
❣ Chile in a Photography ❣

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@westnotthinghill
{Flashback} Rise up and take the power back, it's time the fat cats had a heart attack | Aella & Thomas
aellacrouch:
Seu pai havia lhe ensinado desde muito cedo a sempre observar qualquer um com quem estivesse lidando. Amigos, inimigos, conhecidos e acima de tudo, aliados. Bartemius valorizava muito a lealdade e nem sempre ela vinha de bandeja, tinha que ser reconhecida e conquistada. Aella observava com atenção o outro garoto, o suficiente para perceber que confortável não era a melhor forma de definí-lo. Mesmo que focasse seus dons de observação nas coisas importantes, era inevitável não notar quem é que estava nos círculos sociais e quem não estava. Aquele garoto não estava, definitivamente não. Ela não se lembrava dele pendurado no lustre do salão comunal, ou dele esticando o pé a fim de fazer algum pobre magrelo tropeçar apenas pela própria diversão. Ele trocava o peso dos pés e se mexia beirando o desconcerto, da mesma forma que ela mesma se pegou fazendo, mantendo a posição rígida de braços cruzados e lábios crispados. Como quem não fazia a menor ideia do que fazer a seguir numa interação daquelas.
Aella sempre tinha uma resposta pronta para tudo. Pensar antes de falar era um dom que poucos tinham, mas o dom de Aella facilitava ainda mais. Ela nunca precisava pensar antes de falar alguma coisa. Para cada pergunta imaginável e inimaginável ela tinha uma resposta, uma réplica, até uma tréplica se lhe pegassem num bom dia. Esse era um dos muitos ensinamentos valiosos de Bartemius Crouch, que uma filha dele nunca poderia estar despreparada diante de nada. Entretanto, a resposta de sua suposta nova dupla não era nada do que ela poderia imaginar. Garotos sempre estiveram descreditados, pelo menos com ela. Não que fosse misândrica, ou que achasse numa superioridade feminina, mas ela acreditava em estatísticas e as estatísticas lhe provaram, durante os anos, que os garotos à sua volta não eram geniais ou sequer pensantes ou valiam à pena uma conversa. E então aparecia aquele ali, deixando claro que ela poderia se cuidar sozinha, que não a subjugava e nem lhe exigia um agradecimento ou algo em troca pela ajuda oferecida. E em minutos de conversa fez com que ela se sentisse melhor do que nunca - É… É meio chato - Coçou a nuca, sem graça com o momento e mais sem graça ainda de admitir que alguém estava certo.
Soltou uma risada desajeitada quando as visões de mundo dele pareceram se conciliar com as dela, e devagar, relaxou os braços contraídos - Thomas - Repetiu o nome, assimilando-o - Ah, bem, prazer em conhecê-lo - Repetiu a frase que ouvia sua mãe dizendo. Edith sempre dizia que Aella tinha que ser mais educada, e não que ela se importasse muito com o que sua mãe dizia, mas ela não queria afastar a primeira pessoa que tinha sido legal com ela em anos - Ah, eu não sorrio. Sou alérgica - Disse em tom sério, esperando o tempo exato antes de soltar uma risada que aliviou o peso da conversa - Dupla pelo resto da vida acadêmica. Sabe, eu gostei de como isso soa. Muito promissor. Eu sou Aella - O sorriso abriu-se devagar no rosto dela, pequeno, enquanto ela lutava para não lutar contra ele, porém sincero e significativo. Pendurou sua mochila nas costas e estendeu a outra mão na direção dele. Crianças (sim, porque era isso que eles eram) de treze anos não estendiam a mão assim, tão profissionalmente, quase formais. Mas Aella nunca soube se comportar como as outras pessoas e quase sempre, seu comportamento era uma exata cópia do que seu pai fazia. A conversa parecia fluir bem, exceto que antes que pudessem continuá-la, o professor Binns já estava os expulsando da sala como se eles fosse algum tipo de doença. Do lado de fora e com a porta batida na cara dos dois, Aella virou-se para Thomas - So… Don’t you want to… I don’t know…? - Aella gesticulou as mãos pelo ar sem jeito, tentando explicar algo que nem ela mesma sabia. Sair dali? Fazer alguma coisa? Ela não sabia muito bem o que faziam duplas, colegas, ou seja lá o que eles fossem. Mas a companhia de Thomas era de todo agradável e ela não queria perdê-la assim tão rápido.
Para Thomas, sempre fora muito fácil notar quando alguém o observava, sua vó costumava dizer que o menino tinha uma sensibilidade muito incomum e, mesmo não sabendo exatamente dizer o que aquilo significava, o sonserino imaginava ter algo a ver com aquilo. Portanto, se tornava mais fácil ainda notar quando alguém que está a sua frente lhe observa, principalmente quando esse alguém não faz muita questão de esconder isso. Mas a loira a sua frente o observava quase de um jeito frio, como se análise devagar todos os pequenos movimentos deles e os internalizasse para entender qual era o objetivo do sonserino. Mesmo não ligando muito, o moreno não deixou de se sentir um pouco incomodado com a atenção recebida. Principalmente por não ser acostumado com isso, uma vez que não tinha lá tantos amigos assim, na verdade, só tinha amizades com garotas, prova disso era andar tanto com Harriet, Christine e Cordélia. Então provavelmente não seria diferente com a loira a sua frente.
O silêncio de sua nova colega era um tanto quanto perturbador, com ele apareciam dúvidas na cabeça do garoto se realmente tinha falado algo errado ou se a menina simplesmente não tinha apreciado o ato impensado do moreno. O desconforto do menino era tamanho, que o mesmo se mexia de forma nada característica. Mesmo assim, ele continuava ali, esperando uma resposta da sonserina e torcendo para que ele não o tivesse achado um grande bobo por ter feito o que fez. Mas bem, Thomas sempre fora assim e não seria agora que iria mudar seus atos. Nott não poderia afirmar realmente entender a situação da menina, uma vez que nunca havia sido realmente vítima de nenhuma brincadeira por parte de seus companheiros de casa, preferindo não chamar atenção para si mesmo, sendo sempre educado com todos e não se metendo em demais problemas. Mas quase ninguém tinha aquela sorte, garotos da Gryffindor e Hufflepuff eram sempre alvo de chacota geral e aquilo sim poderia ser chamado de uma situação incômoda. - Sim, acho que podemos dizer que fomos selecionados para a casa com o maior número de idiotas por metro quadrado. - tentou mais uma vez, dando um sorriso encorajador a garota, como se dissesse que não tinha nenhum problema ela concordar com ele.
