﹙✸﹚ pelos deuses! aquele ali passeando na praia é HÉSTIA? ah, não, é só SABRINA VILLASBOAS, uma ADVOGADA nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os 30 anos nesse novo corpo, segue tão ACOLHEDORA e INFLEXÍVEL quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito JULIA DALAVIA? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
﹙✸﹚ INTRODUÇÃO
nome: sabrina villasboas; idade: 30 anos; gênero: mulher cis; orientação sexual: bissexual; profissão: advogada; local de nascimento: rio de janeiro, brasil.
﹙✸﹚ HEADCANONS
Ἑστία — virgin goddess of the hearth and the home.
Desde a tenra idade, ainda que agraciada com os privilégios da elite carioca, Sabrina se deparou com sua vida fadada às estruturas familiares arcaicas, as quais reduziram o papel feminino ao casamento e maternidade, sem a possibilidade de caminho distinto. De fato, nascer numa família abastada tornou a vida de Sabrina mais simples e encurtou o caminho para conquista de determinados espaços; no entanto, ainda que se esforçasse para se sobressair em suas vontades, como a escola, esportes e gostos comuns de uma menina que está descobrindo o mundo, seus pais lembravam-na que não devia perder tempo com futilidades. Sendo caçula de seis irmãs, foi obrigada a assistir, uma por uma das mais velhas, tornando-se esposas e mães. Obviamente, não era um problema quando se tratava de uma escolha do indivíduo, mas Sabrina sempre soube que não havia direito de escolha. Era imposto.
Quando sua terceira irmã mais velha se casou, Sabrina, com seus 10 anos, assistiu à garota renunciar a todos os seus sonhos de tornar-se atriz; das aulas de teatro, a dedicação aos pequenos papeis, o brilho nos olhos quando se via na televisão, protagonizando ainda que um pequeno comercial, esquecidos pelo véu e grinalda. A referida irmã se tornou sombra do marido e, posteriormente, a mãe que tinha metade de seu dia tomado por choros ininterruptos e privação de sono. Foi quando decidiu que não era aquilo que almejava para seu futuro. Obviamente, a decisão de focar nos estudos, a princípio, pareceu aprovada pelos pais. Era ótimo que alguém pudesse herdar o dom da argumentação que o patriarca dominava. No entanto, conforme os anos passavam, ainda que Sabrina fosse uma aluna exemplar, as visitas das enormes famílias de suas irmãs — que fizeram na perceber que odiava visitas e ser uma boa anfitriã —, as expectativas dos genitores em deixar seus planos para trás e começar a se preocupar em casar-se aumentava.
Sabrina preferiu nadar contra correnteza. Com os privilégios do dinheiro, graduou-se com honras aos 22 anos em direito e prontamente ingressou em um renomado escritório do estado. Ainda que seu pai fosse dono de um renome indubitável entre os juristas, Sabrina notou que trabalhar com a família era um mártir o qual não estava disposta a lidar. Queria distância de tudo aquilo que tornaria suas capacidades questionáveis aos olhos das sociedades. Estava disposta despojar-se de todo privilégio e nepotismo apenas por uma dose de paz e liberdade. E com esse intuito, passou a viver pelo trabalho. Sua estabilidade profissional foi produzida através do esforço e da perspicácia, mas, mesmo assim, seus familiares ainda esperavam um momento em que ela “voltasse ao seu juízo” e percebesse que sua vida era infeliz. Mas somente ela sabia o quão feliz era vivendo com seus gatos, plantas e os inúmeros processos que tiravam seu sono.
Aos 25 anos, as cobranças sutis se tornaram avisos de que estava começando a envelhecer e que em breve não seria mais atraente o suficiente para um homem de boa família; agora, aos 30, Sabrina está vivendo um verdadeiro inferno. Alfinetadas sobre alfinetadas em jantares de família. Seus pais sentem prazer em culpá-la pelo término caótico com o último namorado — há anos atrás, fruto de uma traição descoberta por Sabrina, que levou o ex-companheiro a, inclusive, contratar um carro de mensagens para berrar, em frente ao fórum onde realizava audiência na fatídica data, que sentia muito —, por sua vez, suas irmãs costumavam a dirigir-lhe piadas com teores reducionistas, voltadas ao “prazo de validade” para engravidar. Pelos deuses, apenas a ideia dava-lhe calafrios.
Buscando afastar-se da pressão familiar, Sabrina passou a assumir mais casos. Em pouco tempo, viu-se cumprindo cargas horárias exaustivas para que o tempo de pensar na loucura que sua vida havia se tornado fosse reduzido. A decisão, no entanto, se demonstrou contraprodutiva. Por um lado, não tinha tempo para frequentar as casas dos familiares, mas, em contrapartida, a doença ocupacional veio antes mesmo que ela pudesse entender qual era o motivo do seu grande desgosto pela vida. Havia desenvolvido síndrome do burnout.
No final das contas, todas as suas tentativas de se livrar da obrigação que lhe fora imposta pareceu pouco frutífera. Agora, além de lidar com a incansável insistência dos pais e das irmãs, ainda estava emocionalmente doente e, obviamente, ao invés de ser cuidada, foi rechaçada. Diante do profundo cansaço, resolveu tirar um ano sabático na Grécia e colocar sua vida nos eixos novamente. O status de sócia da advocacia que trabalhou por anos lhe permitiu que pudesse flexibilizar parte de sua agenda para tal fim. Talvez fosse visto como fuga de sua realidade, e talvez até fosse, mas Sabrina precisava se dar o luxo de poder viver apenas para si mesma, conforme as configurações que julgasse mais convenientes. Que Santorini pudesse lhe dar a merecida paz.



















