Eu o odeio, por simplesmente não odiá-lo.
Eu poderia citar inúmeros motivos pelos quais eu deveria odiá-lo, poderia recitar as mais complexas poesias e trechos acerca do assunto, assim como poderia citar apenas os dez principais, como em um dos meus filmes preferidos, mas não, eu vou engoli-los um a um, para que você não tenha o gostinho de ainda me ver remoendo em você.
Já que um dos motivos pelos quais eu odeio você é o fato de que você ainda tem um certo poder sobre mim, tanto no âmbito emocional, como as vezes meramente no aspecto físico, e eu não sei nem sei bem o porquê o meu corpo reage ao seu, apenas sei que ainda sinto esta tua influência.
Acredito que nunca vou de fato entender essa história de odiar, até porque de fato eu não te odeio, apenas te tenho como um incomodo, uma ferida daquelas sabe? Que puxamos as casquinhas por prazer e depois começa a arder? é o que tenho em relação a você, é simples, prazeroso, no entanto momentâneo. Sabe o momento em que a Kat recito os motivos para odiar Patrick e o 10º ela diz “eu odeio principalmente não conseguir te odiar”. Eu nunca havia compreendido essa frase, não de uma forma visceral e emocional.
Porque nesse presente eu te odeio.
Odeio a forma que você ainda consegue controlar as minhas emoções e pensar, assim como odeio o fato de que você inicia diálogos sem a intenção de ousar terminá-los, odeio o fato de que as vezes eu pareça fisicamente incapaz de te manter numa distância segura o suficiente de mim, odeio o fato de ainda te recordar passeando pelo meu corpo.
Eu odeio todas as palavras que você me disse e não teve a coragem de retirar, eu odeio todas vezes que você escolheu simplesmente não se desculpar, odeio como ousou me culpar, pelo fato de você não ter escolhido ficar, sabe eu odeio, detesto algumas coisas, alguns porquês sem respostas, alguns “e se”, algumas indeterminações, e eu sinto muito se de fato tudo isso lhe incomoda, mas eu não consigo gostar do fato de eu ter que conviver com as sequelas da sua estadia.
Eu de verdade consigo odiar como você não assumiu suas responsabilidades, como você não pensou em mim, o fato de você nem sequer me procurar para se explicar, odeio como você me deixou como se eu realmente tivesse feito algo imperdoável contra a sua pessoa, odeio como você deixou que eu carregasse esta culpa e não se prenunciou a respeito.
Eu odeio o fato de pôr um momento ter te escolhido, odeio seu desdém, e sua indiferença, odeio o fato de pôr um momento ter sonhado em te ter realmente ao meu lado, é que de alguma forma eu sempre pensei que estávamos destinados a ser “nós” por alguma força cósmica que sempre pareceu orbitar ao nosso redor. É isso que posso dizer eu te odeio porque você provou que o amor não existia, não da forma que escrevia e você podia ver em meus olhos.
Eu odeio como você disse que gostava de todas as coisas pelas quais eu era mais insegura sem nem eu precisar te dizer, odeio o modo que validou minha escrita e eu não mais conseguir escrever sem pensar em ti, eu te odeio porque você me fez me sentir especial e simplesmente se foi, eu te odeio porquê da última vez em que eu te vi, o seu beijo ainda me causou arrepio e o meu corpo desejou o seu como nunca antes, eu te odeio pelo fato de você ainda conseguir “me molhar”.
Mas acima de tudo, eu te odeio por não te odiar, por ainda gostar da sua presença e não preferir tua ausência, eu odeio como você consegue me deixar confusa a ponto de não saber o que quero, eu odeio o fato do meu sentir ser extremo, odeio o seu desconsolo nas noites em que meus olhos marejavam e o culpado era você, eu simplesmente odeio, e odeio demasiadamente o fato de que mesmo depois de tudo isso, eu ainda me faço disponível para você, hoje com menos frequência, eu odeio que eu ainda te deseja, mesmo que eu tenha o conhecimento de que é meramente isso , desejo, porque por mais que eu odeia admitir eu sempre tive um fraco por tudo que eu não posso ter.
Por fim eu odeio que lá no fundo eu escreva só para passar o sentimento cotidiano de estresse que me invade por culpa tua, eu odeio não ser capaz de transformar toda minha raiva, e desilusão, e desapontamento e frustração em uma força propulsora que me leva para longe de tudo e de todos e principalmente de você. Eu odeio por fim, o fato de eu pensar tanto nas possibilidades do que poderíamos ter sido, do que deveríamos ter sido ou ainda do que eu queria que tivéssemos sido e, no entanto, não podemos, não deveríamos e não somos.