Quando ela repetiu seu nome, o moreno sorriu e assentiu, pensando em responder que era o mesmo nome de um filósofo, mas imaginando que talvez ela pudesse o achar um “sabe-tudo” por fazê-lo. - O prazer é todo meu. - respondeu automaticamente, como fora ensinado a fazer durante tantos anos por seus pais. - Quer dizer, o prazer seria nosso, certo? Enfim. - fez uma careta pela gafe cometida e ajeitou suas mãos na alça de sua mochila, não sabendo exatamente o que fazer com elas. Ao ouvir a resposta da loira, Thomas deu um sorriso entretido e arqueou uma de suas sobrancelhas, numa pergunta irônica e muda de “ah, é mesmo?” e logo os dois estavam rindo, o que tornava tudo infinitamente melhor e mais fácil para ambos os sonserinos. - É quase algo profissional, não acha? E dessa forma, você pode continuar jogando bolinhas de papel em quem vier nos perturbar, porque sou terrivelmente péssimo de mira, sem brincadeira. - riu mais uma vez e deixou que a leveza da situação tomasse conta dele, ficando realmente feliz por ter ajudado a loira mais cedo. - Aella. - dessa vez, foi a vez dele de repetir o nome dela, como se estivesse tomando consciência do fato. - É um nome bem legal, sabia? Eu gostei. - falou de forma sincera, ajeitando sua própria mochila e não deixando de ficar surpreso ao ver a mão da menina esticada em sua direção. Mas bem, era isso que os adultos faziam, não? Com um dar de ombro, Thomas esticou o braço e apertou a mão da menina no que ele julgava ser uma cena minimamente teatral. Os dois teriam ficado ali por muito tempo ainda, se não fosse pelo chato do Binns os enxotando dali. Thomas já estava se virando para sugerir a Aella que fizessem algo, quando a mesma o questionou sobre o assunto. Rindo, o menino assentiu e olhou rapidamente em volta. - Bem, acho que temos um horário livre agora, certo? Aviso logo que, segundo minhas amigas, sou um menino entediante que só gosta de xadrez e estrelas. Então não sei muito o que podemos fazer... - respondeu incerto, tombando a cabeça para o lado e encarando a menina. - Mas se tiver alguma ideia, sou todo ouvidos. Afinal você é a minha dupla pelo resto de nossas vidas acadêmicas. - sorriu e, de repente se tocou de que fazia horas desde a última vez que se alimentara. - Hm, está com fome? -
And you’ll know how the spells work | Thomas Nott & Jonathan Avery
eagleavery:
Pensava conhecer sua irmã, Jonathan realmente o fazia, mas tinha uma concepção distorcida pela saudade da garota de seis anos. Saudade de quando tinha dez anos e ninava uma pequena criança enquanto seus pais saíam para qualquer reunião mais importante que seus filhos (que eram todas, basicamente), de quando tinha onze e ensinava a pequena Clary a engatinhar, a pequena que sorria diante de suas caretas mesmo que tivesse chorando segundos antes. Tinha saudade daquela criança, daquela pequena criança que deixara em um ninho de cobras. Um ninho que domara ele próprio e que sabia, apesar de tudo, sabia muito bem o que aconteceria. Sabia em quem Clarissa viria a se tornar. Ela se tornaria exatamente quem eles queriam que ela fosse. Moldada em uma forma rígida que todos os Avery passaram em qualquer geração, uma forma que faziam todos daquela família ter semelhantes atitudes. Eram prepotentes, iam até onde conseguiam para conseguir o que queriam, não importando o custo. Tinham um lema, o seguiam a risca mesmo que sem percepção real. Todo Avery honrava sua família. Todo Avery agia como um Avery até seu último suspiro. Mesmo que mudado, Jonathan ainda sabia que tinha aquele garoto dentro de si, o garoto que nunca conseguira matar. Quem era o garoto? Era alguém que andava em cima das nuvens, rico, narcisista e usando tudo ao seu favor com o charme que sabia que tinha. Poderia passar-se por um half-veela que sabia que acreditariam, mesmo que fossem apenas seus genes lhe favorecendo, poderia sorrir um pouco mais docemente e ter o que queria. Ou poderia ameaçar com todos os músculos formados pelos anos de esportes e ainda chegar ao objetivo. Então, quando agarrava Nott pelo colarinho, erguendo a centímetros do chão, sabia que não era sua parte mudada que fazia aquilo.
Parou para ouvir Nott, mas realmente só realmente ouviu metade de suas palavras, porque sua cabeça girava entorno do que acabara de fazer. Tinha a atitude do que parecia ser um lobisomem em lua cheia, mudara com o humor. Mudara para seu pior lado, para o lado que odiava em si próprio. O lado que gostava de sangue, de dor e maldições imperdoáveis. O garoto em si que deixara esquecido em uma jaula como que por oclumência. Fechara os olhos por míseros segundos e tentara ouvir novamente em sua cabeça o que o garoto falara. “Sim, ela consegue.” Se afastou de Thomas, deu dois passos para trás, permitindo que o outro fugisse caso quisesse. Ou ficasse para ouvir o que tinha para falar. “Eu… Desculpe-me, Nott, eu pensei o pior de você. É o instinto, não de irmão, mas é o instinto de qualquer Avery. Pense o pior dos outros até que lhes provem o contrário, aprendi isso do meu pai quando tinha sete anos de idade.” Revelou em tom indiferente, era uma realidade comum para qualquer um em família pura daquele castelo. “Vejo que você é uma pessoa boa, Nott. Mas eu só não a quero envolvida nisso tudo, não quero ver o reflexo de mim mesmo quando tinha quinze anos. Eu era uma pessoa horrível, eu seguia esse dilema purista como a Palestina segue o Islã.” Descruzou os braços e começou a gesticular de acordo com suas palavras, talvez ali criasse um aliado, não um inimigo afinal. Nott estava com Harriet, uma de suas primas não tão ruins. Se estivesse envolvido com Elizabeth, por exemplo, já teria deixado seu olho roxo porque sabia o poder de Lizzie quando queria ser um monstro. “Acho que já a perdi, Clary. Perdi aquela criança de seis anos de idade, mas uma parte de mim ainda não quer deixa-la e… bem, age do modo que você presenciou.” Andou até a varinha do menor e jogou-a em sua direção para que pegasse no ar. Se quisesse ataca-lo, aquele também seria o momento, mas ninguém dizia que Jonathan estava com a guarda baixa, nunca ficava com a guarda baixa por ninguém além de sua irmã.
“Se eu lhe lançar uma maldição imperdoável não te deixaria sequer com a memória, idiota. Sofrer momentaneamente e depois sentir as dores e não saber o porquê é uma ótima maneira de tortura.” Dirigiu-lhe um olhar de nojo, mas depois retornou a postura anterior, como um lapso de maldade que o atravessara. “Aprendi com meu velho, Anastásia deve ter ensinado algo parecido para Clarissa também, então não pense que sairá ileso se realizar alguma gracinha por suas costas. Eu vou manter um olhar em você, mas também acredito que possa me ajudar, já que, por mais que eu reprove você ainda é noivo dela e está mais próximo do que eu poderia imaginar agora.” Suspirou admitindo algo que lhe doeu admitir. Não estaria próximo de Clarissa tão facilmente, mas ainda tinha a fina esperança de que um dia estaria. Um dia ainda lhe ajudaria como ajudava anteriormente, ainda poderia ter a oportunidade de verdadeiramente se desculpar por todo aquele tempo que passara na América, afastado. Poderia ter ido para a Inglaterra naqueles dez anos, visitar pelo menos uma vez por ano, ter reprimido aquele ódio que a criança de Clarissa começara a nutrir do irmão mais velho traidor. Poderia ter dado o que ela queria de alguma forma. Mas não o fez, não voltou para a Inglaterra e não estabeleceu nenhuma ligação porque sabia que de alguma forma seria pego por sua família se o fizesse. Seria pego e teria que se casar. Sua mãe lhe ameaçaria com chantagem emocional sobre o amor que ele sentia pela irmã. Diria que se quisesse continuando vendo-a, teria que estar fixamente ali. Imaginava todas aquelas vertentes porque no fundo conhecia muito bem seu núcleo familiar. E tinha medo daquilo, tinha medo e nunca admitiria tal coisa. “Faça o que eu não fui capaz de fazer, Nott. Se um dia eu for expulso do castelo, pelo menos quero saber se ela está em boas mãos. Porque se eu for embora novamente, eu nunca irei voltar, nunca mais voltaria sabendo que ela preferia que eu estivesse morto. Só me responda” deu um passo à frente, concentrando-se nos olhos alheios. Tinha nível apropriado de legilimência para lecionar, então sabia quando contavam mentiras tanto quanto sabia mentir. “ela está em boas mãos? Eu posso confiar em você, Thomas?”. Cruzou os braços novamente, falara em tom pacifico. Sabia que intimidar o outro o faria revelar uma verdade ameaçada, como cumprindo algo por dever e não vontade. Queria confiar em Nott, realmente o queria, mas primeiro podia tirar a prova por meio de sua legilimência aplicada. Era ainda melhor do que usar os frascos de veritasserum que tinha guardado em sua sala. Para entrar na cabeça das pessoas, era necessário apenas um contato ocular. Para ser minimamente bom em oclumência, bloqueio dos legilimentes, era preciso ter aulas. Afinal, poucos eram os que conseguiam bloquear legilimentes, o efeito da poção da verdade e até uma das maldições. Duvidava que Nott conseguisse tal feito.
