Documento número 0001.
Antes de cortar alguém pra se proteger, lembra que você pode desacelerar, é seguro ser vulnerável, você não precisa fugir, você tem ferramentas pra comunicar seus sentimentos, você não precisa sabotar uma conexão saudável.
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Documento número 0001.
Antes de cortar alguém pra se proteger, lembra que você pode desacelerar, é seguro ser vulnerável, você não precisa fugir, você tem ferramentas pra comunicar seus sentimentos, você não precisa sabotar uma conexão saudável.
carnavalnoir.tumblr.com carnavalnoir Eu não sei, acho que é o jeito silencioso. Como se existisse pra dentro. Algo assim, que chama a atenção e desperta uma curiosidade amorosa e um amor despercebido por ela. Como um ponto do universo inacessível e que as pessoas, algumas raras pessoas, ficam felizes apenas de saberem que existe, apesar de não ser possível a sua exploração. Acho que é, mesmo, o jeito silencioso. Porque não se trata de um muro inacessível, apenas de uma mulher muito carinhosa. Outra coisa é a altura. Acho que ela é responsável pelo abraço perfeito. Pelo encaixe anatômico: a coisa mais importante de todas; mas falo disso mais tarde. É que preciso falar da umidade do dia em que nos conhecemos de verdade. Lembro dos meus tênis molhados. A água da chuva fazendo as luzes refletirem no asfalto escuro como num espelho. Uma calçada para onde mini cachoeiras escorriam das paredes, dos vãos dos tijolos e das folhas das árvores. De conversarmos alguma coisa que esqueci, sentados no meio da rua, molhados. De ignorarmos totalmente, por um instante, o fato de estarmos perdidos. Acho que existe certa beleza em quem ignora. Essa pessoas nunca estão ignorando de verdade: elas apenas, talvez, estejam prestando atenção em outra coisa, como quando alguém deixa de reparar na lua cheia e lembra de procurá-la só quando está perdida entre as nuvens. Vai saber quantas vezes ela já não olhou pra lugar-nenhum nalguma mesa de bar? Algumas pessoas são tão bonitas quando sozinhas, quando você pode percebê-las em silêncio. Não é qualquer tipo de solidão, apenas. Mas acho que beleza deve ter algo a ver com o desprendimento delicado, a delicadeza desprendida de grandes intenções: o laranja do pôr-do-sol preenchendo metade do rosto dela, uma faixa de luz laranja entre sua boca e seus olhos, uma faixa de luz que só eu podia ver e jamais conseguiria descrever. Quando a pele parece conter uma estática. A maneira estranha que ela tem de dizer certas coisas, como esses dias quando me disse que “nós temos um belo encaixe anatômico”. E, apesar de saber que isso tem a ver com sexo, desconfio que existam encaixes anatômicos que determinam a existência de coisas profundas ou que apenas temos a intuição de serem profundas (a profundidade, inclusive, é uma metáfora oceânica e, por isso, úmida): a amizade precisa de um encaixe anatômico, para que os amigos caibam todos dentro do mesmo acampamento e em torno da mesma fogueira. Até mesmo a felicidade precisa de que o sorriso se encaixe no corpo. Talvez as coisas venham mesmo de fora pra dentro, contra toda minha tendência metafísica de ser e pensar. Primeiro o corpo, depois o resto. Se as fogueiras são a anatomia da amizade, os castelos de areia são a anatomia do tempo; a escrita é a anatomia da linguagem; banho de chuva é a anatomia da liberdade. E sempre chove quando nos vemos, desde o primeiro dia. Como se o mundo ficasse úmido com a gente. Engraçada essa metáfora. Eu, pretencioso, digo: Eis o tamanho do nosso sexo, que escorre pelas ruas. Mas também diria que tudo tem uma razão. Que nada é em vão. Que o mundo faz sentido. Valeu a pena o cantor ter composto essa música, que aquela pessoa sentada na primeira fila da catedral terá uma epifania elevadora, que não faz diferença se ninguém ir ao teatro ver as peças, que o poeta não perdeu tempo escrevendo poesia, que os revolucionários mudaram o mundo, que o amor existe e é possível. E ao mesmo tempo é simples, porque apesar de tudo isso ser verdade também é mentira e o amor talvez seja se surpreender falando para alguém que pegou no sono.
