Ontem eu morri,
e ninguém viu.
O céu seguiu girando com sua indiferença,
as estrelas piscavam como se nada faltasse,
como se o silêncio entre as constelações
não fosse só o eco do que eu perdi.
Os cometas passaram rasgando o céu escuro,
como promessas que nunca param pra ficar.
As galáxias distantes…
tão longe quanto as suas palavras
que agora viajam sem direção,
sem gravidade, sem mim.
Fiquei preso na órbita,
desalinhado dos seus mapas,
tentando entender em que parte do cosmos
fui deixado pra trás.
Os astros seguiram seu caminho,
as nebulosas continuaram nascendo,
como se o universo nunca tivesse me visto desmoronar.
E eu?
Eu fiquei aqui,
tentando respirar nesse vácuo,
onde sua voz não chega,
onde o calor da sua presença virou poeira estelar.
Ontem eu morri…
e hoje sou só o espaço vazio.

