Por mais que não quisesse, Thomas não conseguia deixar de sentir certa empatia pelo mais novo professor “temporário” de DCAT. Era uma missão árdua, principalmente levando em conta a abordagem nada educada do mais velho e o simples e irrefutável fato de Jonathan ser, em todos os sentidos, um Avery. Mas a empatia começava exatamente ai, pois assim como todo mundo, Nott bem sabia como as relações familiares poderiam ser complicadas e desgastantes, ele havia visto isso de perto. Além disso, ser noivo de Clarissa dava uma boa perspectiva sobre como os Avery funcionavam dentro de um ambiente familiar. Afinal, a própria Clarissa era uma pessoa extremamente difícil e o rapaz só podia imaginar que aquilo era fruto da criação de seus pais, que em todo o caso, era a mesma de Jonathan. Não que o mais novo dos Nott fosse atrás de saber da vida dos outros, e muito menos ainda Clarissa um dia falaria realmente sobre o que tinha acontecido de verdade com o irmão. Mas as notícias correm no mundo bruxo, especialmente quando essa notícia envolve uma família como a dos Avery, e logo era de conhecimento geral o que Jonathan tinha feito. Não que Thomas o julgasse, pois sabia o quanto era difícil ter que lidar com pais puristas e expectativas quase inalcançáveis dos mesmos, mas em sua posição de mais novo da família, ficava um pouco difícil, ainda mais quando seus dois irmãos mais velhos tinham saído de casa, o deixando a própria sorte no ninho dos Nott. O sonserino entendia, e com toda sua força de vontade procurava realmente o fazer, os motivos de seus irmãos terem saído de casa - principalmente no caso de Cyrus - mas pensava que, se fosse ele ali, se tivesse um irmão ou uma irmã mais nova em casa, teria ficado de um jeito ou de outro, Thomas não conseguiria nunca deixar alguém para trás. Mas nem por isso procurava julgar o irmão mais velho de Clarissa, principalmente quando aquilo não era de sua conta e provavelmente nunca seria. A única coisa que se passava pela cabeça de Nott era que, de certa forma, começava a entender um pouco mais sua noiva, e aquilo - pensava ele - deveria ser algo bom, afinal.
Thomas notou, com uma leve surpresa, que o professor começava a não mais prestar atenção no que ele dizia, era fácil dizer pelas feições de Jonathan que, embora se esforçasse, estava pensando em outras coisas ao mesmo tempo em que o mais novo dos Nott lhe dirigia a palavra. O sonserino não se importou, imaginava que fosse difícil ter uma conversa densa como ela quando o assunto era a irmã do loiro em questão. A pressão em suas vestes logo acabou e Thomas se viu livre para ajeitar seu uniforme e respirar direito novamente, em nenhuma intenção de sair dali até que a conversa estivesse definitivamente terminada. - Não tem problema, Professor. Entendo seu receio e sua posição na situação em questão. - respondeu de forma calma, não querendo causar mais nenhum atrito com o mais velho, fazendo o possível para evitar tal situação. - Acho que, talvez, ela já esteja bem envolvida nisso. Não posso afirmar que conheço Clarissa, acho que ninguém pode. Estamos noivos há algum tempo e, mesmo assim, sinto que somente conheço algum tipo de proteção que ela usa em si mesma. Ela é uma pessoa difícil, sempre com comentários ácidos para fazer, principalmente sobre a questão do purismo. Não estou dizendo que, não sei, ela seja um deles, mas definitivamente não é mais a irmã que você um dia conheceu. - suspirando, o menino passou a mão por entre seus fios, não queria dizer a Jonathan para não ter esperanças, como poderia? Mas se tratando de Clarissa, era realmente complicado e Thomas não tinha muita ideia do que poderia fazer de verdade quanto a isso, não era como se ela o deixasse chegar muito perto afinal, somente quando eram situações públicas e/ou convenientes, o que aumentava a certa distância entre eles ao mesmo tempo que diminuía. Mesmo assim, Nott precisava e desejava ajudar Clarissa, ele sabia que ela não era uma pessoa ruim, sabia mesmo, mas a sonserina precisava enxergar que seguir certas coisas - como o purismo - não era correto. - Ela não é uma pessoa ruim, Professor. Realmente não acredito nisso. Clarissa só... acredita em coisas erradas e realiza suas ações pelos motivos errados, mas é isso. E eu gostaria realmente de ajudá-la, mas não sei como, ela não me dá muitas brechas. - terminou em tom ameno e cansado, pegando sua varinha e a guardando com cuidado no bolso, confiando que Jonathan não tentaria mais atacá-lo, eram quase do mesmo time agora de todo modo.
O sonserino ignorou o comentário sobre maldições do mais velho e se contentou em não revirar os olhos - coisa que, aparentemente, era realmente muito difícil não se fazer perto dos Avery - pensou ele que, assim como Jonathan, Clarissa provavelmente saberia fazer o mesmo se não de forma pior, o que de certo era um pouco intimidador - como se a própria já não fosse. - Eu não faria nada disso com sua irmã, ou com qualquer uma aliás. Nós podemos não ter um noivado muito fácil, mas a respeito acima de tudo. - falou de forma séria, ajeitando sua bolsa nos ombros e olhando para Jonathan. - Não somos exatamente próximos, mas imagino que tenha razão. - assentiu devagar e se perguntou se o loiro tinha razão, por mais que não fosse algo fácil e mesmo que Clarissa não lhe desse brechas, os dois eram realmente mais próximos do que se poderia imaginar. Merlin, a menina já o conhecia como se fossem amigos há anos - não que ela se importasse - e Thomas tinha certeza que já havia percebido diversas manias de sua noiva somente pela convivência. Isso já era algo, afinal. O comentário do loiro deixou Thomas um pouco apreensivo e logo ele o olhava com certa curiosidade assustada. - Sendo sincero com você, Jonathan, não acho que Clarissa queira você morto. Mas sim que ela quer acreditar nisso, com todas as forças. - usou o primeiro nome do professor pela primeira vez em toda a conversa, tomando essa liberdade para tentar mostrar ao seu cunhado que estava realmente falando sério e que acreditava naquilo que dizia. - Sim, ela está. - falou com uma surpresa que também o surpreendera; pela primeira vez Thomas conseguiu perceber que de fato se importava com sua noiva, e de que faria o possível para ajudá-la. - E sim, você pode confiar em mim. E pode contar comigo também, gostaria de ajudá-lo se assim o desejasse. - finalizou com firmeza e sinceridade, olhando para os olhos de Jonathan.
Lady, where has your love gone? I was looking but can't find it anywhere | Bulstrode & Nott
cmxbulstrode:
Em todos seus dezesseis anos de vida, Cordélia jamais havia desejado algo com tanta força quanto desejava desaparecer naquele momento. Mesmos seus infinitos sonhos de encontrar o fantasma de William, ou de reviver a infância com os irmãos, tinham mais força do que sua vontade de sumir da face da terra naquele preciso instante.
É claro que a culpa daquele ímpeto a irromper e inundar as vontades de Bulstrode era o rapaz à sua frente. E não importava se ele estava à centímetros de si, se haviam vestes de festa separando a pele da sua, ou se ele sequer estivesse encostando as mãos nas dela. Cordélia podia sentir Thomas ali. Thomas e seu perfume, inundando seus sentidos, fazendo-a desejar fechar os olhos e se misturar naquele cheiro, para quem sabe então sumir de vez em meio à uma última lembrança. Por mais que tentasse bloquear a presença dele, mais o sentia. Sua respiração, seus batimentos. Ela desviava o olhar de encontrar o dele, mas ainda sim podia sentir as íris castanhas em si.
