𝙳𝚊𝚏𝚗𝚎 - 𝙽𝚊 𝚖𝚒𝚝𝚘𝚕𝚘𝚐𝚒𝚊 𝚐𝚛𝚎𝚐𝚊, 𝙳𝚊𝚏𝚗𝚎 𝚎𝚛𝚊 𝚞𝚖𝚊 𝚗𝚒𝚗𝚏𝚊, 𝚏𝚒𝚕𝚑𝚊 𝚍𝚘 𝚛𝚒𝚘-𝚍𝚎𝚞𝚜 𝙿𝚎𝚗𝚎𝚞 𝚎 𝚙𝚛𝚒𝚖𝚎𝚒𝚛𝚘 𝚊𝚖𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝙰𝚙𝚘𝚕𝚘, 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚏𝚞𝚐𝚒𝚛 𝚍𝚘 𝚍𝚎𝚞𝚜 𝚜𝚎 𝚝𝚛𝚊𝚗𝚜𝚏𝚘𝚛𝚖𝚘𝚞 𝚎𝚖 𝚕𝚘𝚞𝚛𝚎𝚒𝚛𝚘.
pelos deuses! aquele ali passeando na praia é DAFNE? ah, não, é só CHARLOTTE "CHARLIE" FIELDS GONZALES, uma faz tudo / florista nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os 25 anos nesse novo corpo, segue tão aventureira e autodestrutiva quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito maia reficco? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como FUNCIONÁRIA do nosso hotel!
who's that girl?
- Algumas pessoas já chegam ao mundo com sorte, seja de nascer em berço de ouro, ou então em uma casa cheia de amor e risadas, Charlotte teve azar, muito azar, e aprendeu muito cedo que um lar nem sempre oferece abrigo, muitas vezes, ele só te ensina a ter fôlego o suficiente para correr para longe. Charlie cresceu em uma casa onde o som mais comum era o das coisas se quebrando e vozes altas. O pai, afundado em dívidas e raiva, a fazia sentir como se estivesse sempre pisando em cacos e uma bomba fosse explodir a qualquer momento, sua mãe por outro lado resolveu desaparecer, de um dia para o outro, e junto com ela, levou qualquer ilusão de havia uma saída que não a fuga. E como se fosse o esperado dela, após uma explosão do pai que a deixou com dois dedos quebrados, aos quinze anos, seguindo os passos de sua mãe, Charlie fugiu, não sabia exatamente para onde ia, só sabia que não podia mais ficar.
- Nos primeiros anos, sobreviveu como deu: dormiu em sofás de amigos, em estações, em quintais, qualquer lugar parecia melhor do que sua casa. Ela fez o que pode para se manter viva, usando as poucas habilidades que aprendera com o patriarca para isso, ela trocou favores, consertou carros, cuidou de cães, tatuou gente que conheceu por acaso, o que precisassem ela dava um jeito de fazer. A rua a ensinou muito, a ser leve e desconfiada ao mesmo tempo, também desenvolveu um senso de humor rápido, uma energia contagiante e um talento quase mágico de se misturar onde quer que fosse. Ela era uma daquelas pessoas que você conhece num bar e sente como se já fizesse parte da sua vida há anos, e esse talvez fosse o seu melhor truque: nunca deixar ninguém saber o quanto ainda estava fugindo.
- Viajar virou mais do que um estilo de vida, era uma necessidade inerente, a cada cidade nova era uma versão ligeiramente reinventada de si mesma, sempre com uma boa história para contar sobre como havia chego ali e como sabia fazer tantas coisas, uma profissional de resolver problemas alheios. Havia algo de vício em estar sempre em movimento, o coração acelerando entre aeroportos, barcos e estradas de terra, e também tinha a adrenalina, ela amava uma boa dose de adrenalina, se tornou sua forma favorita de não pensar, o perigo, um substituto para o medo. Ela dizia que era “livre”, mas a verdade é que não sabia como parar.
- Charlie passou por muitos lugares, conheceu muitas pessoas e fez muita coisa, conhecer a Grécia sempre foi um sonho distante, um país que ela associava à liberdade e ao mito, talvez por se lembrar de ouvir sua mãe lendo sobre mitos gregos quando ela ainda estava ali. Conseguiu chegar lá após meses de pequenos trabalhos e uma boa dose de sorte, mas precisava continuar trabalhando caso quisesse se manter lá por mais tempo, e por sorte conheceu alguém que lhe indicou para um emprego no hotel Aletheia, que no momento precisavam de alguém que “fizesse de tudo um pouco”, e bem, Charlotte, aceitou sem pensar duas vezes. Em sua cabeça, ela repetia "Esse não é o destino, é só mais uma parada no caminho".
- Consertando canos e motores, cuidando das plantas do hotel, ela percebeu que talvez o movimento constante escondesse um tipo de medo mais profundo: o de criar raízes. E, pela primeira vez em muito tempo, começou a se perguntar se fugir sempre era a única forma de ser livre ou se a verdadeira coragem seria, um dia, decidir ficar.



