Lucas de Castro Quoos
Nunca escrevi pra você antes, por ironia, talvez seja o que mais me dá vontade de escrever
Mas cada vez que eu venho aqui, nada acontece
É difícil lembrar com outros olhos, olhos apaixonados, de uma coisa que sempre pareceu tão natural.
Teu corpo inteiro parece sob medida pra ser minha conchinha menor.
Tua mão é exatamente como eu queria que ela fosse e ela poderia segurar toda minha coxa de quisesse.
Dar beijinhos nas tuas costas sempre foi muito natural. Parece que conheço teu pescoço há muito tempo.
Com você, eu sinto que não preciso ser nada além de mim. Conforto é a palavra. Acho que amor deve ser isso.
Coisas que eu quero lembrar: sentar na areia e no pelego do restaurante e sentir que poderia subir no teu colo e ficar a noite inteira nele em qualquer lugar.
Quando a gente faz sexo de manhã e teu pau vai escorregando devagarinho e depois vai ficando mais fácil e mais gostoso até que parece que eu vou explodir e meu corpo vai brilhar por dentro.
Também tem uma coisa que eu quero esquecer. O fato de que não posso ter teu ombrinho pra beijar e me deitar sempre que eu quiser.
Coisas que eu quero lembrar: o cheirinho do teu pescoço, tua barba e teu cabelo tão preto que parece ter saído de um desenho animado. Os beijinhos no pescoço e o jeito que tu me segura quando eu deito no teu peito. O pôr do sol e o recorte do céu que eu vi quando deitei a cabeça pra trás no pedalinho.
O jeito como a conchinha encaixa direitinho e meu braço não dói. O jeito como teu pau encontra minha virilha e depois minha buceta e quando ele entra eu sinto um frio na barriga e quando lembro disso também. E a tua carinha e o jeito como tu bate na mesa e eu fico com tesão só de assistir tu sendo tu.
Benjamin Alire Sáenz, “To the Desert”
Acho que você tem que enfiar a cara na lama de vez em quando. Acho que você tem que saber o que é uma prisão, o que é um hospital. Acho que você tem que saber o que é ficar sem comer por quatro ou cinco dias. Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha. Acho que você pode escrever com satisfação e liberdade depois de passar pelo aperto. Só digo isso porque todos os poetas que conheci têm sido uns frouxos, uns parasitas. Não tinham nada pra escrever, exceto sua egoísta falta de persistência.
Charles Bukowski. (via versificar)
having plans sounds like a good idea until you have to put on clothes and leave your house
REBLOG.
Janela aberta emoldurando o céu e o teu corpo ao alcance da mão
essa tem sido minha memória quando eu quero suspirar
quando eu acordo e arrasto meu corpo pra perto pra cheirar teu pescoço e ver que não foi um sonho
e que tá tudo bem e que eu posso aproveitar tua pele por mais um tempo
e quando tu acorda também e pula pra cima de mim, borboletas
tu afasta minhas pernas com as tuas pra abrir espaço e eu quero congelar o tempo pra poder te sentir deslizando pra dentro por toda a eternidade
tudo escuro no meu corpo
e você lá dentro, fazendo brilhar
eu quero correr pra ti 24h por dia, até quando eu durmo
eu quero subir em qualquer meio de transporte e te encontrar pra jogar baralho de tarde todos os dias
e beijar tua testa e abraçar tua cabeça quando tu estiver chateado
quero te ouvir falar de coisas que tu gosta com os olhos arregalados e perceber que eu perdi uma parte do que tu falou porque tava admirando
eu amo o fato de que eu posso te admirar tanto e sentir tanto tesão ao mesmo tempo e as vezes os dois se confundem (ou se somam)
sempre que tu chorar eu quero te abraçar bem forte
e ser presente
e saber terminar esse texto de um jeito bom