Era um inferno particular. Agridoce, irônico. Estúpida forma como alguém, alguém que tanto bem lhe fizera um dia, pudesse ser o mesmo alguém a causar tamanha mágoa em pouco tempo.
Bulstrode sabia que Nott não era culpado do que acontecia. Sim, havia uma parcela de culpas por Thomas jamais contá-la da iminência de um noivado, contudo, era o fato d’aquele ser um contrato que o isentava da culpa pelo ocorrido. Para Cordélia, a mágoa não era somente pela mentira de Thomas – mas pura e simplesmente pelo fato de que ele, seu Starlord, estaria em breve casado com alguém. E alguém que nem mesmo em um milhão de anos seria ela.
A ruiva não guardava mágoas da noiva do rapaz. Já havia visto a garota pelo castelo, sabia que era prima de Harriet e que em algum momento suas árvores até poderiam se cruzar. Se havia algo que sentia por Clarissa, era pena de que não pudesse ter conhecido Thomas melhor, que o casamento estivesse fadando ambos a se conhecerem somente após o compromisso. Seu problema, sua mágoa, era com o rapaz, e sobretudo consigo mesma. Por achar que poderia ter algo seu algum dia, e que aquele algo seria Nott.
No final das contas, seu amor por Shakespeare se refletia em sua relação. A ironia do autor e seus casos moribundos eram também os seus. Ela era Julieta diante de Romeu, Cleópatra diante de Antônio. E aceitar que o que lia era agora sua realidade, sem dúvidas, mostrava-se uma tarefa impossível.
Dizer aquelas palavras para Nott havia sido doloroso para Cordélia, e sua irresponsabilidade de lidar com a consequência da frieza de sua frase a fizera fugir dos olhos de Thomas, buscando uma rota de fuga para longe dele. Todavia, ele continuava ali. E, por todas as influências literárias!, ela também. Em seu íntimo, tudo gritava para que a ruiva saísse do lugar, que nada de bom sentiria diante da presença de alguém que não podia mais tocar, mas seus pés não se moviam e, portanto, só lhe restava ficar; rezando aos deuses mitológicos que o ar não faltasse em seus pulmões quando Nott resolvesse falar outra vez, como parecia faltar quando seus olhos captavam pelos cantos aqueles atos pequenos do sonserino em demonstrar todas suas manias diante do nervosismo.
Tal prece falhou no instante em que ele respondeu. O tom era ameno, mas Bulstrode o conhecera demais. Havia visto tantas partes do garoto, passado tantas noites com ele. Ela conhecia ele como ele conhecia as estrelas do céu noturno, como então cegar-se diante da mágoa daquela voz? Ele poderia não desejar demonstrar, mas ela saberia. Por um instante, Cordélia quis fechar os olhos e suspirar, os lábios trêmulos pelo esforço de manter-se calma, mas tal ato derrubaria todas suas barreiras por chão. Portanto, juntando forças que não sabia que tinha, a ravina apenas respirou cansada e voltou a olhar para Nott.
Os olhos dele a atingiram com tamanha força que Cordélia poderia ter caído para trás. Entretanto, firme, a ruiva continuou. Queria perguntar, queria fitá-lo com firmeza e ser fria o bastante para apenas soltar “O que você quer de mim?”, mas mesmo suas mágoas possuíam limites. Então, por uma vez, mesmo que não desejasse aquilo, Madeline ouviu. Cada palavra do sonserino fora ouvida, e à cada palavra dita a ravina queria entregar seus pontos e abraçá-lo. Se ela sabia que as coisas entre eles jamais aconteceriam novamente? Sim. Mas isso não significava que ela não desejasse cuidar daquele nervosismo dele, ou dizer que ele seria um bobo extremamente charmoso falando sozinho. As lembranças que cultivava de Nott existiam em número grande demais para simplesmente apagá-las. E, no fim das contas, velhos hábitos demoravam para mudar. Então Cordélia ouviu, respirando calmamente para não se permitir à nenhuma outra reação que senão a firmeza de seus olhos azuis nos castanhos, porém, como tudo o mais que dizia respeito a Thomas, suas defesas logo vieram para baixo novamente.
E, daquela vez, Madeline não conseguiu controlar. Esperava que o discurso do mais velho acabasse ali, então ela poderia seguir sem maiores dores, em um acordo silencioso de deixá-lo para trás enquanto ela seguiria. Mas o que viera por último dos lábios de Nott fez Bulstrode perder o ar, esquecendo seu controle para imediatamente desviar os olhos e cerrá-los ao tentar recuperar suas forças à medida que aquilo a atingia. “Sei que errei com você, Cordélia. Eu realmente sei, e entendo perfeitamente o motivo de me odiar agora. I hate me too.” Nott havia dito aquilo em um tom calmo, repleto de sinceridade e desespero, verdade, mas era justamente o que a voz masculina carregava que quebrou Madeline por completo. Ela não queria lidar com aquilo. Era impulsiva, esquentada. Mas também sensível e sem barreiras quando se tratava de seu coração, sobretudo diante daquele que ainda o carregava inconscientemente.
– Você sente muito, Nott..? – Incerta sobre o que fazer, a voz quebrada de Cordélia surgiu na indagação. Era um sussurro, mas o tom trêmulo da mágoa o inundava. Ela não queria ser má com ele, mas sua dor era maior que sua consciência naquele momento. Sem olhar para ele, com os olhos cerrados e a um passo de perder a luta contra as lágrimas, Bulstrode apenas continuou. – Você realmente sente? Porque essa é a diferença entre nós dois. Você sente muito, e eu ainda sinto o universo, Thomas. Mas enquanto você sente a culpa, eu ainda sinto a maldita influência da sua existência perto de mim. É tão difícil de entender?! – E, ao fim da frase, a derrota viera e junto viera o rastro amargo pelo rosto da ruiva. Era tarde demais para fingir que não tê-lo não a machucava; continuar insistindo naquilo só faria a mágoa aumentar mais. – Eu não quero suas desculpas, Nott, pode ir embora com elas daqui. Eu não quero saber se sente muito, ou se deveria ter me contado. A única coisa que eu quero é a única coisa que eu não posso ter, e se não é isso que nós teremos agora, então… – Entre um breve soluço, Cordélia pausou. A mão trêmula fora levada ao rosto para secar o rastro úmido e, só então, os olhos azuis buscaram os castanhos e, por um segundo, permitiu-se ver aquele rapaz de novo, antes de sussurrar seu pedido. Não havia raiva em sua voz, somente a sombra da dor. Ela nem sabia o que pedia para ele não fazer… Se era continuar ali, se era casar-se com alguém, ou se era para continuar parado e longe dela. Apenas pediu. – Don’t do it.
Tudo que ele queria, mais do que qualquer coisa que um dia já quisera, e isso se, como condição única, ele vivesse em um universo paralelo e muito, muito menos complexo que esse - talvez até mesmo com um verdadeiro starlord - era poder dizer não aquele casamento, pedir desculpas aos pais, dar um beijo sincero e cheio de desculpas na testa de Clarissa, e simplesmente viver o que quer que fosse, o que ela quisesse, com Cordélia. Somente isso. E ao mesmo tempo que era um “só” no mais singular possível, era algo praticamente inatingível e fora da realidade demais para sequer ser tangível.
