito dele, que me envolveu com seus braços fortes, e comecei a chorar, sem parar. Desabafei. Desabei. E foi aĂ que ele entendeu. Ele colocou a mĂșsica que era tema da nossa relação, me deu abraço bem apertado e foi quando comecei a soluçar de tanto chorar, por um bom tempo. Sem dizer nada, me levantei, vesti minhas roupas e fui embora, me perguntando o que estou fazendo, deixando para trĂĄs o homem que me fez descobrir a mulher que sou hoje. Eu era tĂŁo novinha quando me entreguei a ele pela primeira vez, e agora que sou uma mulher feita, quero tudo do mundo, exceto ficar com ele. Vou amĂĄ-lo para sempre, e nunca vou esquecer o que ele sabe fazer com a lĂngua, mas nĂŁo posso continuar insistindo nisso. Pedi para sermos amigos, e ele me disse que 'um velho sĂĄbio chinĂȘs disse uma vez que amigo de c* Ă© rola'. Eu ri, e por dentro chorava ainda mais, sabendo que ele ia fazer valer essa ideia de nĂŁo querer mais saber de mim sĂł porque eu estou fugindo desse vĂcio que eu tenho de ficar com ele. PaciĂȘncia!
Vou rezar para ele sentir falta daquilo que sei fazer com a boca, e que ele adora. Mas não me iludo, sei que ele vai encontrar outra rapidamente que também saiba. Enfim, estou perdida, e mesmo certa de que devo me afastar, eu ainda vou querer ele, o pau dele, os seus olhos brilhantes, a barba falhada, o perfume forte, a voz rouca, a pisada firme, as costas largas, o cheiro da pele, as mãos grandes, as mordidas, os tapas, aquela respiração controlada... tudo. Ainda quero ele.
đđâđ
NĂŁo faça as perguntas se vocĂȘ ainda tiver medo das respostas... đđâđ
TrĂȘs coisas que interferem negativamente em qualquer esfera dos relacionamentos: a EXPECTATIVA, a COMPARAĂĂO e a TRANSFERĂNCIA. Sobre EXPECTATIVA, o que vocĂȘ espera do outro Ă© intenção unicamente sua e nĂŁo reflete aquilo que o outro pode ou quer te oferecer. NĂŁo crie vĂnculos que demandem sempre troca, ou em algum momento vocĂȘ vai se pegar aguardando chegar uma devolução que sĂł vocĂȘ estĂĄ esperando. Sobre a COMPARAĂĂO, o que vocĂȘ encontra em Fulano, tanto de qualidade como defeito, nĂŁo Ă© uma regra, e na maioria das vezes nĂŁo vai encontrar exatamente igual em Ciclano. Relacionamentos sĂŁo feitos de ciclos, e o que os torna comparativos sĂŁo apenas suas fases de começo, meio e fim, mas sobre as pessoas que vivem esses ciclos, elas nunca se repetem, nunca sĂŁo as mesmas. VocĂȘ pode atĂ© perder tempo comparando ciclos, mas Ă© perda de tempo e energia comparar pessoas dentro desses ciclos ou achar que sĂŁo todas iguais. Por fim, a TRANSFERĂNCIA Ă© a tentativa inĂștil, motivada por experiĂȘncia boa ou ruim que viveu num relacionamento anterior, de transferir essa carga para um novo ou outro relacionamento. Isso sim Ă© cruel consigo mesmo. Tentar moldar alguĂ©m segundo a sua crença do que seria o relacionamento ideal e acreditar que a pessoa possa se enquadrar num padrĂŁo que muda sua personalidade, suas inclinaçÔes e suas escolhas com base naquilo que vocĂȘ quer receber para si Ă© egoĂsmo. Enfim... NĂŁo permita que essas coisas conduzam suas relaçÔes.
Uma das experiĂȘncias cabalĂsticas mais angustiantes Ă© o desligamento da alma. Deveria ser o tipo de tratamento feito no SUS, tamanha a grandiosidade do benefĂcio que esse tipo de intervenção causa na alma de uma pessoa. NĂŁo estamos falando de uma terapia cognitiva, de um processo hipnĂłtico ou psicolĂłgico comum... Esse processo de ativação gera uma limpeza e uma cura surreal, alĂ©m de equalizar a alma com o ambiente de vivĂȘncia e abrir a consciĂȘncia para uma conexĂŁo maior e mais pura com o universo. No entanto, nĂŁo Ă© um processo simples. Desligar a alma das conexĂ”es existentes tambĂ©m Ă© um processo traumĂĄtico e visceral. Ă doloroso e excruciante, de uma forma tĂŁo agressiva que, em alguns casos, vocĂȘ perde a memĂłria recente e atĂ© de longo prazo das experiĂȘncias antes absorvidas com ardor e atreladas ao seu consciente emocional. Antes do ritual, a primeira pergunta que deve ser respondida no vĂĄcuo do silĂȘncio das suas emoçÔes e questionamentos Ă©: 'VocĂȘ tem certeza de que estĂĄ preparado para se desligar do outro?' E quando a alma guarda mais de uma conexĂŁo, o processo Ă© ainda mais intenso. No entanto, quanto maior a carga pesada da qual se livra, maior Ă© a liberdade de transitar pela vida com uma alma leve e disposta ao novo. Ă, muitas vezes, voltar para si mesmo.
