Parte 2
Mais um pouco da galera que participou.
Gratidão.
Viva a 2 de Julho!
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Parte 2
Mais um pouco da galera que participou.
Gratidão.
Viva a 2 de Julho!
Parte 1
Com nosso filtro no dia do desfile :)
Obrigado a todos que aceitaram participar!
Viva a 2 de Julho!
Numa data como esta, duzentos anos atrás, e em um dia que já nasce ensolarado, como a própria música já diz, houve o nascer da Independência da Bahia.
Finalmente os últimos colonialistas portugueses que tentaram manter seu domínio sobre nosso estado foram expulsos de solo baiano e mandados de volta para suas terras, bem longe de nós.
Esse evento canônico foi de uma importância tão grande que gerou uma comoção na sociedade da época e os próprios moradores dos arredores da Lapinha e região iniciaram, no ano seguinte ao fim da batalha (1823), as comemorações da vitória e da sacralização de nossa independência.
Duzentos anos se passaram desde seu primeiro festejo, e você sabe como foi o processo de construção dessa festa até ser o que é hoje?
É o que vamos descobrir, segue o fio.
Os festejos do 2 de julho hoje são desfiles cívicos, com sua organização feita pelo Governo do Estado e com a participação de várias instituições, inclusive de escolas estaduais.
Mas nem sempre ele foi assim.
A festa nasceu logo no ano seguinte da conquista como uma forma de comemoração pela vitória.
Quem participou foram os próprios combatentes e pessoas que participaram direta e indiretamente da batalha.
Eles repetiram os passos feitos pelos soldados e gritavam em vivas pela liberdade.
O caboclo entrou na festa dois anos depois, em 1825.
Em uma carruagem capturada na guerra e toda decorada com folhas de café, fumo, cana-de-açúcar e flores com a cor do Brasil, foi colocada a figura do Caboclo pela primeira vez.
Imponente. Guerreiro. Pisando na serpente*.
Era esta a figura da nação brasileira (baiana) naquele momento.
*Pisar na serpente era como pisar na tirania.
Com a influência do Orixá cultuado no Candomblé, e a presença indígena, o Caboclo aqui representa a identidade do Brasil.
Uma forma de dizer que não somos europeus, temos nossa própria nacionalidade.
Colocaram a Cabocla um pouco mais tarde (1846), como forma de representar também a influência feminina na confirmação da Independência.
Era um revigorante sentimento de pertencimento, de reconhecimento.
Junto a este sentimento, também veio o ódio contra os portugueses que viviam nos arredores da cidade.
Aconteciam até mesmo confusões entre gente que estava na festa e comerciantes portugueses.
Apesar das violências, a festa continuou acontecendo todos os anos, sobrevivendo à Proclamação da República.
Com o Brasil saindo da monarquia e entrando na República (1889), acontecem mudanças importantes na festa.
O Estado tentou utilizar a festa para introduzir o nacionalismo e o amor à pátria, o que teria dado certo, se não fosse a identidade baiana, que era mais forte que a brasileira.
Com o Estado fazendo parte, as elites acompanharam.
Assim, quiseram a inclusão do Campo Grande nas comemorações, pois ali naquela região seria o “Coração de Salvador”, e onde estava começando a se concentrar boa parte da nata baiana.
Em um processo de gentrificação*, toda AV7 e seus entornos começaram a fazer parte deste seleto grupo de pessoas, que quiseram (e foram) incluídos na festa do povo.
Por conta disso, o monumento ao Dois de Julho no Largo do Campo Grande foi inaugurado (1895).
*Gentrificação: Segregação socioespacial que impõe alto custo de vida a determinada região para que moradores sem condições sejam forçados a sair daquele lugar.
Infelizmente, a data nunca foi reconhecida como feriado nacional, ou sequer como importante para a libertação do país.
Como dissemos, houve diversas mudanças na migração pra República.
Proibiram o Bando Anunciador (1913). Tentaram até proibir a festa de acontecer.
Segundo eles, a verdadeira independência foi no dia 07 de setembro.
Mesmo assim, o povo não parou de celebrar o dois de julho, e eles foram obrigados a reconhecer a época como um feriado regional, de suma importância para seu povo.
O 2 de julho sempre foi dia de festa na Bahia.
É muito além de um desfile cívico, é uma comemoração, um dia religioso.
Uma mistura de carnaval, desfile e procissão.
Sagrado e profano, como o baiano é.
Viva 2 de julho!