Toda vez que Thomas fechava os olhos, com um suspiro entalado na garganta e milhares de “eu sinto sua falta” arranhando sua glote, ele via, em suas próprias pálpebras fechadas e cerradas com a força da dor, um tom de vermelho alaranjado. Mas não qualquer um, ou dos mais comuns, mas sim o tom dela, do cabelo dela, do modo que ele costumava enrolar seus próprios dedos no fios acobreados de Cordélia, ou de como ela, sempre com um sorriso tímido e os olhos azuis que mais pareciam caber o universo, o universo dele, colocava algumas mechas atrás da orelha, um sinal de nervosismo - um bom nervosismo, do tipo que ele costumava causar e que ela própria causava nele tão facilmente - Thomas era, em um todo, todas as partes que Cordélia havia deixado ali, impregnadas como o melhor dos aromas, tudo que ele sentia, de forma tão latente e dolorosa, era causado por todas as lembranças que tinha dela, a risada, a vermelhidão das bochechas da mesma quando corava, as noites passadas em claro, falando de constelações; parecia algo tão distante e, ao mesmo tempo, tudo isso se somava num emaranhado de coisas que ele considerava serem as melhores. Como ele poderia sequer não sentir a estrela mais brilhante de suas constelações?
Ele sentia, como se estivesse algo fazendo pressão entre suas costelas; toda vez que o ar saía de seus pulmões, Thomas sentia a falta dela, às vezes era sufocante, quase como um ataque de claustrofobia, outras - e essas situações eram realmente raras - ficava somente como uma pontada constante, um amargo e irônico lembrete de como se é fácil, fácil mesmo, se perder aquilo que mais se deseja. E de toda a forma, fosse ela pior ou melhor, era necessário prosseguir com aquilo, viver daquele jeito, se acostumar com o vazio em seu peito que era a ausência de Cordélia.
Queria Nott, portanto, estar sentindo somente a falta dela naquela dada situação, mas parafraseando algo que a ruiva diria em alguns minutos, o sonserino sentia o universo ali, com ela, tão encantadora e tão frágil, com a voz quebrada e os olhos azuis - a cor preferida de Thomas desde que olhou para ela - tão opacos e magoados. O ar saía de forma agoniante de seus pulmões, suas íris ardiam, os joelhos fraquejavam e a única coisa que ele conseguia fazer era olhar pra ela, e desejar com toda sua força que pudesse envolve-la em seus braços, beijar os fios ruivos dela e afirmar como única e irrefutável verdade que, apesar das idas e vidas, ele a amava.
A resposta de Cordélia viera como um soco rápido e eficaz no estômago, fazendo Thomas apertar as mãos no tecido de sua calça com força, respirando fundo algumas vezes para não arfar. Ele sabia, com toda consciência que ainda lhe restava diante daquela situação, e todo bom senso que ainda estava usando para não tomar a ravina em seus braços, que a intenção dela não era ser rude, ou lhe causar qualquer tipo de dor, por mais que ele merecesse. A dor só era tanta, para os dois, que às vezes certas palavras se tornavam necessárias. E ah, Thomas a conhecia tão bem, ele poderia passar o resto de sua vida detalhando Cordélia para quem pedisse, falando com propriedade e carinho sobre as sardas dela, as manias, o tom de voz que usava em diferentes situações, a chuva de cores que eram os olhos dela. Como poderia então, não sentir como se tivessem enfiado uma lâmina em seu peito ao ouvir uma voz, que outrora lhe trouxera um calafrio agradável e novo na base de sua espinha, tão quebrada e frágil? Carregando tanta mágoa e palavras não ditas que chegava a sufocar?
- I do. - respondeu com o último resquício de coragem que ainda tinha, evitando momentaneamente os olhos de Cordélia, sabendo que se olhasse para ela agora, não conseguiria, não mais. - Eu não sinto só a culpa, Cordélia, não fale como se não tivesse significado nada pra mim. Eu sinto tudo, absolutamente tudo o tempo todo! Eu não consigo respirar sem sentir a sua falta, não entende? - respirou fundo algumas vezes, desviando o olhar novamente e engolindo o nó que havia se formado em sua garganta. - Eu... Juro a você, Cordélia, que se eu pudesse eu... Nunca foi minha intenção te causar tanta dor, nunca e Merlin, se eu pudesse não existir nesse mundo só pra te fazer bem eu faria, Mad, eu faria qualquer coisa. - o gosto em sua boca era amargo, tamanho era o esforço que fazia pra não dar nem mais um passo sequer. But it was so goddamn hard. Principalmente ao ver, com uma dor maior que ele imaginava, que a ruiva chorava. Era tão injusto, que justo ele que tanto se importava com ela - mais do que se importava com qualquer um - estivesse lhe causando tanto mal. Thomas estava tão atordoado ao ver Cordélia chorar que quase não prestou atenção no que ela disse em seguida. Seus olhos castanhos demonstravam o quanto doía vê-la chorando, mas ele não conseguia fazer nada.
Em um impulso - um que passara a conversa inteira reprimindo - Nott deu, por fim, alguns passos para frente e com todo o cuidado e delicadeza que ainda lhe restavam, passou os dedos trêmulos pelo rosto molhado de Cordélia, secando as lágrimas da mesma e deixando que seus dedos se perdessem pela pele macia dela pelo menos uma última vez. - I can’t. - sussurrou com a voz quebrada, seu lábio superior já tremendo pelo enorme esforço que fazia para se manter minimamente estável. Thomas queria abracá-la, deixar que ela chorasse em seu ombro e mantê-la ali até que não pudesse mais. “A única coisa que eu quero é a única coisa que eu não posso ter, e se não é isso que nós teremos agora, então...”; ela havia dito antes e era tão estupidamente doloroso o quão verdadeiro era aquilo. - Eu nunca quis isso, Délia... Eu nunca quis nada disso. A única coisa que eu desejei tanto a ponto de fazer o que fosse, foi você. É você. - assim que sentiu, Thomas virou o rosto, fechando os olhos com dor e deixando finalmente que uma lágrima viesse a molhar seu rosto. - Eu recriaria todas as constelações, se isso te fizesse sorrir de novo. Eu... Eu vou parar de te procurar, prometo, não é justo contigo. - Não é justo comigo. Ele queria tanto abraçá-la que seus braços doíam, sua cabeça começava a zunir tamanho era o esforço que Nott fazia para continuar ali, ao mesmo tempo perto, mas tão, tão distante dela. Os olhos de Cordélia eram de um azul intenso e significativo, pareciam devorá-lo inteiro somente para colocá-lo fora de órbita de novo, de novo e de novo. Thomas sabia, do mesmo modo que sabia que dois mais dois é quatro, que não havia nada nesse mundo - e nem em outros, diga-se de passagem - que fosse capaz de apagar o que a ruiva significava para ele. E nem mesmo em um milhão de anos, em mil universos diferentes, ele esqueceria dela.
(Amar-te vai além da nossa galáxia, Menina dos Olhos de Estrela).
evnrsier:
Na verdade ‘tô desconfiando que sou o único descompromissado na Slytherin inteira. Será que ela tá me querendo? Estou sem par para o baile, pode ser uma opção.
Prefiro pensar que ela está ensaiando mentalmente um convite para me acompanhar ao baile. Faz bem para minha auto-estima abalada e me dá esperanças.
Acho que o grupo dos noivos desesperados não é mais tão restrito assim. Não que eu esteja desesperado, mas você deu sorte. Depende, se ela olhar pra cá mais uma vez a gente tem certeza. Mas se eu fosse você, não teria muitas esperanças.
Cara, sinto informar, mas se sua auto-estima está tão abalada a ponto de depender da MCGonagall, bem...
evnrsier:
Eu tenho certeza que McGonagall já deu umas três olhadas para cá. Ou ela está interessada em um de nós, ou estamos falando muito alto. E, se quer minha opinião, eu acho que você deve fazer o tipo dela.
Bem, de nós dois você é o único descompromissado. E considerando que McGonagall provavelmente tem medo do que Clarissa faria com ela caso ela demostrasse interesse em mim, e também que você fala mais alto que a maioria, diria que o tipo dela ta mais para os loiros.
Isso é claro, se ela não estiver somente querendo passar uma bronca mental em metade da sala. Fica a seu critério.