Vamos falar sobre o curioso caso de uma geração que acredita que podem caber todas as emoçÔes e sensaçÔes dentro de um momento. Geração que coloca expectativas sobre um Ășnico instante num universo de muitas trocas. Relacionamentos ditam prioridades, mas os sentimentos sĂŁo atemporais e nĂŁo sĂŁo fĂsicos. Eles nĂŁo se limitam Ă matĂ©ria tocada. Podem ser transmitidos no toque, mas nĂŁo estĂŁo limitados Ă superfĂcie. Por essa razĂŁo, quando julgamos a ausĂȘncia de tato, canalizamos uma emoção contrĂĄria pela falta do espaço a ser tocado, da superfĂcie. Entretanto, a ausĂȘncia de tato nĂŁo implica falta de conexĂŁo legĂtima; ela simplesmente nĂŁo foi ativada. Julgar que uma troca sincera Ă© inexistente a partir da falta de manutenção da rotina Ă© presumir que o sentimento seja vestido como o tecido da lingerie ou um sapatĂȘnis. Compreender a si mesmo Ă© vital para a compreensĂŁo da necessidade que o outro lhe causa, mas ainda assim, compreender o outro Ă© uma exigĂȘncia para entender que o sentimento nĂŁo preenche a matĂ©ria e, se ela nĂŁo estĂĄ presente, ainda assim hĂĄ de haver emoção.
Te fazer feliz? Te fazer satisfazer? Tudo aquilo que eu te der, quero o mesmo de volta, e se nĂŁo puder me pagar, nem me peça para fazer nada por vocĂȘ.đđâđ
Sinto falta de meus velhos hĂĄbitos, meus vĂcios, minhas dĂșvidas, personagens, minhas cartas rasgadas, minha insĂŽnia, meu copo sempre meio cheio de whisky, aquela janela com vista pro nada, meus discos de vinil dos anos 70, meu casulo selado de solidĂŁo, a tristeza do cĂ©u cinza em dias de chuva, as tardes de quinta-feira, chĂĄ de flor de pĂȘssego, enciclopĂ©dias, cheiro de terra molhada no quintal, telejornais, e etc.
Acho que estou com saudade de mim. đđâđ
JĂĄ faz muito tempo desde a Ășltima vez que me peguei sonhando o futuro. Certas frustraçÔes na vida abafam nossa capacidade de planejar, de criar expectativas para acreditar que algo bom e grandioso pode ser real de novo. Dia apĂłs dia, apĂłs dia, me perguntava atĂ© quando tudo ia ficar assim, meio sem sentido, sem razĂŁo, quando num repetente eu quebrei um espelho em casa. Tive que comprar um outro. Fui forçado a sair, andar pela rua, entrar numas lojas, encontrar um espelho, e voltar pra casa. Naquele dia, quando de volta no meu canto, tranquei a porta, bati o prego na parede e coloquei o espelho novo no lugar. Levei um susto quando vi por dentro do meu olhar, refletido no espelho a memĂłria de todo aquele dia corrido passando como o episĂłdio de um minissĂ©rie. Eu me mexi, botei a cara na rua, procurei por coisas, fiz escolhas, dei um ou dois "OlĂĄ, tudo bom?â, comprei uma coisa, etc. O mundo lĂĄ fora estava correndo, o tempo estava passando e ainda que um novo normal, era quase tudo normal, e eu aqui trancado. Eu nĂŁo estou apenas trancado em casa, mas dentro de mim mesmo, ou dentro do espelho, sei lĂĄ. Estou preso nessa imagem refletida de alguĂ©m que sĂł enxerga o mundo a passar pela lente dos prĂłprios olhos, com os membros parados, sem interferir de alguma forma nisso que acontece, sem se mexer, sem opinar. Ăs vezes me espanta perceber que tudo ao meu redor nĂŁo Ă© tĂŁo feio quanto parece⊠que pode ser divertido Ă s vezes. Eu nĂŁo sei qual era a pira de Narciso consigo, mas eu nĂŁo gosto de me ver, de me exagerar assim. Eu nĂŁo gosto de me ver. Ă incomum, mas quando olho pra mim, nĂŁo vejo o mundo. Quando olho pro mundo nĂŁo me vejo, e quando me dou conta um dos dois envelheceu o suficiente para nĂŁo caber no outro. Que sinestesia escrota e reversa, mas tem sido assim. Tive uma ideia, vou agora quebrar todos os espelhos da casa e deixar ver no que vai dar.
