Meu broder Paradoxo.
Mas não é que ele não se arrependia? Adentrava naquela vida alheia com os dois pés como quem já entendia intimamente do que se tratava. Tudo mentira. Não sabia de nada. Se se perguntasse, não conseguiria dissertar muito sobre o assunto. Mas fazia como se conhecesse. Era atrevido. Sem noção. Parecia uma criança.
Mas não se arrependia. Invadir a vida alheia lhe soava interessante. Ao mesmo tempo que conscientemente não sabia de nada, no fundo sentia que existia uma cumplicidade, uma ligação íntima sobre a qual não sabia falar direito. Estava cansado de problemas prolongados ao mesmo tempo que buscava os maiores problemas do mundo. Não aguentava mais se debruçar sobre os mesmos problemas ao mesmo tempo que não tinha nenhum interesse em problemas pequenos, efêmeros, vagos, vazios. Se envolver era uma diversão, por vezes dolorosa, sem sentido, racionalmente fútil. Mas adorava. Cuidado e precaução? Tinha alergia. Equilíbrio? Conscientemente tinha de sobra. Mas como estava quase sempre inconsciente… Ao mesmo tempo estava lúcido. Era possível? Totalmente emocionado e lúcido? O paradoxo andava com ele e ele o olhava como quem olha para um amigo de longa data, companheiro inseparável. “Vamo nessa que a trip é longa…”