And you’ll know how the spells work | Thomas Nott & Jonathan Avery
Ter um noivo aparentava ser um fato bastante agradável aos olhos de Clarissa, de alguma forma Jonathan entendia porque ela sentia-se daquele modo. A família Nott por inteira estava comendo na palma de sua mão, estava controlando-os pelo dinheiro e aquilo dava nojo no mais velho Avery que lecionava sua última aula do dia. Passava das cinco da tarde, demorara um pouco mais na explicação de uma teoria e avisara aos terceiranistas sobre uma aula prática em uma das salas desocupadas do segundo andar. Seus alunos saíram em êxtase e não chateados por terem ficado mais tempos dentro da sala, aquela era uma estratégia que o professor usava frequentemente. Jogar as bombas para os últimos minutos e ver sorrisos felizes antes de ir para seu quarto. No entanto não estava contente naquele dia em particular, mesmo que o vento de inverno tivesse se tornado mais agradável, mesmo que tudo estivesse aparentemente equilibrado, ainda tinha um nó preso na garganta que simplesmente não conseguia vomitar. Depois de todas as suas conversas com Clarissa, crescera em si pensamentos homicidas que envolviam desfazer seu casamento. Claro que não se daria ao luxo de matar um aluno, mas não era porque não queria. Acordara com uma dor de cabeça pulsante, seu lóbulo frontal parecia ter ampliado de tamanho para espremer sua caixa craniana, e além de ter que dar aula logo de manhã, não notara que já era uma quarta-feira. Dia em que veria os rostos contentes de Slytherins e HufflePuffs em sua sala. Setimanistas, o que realmente queria dizer: sua irmã sentada ao lado de seu noivo aparentando a perfeição de um casal de adultos que assistiam a aulas ocasionalmente. Não tinha palavras para descrever o quanto estava apreensivo com aquela relação toda, o quanto imaginava que Thomas poderia estar fazendo-a mal ou o quão poderia fazê-la infeliz posteriormente. Se bem que, depois de algum tempo novamente dentro do castelo pudera perceber que a inversão de papeis também era bastante provável.
Recolhera seu material espalhado pela mesa, organizando-o pacientemente e por fim pegando a varinha para colocar todas as cadeiras em seu devido lugar. Odiava desorganização em sua sala, por mais que sempre havia alguma roupa suja jogada no chão de seu quarto. Os elfos constantemente reclamavam quando Jonathan esquecia-se de entregar as roupas para serem lavadas ou trancava a porta do quarto assim que saía, impedindo a limpeza nos horários apropriados. Mas ao todo não tinha culpa, era apenas acostumado demais com sua independência para esquecer até mesmo que havia pessoas trabalhando ao seu favor. Não mais precisava lavar as próprias roupas e fazer a própria comida, dez anos longe de todo o conforto de ser mimado o deixara individualista demais. Até mesmo quando estava com Kala cuidava de suas próprias coisas, fizera uma união com separação total de bens para não prejudicar a ambos e, já no fim da relação, não deixava que a mulher fizesse comida ou limpasse a casa. Não que fizesse isso anteriormente, muito pelo contrário, dividiam absolutamente todas as tarefas, mas passara a fazer tudo sozinho depois. E os dois anos seguintes que morou sozinho seguiram-se com aquele costume. Cuidava de suas próprias coisas, não importa o quanto aquilo custasse. Por isso, quando estava no corredor indo em direção à sala de Slughorn, tomou um caminho diferente pelas masmorras. Sabia que iria encontra-lo em algum lugar por ali já que deveria estar voltando de sua última aula. Encontrara a turma da Slytherin caminhando para o devido salão comunal e, no ato, avistara também Harriet e Nott conversando lado-a-lado. “Senhor Nott, senhorita Avery” cumprimentara a prima e ao garoto ao mesmo tempo, em um ar diplomático. “O senhor poderia me acompanhar por gentileza? Pode seguir caminho, senhorita Avery, isso pode demorar um pouco.” Completara em um tom firme, seguro e confiável e só seguira passos para um corredor não caminhado que dava em direção aos calabouços quando Harriet desaparecera de vista.
Por um momento apenas os seus passos eram escutados até Jonathan tirar a varinha da manga e desarmar Thomas sem dizer uma palavra. Era um irmão bastante protetor, afinal, não poderia deixar sair ileso um garoto que ele sequer sabia as reais intenções com sua irmã. “Estupefaça” um jato avermelhado saiu de sua varinha e não atingiu ao outro por pouco, Jonathan costumava ser bom em duelo, mas quando não conseguia de um modo, tentava de outro. Guardando a varinha de mogno puro no cós da calça, apressou-se em direção ao outro. Nott ainda era pequeno em relação a Jonathan e seus anos de Quadribol e treinamentos semanais. Tinha ombros largos, braços fortes, então não foi difícil erguer um garoto de dezessete anos do chão segurando somente em sua gola com apenas uma mão. “Escute aqui, e escute bem, Nott” começara sinistramente com o tom calmo que falara anteriormente, como se anunciando o que teriam de jantar. “Eu não vou repetir duas vezes” pressionou-o contra a parede e chegara perto suficiente para que não fosse atingido pelas pernas. “Se você fizer algo para a minha irmã, se tocar em um fio de cabelo dela sem a sua permissão, se traí-la, enganá-la ou chateá-la só um pouquinho…” Indicara o quão pouco estava se referindo com um vão minúsculo entre seu dedo indicador e polegar da mão canhota, a qual anteriormente estava prestes a ir até a jugular alheia. “Você entendera bem qual professor tem permissão para o uso de maldições imperdoáveis dentro desse castelo” separou-o da parede e tornou a batê-lo ali com força “E, acredite, não seria a primeira vez que eu faria isso. Avery não está somente na certidão de nascimento.” Sorriu abertamente, quase um sorriso insano para logo tornar a séria expressão anterior “Você me entendeu bem? Porque eu posso ser bem mais claro se precisar.”.
Passar os dias fatigados com a companhia de Clarissa estava começando a se tornar um hábito que, embora na maioria das vezes necessitasse de uma paciência quase que imensurável para o rapaz, nem sempre era tão ruim assim. E graças ao que quer que fosse, aquele dia de quarta se classificava no último dos quesitos, o que especialmente já tornava o dia em si um fardo a menos para se aturar. Clarissa andava agitada e um pouco mais distante e impaciente que o de costume, o que Thomas julgava ser por conta da presença de seu irmão mais velho, Jonathan. Não que ele e sua noiva conversassem sobre o que quer que fosse, principalmente a vida dela, mas era facilmente perceptível que a morena não tinha o irmão como o maior exemplo do mundo, longe disso aliás. A inquietação da slytherin podia não ser realmente algo fácil de se perceber, mas o Nott caçula já convivia com ela por um tempo até que considerável, o que facilitava a percepção do comportamento da mesma. A princípio, a chegada do mais velho dos Avery havia causado certa apreensão, afinal ele não só era o irmão de sua noiva, como também um professor e provavelmente um cara tão assustador quanto a própria Clarissa era quando assim o desejava. Mas passado um tempo, Thomas acabou por se acostumar com a ideia, mesmo que ouvisse coisas bastante suspeitas em relação a Jonathan - o que ele pensava ser coisa de Clarissa no fim das contas - mas mesmo não estando tão preocupado assim, o sonserino era esperto o suficiente para saber que, mais cedo ou mais tarde, seria procurado para ter uma conversa com o Sr. Avery.