AtĂ©! đđâđ
#minhaalmaimoral #terapiadaalma #terapeutiando #homemquesente #precisavaescrever #resilienciahumana #diferentizou #neologismos #relatizou
Feliz dia do "Escreve um texto pra mim?" đđâđ
Eu? TĂŽ aqui! O mundo mudou, mas eu ainda nĂŁo.
Por causa dessa histĂłria de isolamento social, vĂrus que mata, nĂŁo saiam de casa, ninguĂ©m pega na mĂŁo de ninguĂ©m, algumas pessoas tĂȘm se mostrado um tanto sensĂveis em relação a afastamentos. Algumas me mandam recado dizendo que estĂŁo com saudades, enquanto que outros apelam para sonhos, pressentimento, aperto no peito e coisas sensitivas desse tipo. Na boa? Eu continuo sendo o mesmo carinha de sempre, e, esse seu âafastamentoâ antes do afastamento, talvez seja o verdadeiro isolamento que nos incomoda. NĂłs Ă©ramos muito prĂłximos. Mesmo distante, Ă s vezes, nĂłs estĂĄvamos sempre juntos. Eu torcia por vocĂȘ, vocĂȘ reclamava de mim, a gente se motivava, se queria, cuidava um do outro, mas de repente isso tudo acabou, e mudou o jeito como nos relacionĂĄvamos. Eu te conhecia tĂŁo bem e agora somos completos estranhos. TĂŁo esquisito isso, nĂŁo? Acho que se nos esbarrarmos na rua, deverĂamos nos apresentar de novo. Eu nĂŁo mudei, mas vocĂȘ mudou. Mudou sim, muito. Quer apostar? Se vocĂȘ decidir aparecer de novo vai perceber que tudo estĂĄ no mesmo lugar. Eu continuo morando no nÂș 13 daquela rua sem saĂda. Meu celular Ă© o mesmo com DDD 21 e final 59. Eu ainda nĂŁo consigo comer legumes, frutas ĂĄcidas e feijĂŁo por cima do arroz, nem estou me esforçando. Continuo torcendo pro Bull's e pra Ferrari, aqueles lutadores americanos engraçados, e ainda detesto Football. NĂŁo larguei o vĂcio em cafeĂna; ainda nĂŁo bebo cerveja, mesmo com o plano diabĂłlico dos meus irmĂŁos para que eu largue o whisky. Ainda perco noites de sono jogando video-game, lendo ou me autodestruindo com pensamentos aleatĂłrios sobre como eu poderia mudar completamente o que eu estou fazendo pra ficar ainda melhor e maior. NĂŁo acredito que vocĂȘ achou que um dia eu iria parar de escrever? Eu escrevo como quem troca de roupa. Teimoso? Perfeccionista? Procrastinador? Claro que sim, e ainda tenho pavor de ser esquecido. Ainda gosto de filmes de terror, de questionar o universo e aikido. Ainda continuo achando que minha alma ficou presa numa embolia temporal entre os anos 60-80. Continuo tendo dificuldade de falar de mim, de aceitar a idiotice dos outros e de responder perguntas retĂłricas. Enfim, eu ainda sou o mesmo. Por incrĂvel que pareça, o mundo mudou, mas eu ainda nĂŁo. VocĂȘ nĂŁo precisa me mandar recadinhos, ou tentar falar comigo pelas outras pessoas, chamar minha atenção de longe. JĂĄ pensou em aparecer por aqui? Posso nĂŁo te colocar no lugar mais sagrado do meu coração, mas sempre vou te receber, e respeitar a importĂąncia que vocĂȘ teve pra mim. Mas tem uma coisa⊠nunca, em hipĂłtese alguma, venha questionar o porquĂȘ mudei, pois, eu ainda sou o mesmo que vocĂȘ deixou pra trĂĄs por nĂŁo te interessar mais naquele momento. đđâđ
Ainda me espanta perceber que um sentimento tĂŁo forte e intenso, possa simplesmente desaparecer de dentro do peito com o tempo. Quisera eu que fosse... đđâđ
E vocĂȘ? TĂĄ sozinho por quĂȘ? đđâđ
Mas tem coração que Ă© vagabundo...đđâđ
"Ever just the same, ever a surprise, ever as before and ever just as sure as the sun will rise..." đđâđ