Recolhia suas coisas de forma calma e organizada, ouvindo por vezes um grunhido de impaciência vindo de Harriet, que provavelmente só estava com fome e não tinha muita disposição de esperar o sonserino tanto assim. Se fosse Clarissa que estivesse ali com ele, só teria revirado os olhos e feito um comentário sarcástico que, finalizado com um “amor”, demostraria o quanto ela o achava lento e entediante, mas nada que ele já não houvesse escutado nos últimos meses. Por ser a última aula do dia, Thomas não estava com muita pressa e preferia seguir seu caminho de forma calma, mesmo que tivesse que ouvir as brincadeiras proferidas por Harriet. Dias de quarta eram geralmente mais calmos, uma vez que sua noiva quase não tinha as mesmas aulas que ele e os dois somente se viam em horários livres ou quando ela achava que seria de bom tom, o que pra Thomas não era exatamente um problema. Fora isso, a presença de Aella e Harriet eram agradáveis e com a ausência da primeira, o moreno deixava que a amiga falasse ao seu lado e ouvia com atenção, esquecendo de seus próprias problemas por algum tempo e somente apreciando o fim da tarde. Sua bolsa começava a pesar em seu ombro direito, no mesmo momento que os dois começavam, mais uma vez, a falar de Julian e de todos os problemas que aquele noivado tinha assim como a forma nada madura com que o mais velho dos Nott lidava com a situação. E por mais que Thomas amasse sua amiga, assim como seu irmão, e realmente entendesse a situação desagradável pela qual ela estava passando, não sabia dizer se era realmente o melhor momento para conversar sobre aquilo. E pela primeira vez em muito tempo, o sonserino desejou que Clarissa estivesse ali. E bem, ele conseguiu algo parecido. Algo com o mesmo sobrenome, mas umas três vezes do tamanho da mais nova e com um ar levemente mais assustador e sombrio. Definitivamente um Avery. Com um cumprimento rápido, Thomas o olhou. - Sr. Avery. - acenou para Harriet e deu um pequeno sorriso para a amiga, afirmando que estava tudo bem e ela poderia ir.
Thomas seguiu Jonathan sem muitos problemas, suas mãos ainda estavam enfiadas em seu bolso e o menino se perguntava, não de forma muito enfática, o que o irmão mais velho de Clarissa poderia querer falar com ele naquele momento, embora tivesse lá suas suspeitas. O sonserino fora desarmado de forma tão rápida que só conseguiu ter tempo de desviar do feitiço que se seguiu. Olhando para Jonathan com um olhar surpreso e realmente chocado, o moreno não conseguiu evitar de pensar em como ele e Clarissa se pareciam afinal. Jonathan não parecia realmente satisfeito e logo segurava o mais novo de forma nada sútil. Honestamente, pensou, os Avery e essas formas malucas de conseguirem o que querem. Thomas se sentia realmente irritado agora, por mais que entendesse a preocupação do mais velho com Clarissa, era claro pra todo mundo como a relação dos dois funcionava e Merlin, será que o loiro não conhecia mesmo sua irmã a ponto de achar que ele faria alguma coisa a ela? A vontade de Thomas era de se soltar, mas Jonathan era mais forte que ele e tinha uns bons 7 centímetros de altura a mais para compensar. Fora isso, o professor não parecia muito disposto a ser gentil com o noivo de sua irmã, e Thomas não tinha mais muitas condições de fazer qualquer coisa, não depois do modo nada gentil que Jonathan o empurrara na parede. - Com todo o respeito, Sr. Avery, coisa que aliás o senhor não teve, eu não sou burro e sou perfeitamente capaz de entender uma ameaça quando me deparo com uma. - falou de forma calma, deixando seu tom de voz ameno e esperando que o outro não voltasse a empurrá-lo. - Fora isso, não vejo real razão para toda essa cena. Levando em conta que sou capaz de conversar de forma amigável e creio que o senhor também seja. - com um pequeno sorriso cínico, coisa que só usava em situações como aquelas, ajeitou seu uniforme e voltou a encarar o mais velho. - Veja bem, não sei quanto tempo passou sem ver a sua irmã, e de verdade também nem é da minha conta, mas acho que está um pouco enganado sobre o que ela pode fazer. Clarissa consegue o que quer de uma forma ou de outra, e todo esse noivado segue de acordo com o desejo dela, entende? - deu de ombros e não esperou pela resposta do outro. - E de verdade, Sr. Avery, o senhor também não me conhece nenhum um pouco. E lhe garanto que não faria nada disso com sua irmã, ou com qualquer uma aliás. Nós estamos noivos e, mesmo que não seja em uma circunstância normal, respeito isso e respeito sua irmã acima de tudo, pergunte a ela se quiser. Fora isso, se eu ou qualquer garoto fizesse algo assim com Clarissa, ela mesmo daria um belo de um jeito de acabar com a minha vida antes mesmo de o senhor sequer piscar. - sorriu e ajeitou a bolsa no ombro. - Agora: Estamos entendidos ou vai tentar lançar uma maldição imperdoável em mim? Porque acredite, Sr. Avery, isso é tudo que sua irmã quer para lhe expulsar de vez desse castelo. -
{Flashback} Rise up and take the power back, it's time the fat cats had a heart attack | Aella & Thomas
aellacrouch
Ela odiava todo e cada um deles. Slytherins, no caso. Nunca havia conhecido um que valesse um galeão, eram a pior espécie de pessoa que havia e Aella se martirizava diariamente por não ter sido inteligente o suficiente para honrar seu pai e ter ido para a Ravenclaw. Mas no final do dia, não adiantava nada ficar se punindo por isso, até ela que era a pessoa mais autocrítica entre muitas, sabia disso. Quando o chapéu fazia sua decisão, estava feita e nada mais poderia ser feito sobre isso. Ela então teria que viver pelos próximos sete anos atrelada às mais odiosas pessoas de Hogwarts. E honestamente, Aella não sabia se podia ser pior do que isso. Pela quarta ou quinta vez - ela já havia perdido a conta - recebeu uma bolinha de pergaminho no cabelo. Eles achavam que ela não tinha percebido ainda, mas ela não era demente como eles, óbvio que não. Porém, a aula não iria parar para ela levantar e dar um trato naqueles idiotas, e todo mundo sabia que palavras não funcionavam para nada a não ser instigar ainda mais o punho fechado. As palavras de professor Binns já soavam distantes, enquanto ela dedicava-se a arte da paciência, uma que definitivamente não dominava. A voz de Binns foi completamente substituída pelas risadas de seus colegas atrás de si, e iam soando cada vez mais altas, parecendo derreter pouco a pouco a sanidade e paciência que lhe sobravam. Aella não tinha medo de uma briga, mas não gostava de desrespeitar as regras e sabia que se tomasse a decisão errada, significaria uma marca eterna no seu histórico. Mas talvez valesse a pena.
Antes que pudesse colocar seu punho em prática, alguém interviu por ela. Era um garoto. Aella não tinha lá muita fé em garotos, se não estavam jogando bolinhas de papel em seu cabelo, estavam o puxando, ou a empurrando, ou enchendo sua cabeça das palavras mais cruéis que conseguiam pensar - e não era nada beirando a genialidade. Feia, chata, nerd, feia de novo… Coisas do tipo. Mas aquele ali pareceu-a surpreender logo do começo. Desconfiada, Aella assistiu o garoto se impor, ocupando a cadeira ao lado dela. Piscou algumas vezes, um pouco confusa com a visão. A cadeira de sua dupla estava sempre vazia, permanentemente vazia. E depois de quatro longos anos, alguém tinha sentado ali. A visão não era tão desagradável assim. De repente, o sinal tocou e mais rápido do que ela podia acompanhar, o garoto estava de pé e seus desagradáveis companheiros de classe também. Aella levantou-se no meio daquele tumulto de pessoas que começava a sair da aula, e que parava ali para ver do que se tratava o conflito.
- Summing up: get out or my partner and I are gonna kick your asses until you become human beings again. And believe me, that’s gonna take much longer than one class - Lançou uma das bolinhas que estava em seu cabelo na direção deles, sorrindo com o mesmo cinismo de sua nova dupla, enquanto os atormentadores se afastavam. E por mais que ela odiasse ficar nessa posição, não podia deixar de se sentir aliviada com a ida deles. Virou-se para o garoto, com um olhar intrigado no rosto, dessa vez - Por que fez aquilo? Quero dizer, eu podia me virar sozinha - Tratou de adicionar rapidamente, cruzando os braços e olhando os Slytherin saírem pela porta, e voltou-se para o garoto novamente - Mas… Hm, por que? - Perguntou, cerrando os olhos e movendo-se desconfortavelmente. Ela sabia se virar sozinha, é claro que sabia. Mas não era por isso que queria estar sozinha o tempo todo - Foi… Bem legal - Completou, desconexamente, antes de apertar seus lábios um no outro, em busca de algo para dizer.
Paciência era uma virtude para poucos e, felizmente para Thomas, ele se encaixava nesse seleto grupo que a possuíam e usufruíam sem demais problemas. Sua vida toda havia sido dessa forma e o garoto nunca tivera muitos problemas, justamente por isso. Mas verdade seja dita, desde que entrara para Hogwarts e mais especificamente para a Slytherin, ter paciência podia ser uma tarefa diária bem árdua, levando em conta que boa parte de seus colegas de casa eram idiotas que andavam por ai achando graça de coisas estúpidas e se divertindo a custa dos outros. Bem, nada realmente muito diferente do esperado para o comportamento de jovens adolescentes do sexo masculino, mas aparentemente ao se entrar no ninho das cobras, você já perdia mais de 40% da sua capacidade mental se não fosse esperto o suficiente e, aquele grupo em específico de fato não era. Além do que, Nott não era o maior fã de injustiças do mundo, e facilmente se sentia incomodado com situações como aquela, o que o levava a fazer atos - muito vezes impensados, mas não menos corajosos e úteis - como aquele.
Parando para pensar, o sonserino não conseguia exatamente lembrar o nome da sua nova dupla, embora no momento aquilo não importasse muito. Tudo o que era realmente fresco na memória do rapaz, era o fato da menina quase sempre ser alvo de brincadeiras como aquela e de estudar mais do que qualquer aluno da idade deles. Não que Thomas se importasse com isso, teria o feito por qualquer um e somente se perguntava o porquê de não ter intervindo antes. A garota parecia surpresa de ver alguém ali, e de repente o menino já não tinha tanta certeza do que estava fazendo. Mas bem, ele havia começado e agora iria até o fim, nem que saísse dali com o rosto um pouco mais desfigurado que o normal. E ele tinha quase certeza que aquilo não iria acontecer, mas estava conformado caso ocorresse. E ao que parecia, sua nova dupla também estava pois, antes mesmo de o menino terminar sua fala, ela já estava de pé e proferia frases tão irônicas quanto as as dele. Carregando o mesmo sorriso no rosto, e Thomas soube que havia feito a coisa certa ali mesmo.
A bolinha lançada pela garota fez o sonserino sorrir ainda mais e prender o riso que segurava ao ver os demais saírem contrariados, logo ajeitando suas coisas na bolsa. Olhando para sua dupla novamente, Thomas abriu o primeiro sorriso sincero e simpático do dia, que logo murchou ao ouvir a frase proferida pela loira. E com um leve dar de ombros, o moreno suspirou um pouco sem graça. - Sei que pode se virar sozinha... Não é porque você é uma garota, e eu um garoto, que acho que precisa de mim pra qualquer coisa. - falou em tom ameno, não sabendo muito como lidar com aquilo. Não tinha muito contato com garotas fora Harriet e Cordélia, e elas eram certamente o tipo que não precisavam mesmo de garotos para alguma coisa. - Só é chato, não é? Ter que aguentar esses idiotas sozinha todo santo dia. Não quis dar uma de salvador da pátria e nem nada, só queria que soubesse que, mesmo não exatamente te conhecendo, apoio você nisso. Apoiaria qualquer um. - mexeu o nariz e trocou o peso entre um pé e outro, sentindo uma sensação de desconforto ainda misturada com a adrenalina pela situação vivida anteriormente. - Só acho que, sei lá, não precisa lidar com isso sozinha, entende? Nem todo mundo é idiota. Só uma grande maioria mesmo. - sorriu pela segunda vez, esperando ao menos ter uma reação mais positiva. - Enfim, sou o Thomas. E eu não desisto muito fácil, sabe? Só saio daqui quando me der um sorriso satisfatório, e somente se eu achar que foi bom o suficiente. - dessa vez, riu baixo. - E o seu nome também seria bom, pois acho que acabei de achar minha dupla pelo resto da nossa vida acadêmica. -
Aella Crouch and Thomas Nott's moodboard (Aella's point of view).
A series of moodboards about Starlord and his Ladylove:
1. {Before the first kiss/Thomas point of view}
“ - Carl would be quite saddened that you’d trade your own stars for someone else’s, but I would surely do the same in this case… We’re dust of the same star, you and I -
- But I’m not tredding my own stars for someone else’s, mademoiselle.You’re part of my stars”
Lady, where has your love gone? I was looking but can't find it anywhere | Bulstrode & Nott
clube-slugue:
Que Cordélia não desejava necessariamente estar naquele evento, era evidente. Não era nenhuma novidade que a filha dos Bulstrode não era a maior fã de ocasiões formais onde era obrigada a portar-se como uma dama – ou pelo menos tentar. Sobretudo uma ocasião do Club do Slug, que costumava enxergar os membros de seu seletivo grupo como pequenos troféus. Cordélia detestava aquela objetivização, contudo, ser fruto de uma família pureblood e uma aluna aplicada a caracterizava como membro do Clube, não obstante quanta vezes tivesse faltado às reuniões. Situação que não poderia repetir agora e, por desejar ao menos se divertir por uma noite, havia decidido convidar Dedalus para acompanhá-la; tendo em mente que ir com um de seus melhores amigos era muito melhor do que aturar a companhia de algum estudante purista com alma de trasgo.
O alívio de ir com Diggle, todavia, durara até que conhecidos o arrastassem. Wendy estava na festa, e Cordélia comentou tal detalhe com o amigo, permitindo que uma pausa fosse feito nas brincadeiras e comentários secretos de ambos para com os demais presentes, para que o amigo fosse cumprimentá-la. Nesse meio tempo, Cordélia avistara o melhor amigo sem a presença da ave de rapina que era a noiva. Como a promessa que o havia feito sobre impersonar seus personagens favoritos em peças shakespeareanas, Cordélia passou os minutos ao lado de Regulus buscando meios de fazê-lo rir; o que parecia ter funcionado até que o rapaz fosse puxado novamente por sua companhia, e restasse à Cordélia alguns minutos a sós.
Embora todos seus amigos estivessem ocupados, a jovem Bulstrode não recebeu aquele isolamento temporário como algo ruim, e analisava cautelosamente a mesa de bebidas, tentando descobrir quais haviam escapado de um possível batismo, quando ouviu uma voz chamá-la. Cordélia teria encarado aquilo de um modo perfeitamente normal, não fosse aquela voz pertencer a uma parte específica de suas memórias. E uma parte cujo efeito ainda era grande, não importava há quanto tempo não ouvisse-a dirigindo-se à ela tão diretamente.
O choque durou apenas um segundo, uma reação extremamente interna que pudera ser mascarada com o olhar repreensivo da ruiva para o caçula dos Nott, torcendo que sua clara falta de vontade de conversar fosse notada antes que ele percebesse o tremor súbito que tomara conta de suas mãos. Tentando disfarçar aquilo, a ravina pegou uma taça qualquer disposta na mesa, e buscou com o olhar ligeiro uma rota de fuga para aquela conversa, quando Thomas deixou claro seu esforço em conversar. Com um baile lotado e nenhuma companhia para salvá-la naquele momento, só lhe restava respirar fundo e fitar aquele garoto nos olhos. – Existe uma dezena de coisas das quais eu não sou mais fã, Nott. E não acho que conversar com você seja parte das coisas que eu ainda gosto de fazer. – A resposta viera calma, sustentada pelo olhar fixo das íris azuladas naquelas adiante, porém Cordélia logo tratou de desviar seu foco visual; fazendo menção de escapar dali antes que Thomas quebrasse mais uma vez suas defesas e expusesse uma fragilidade com a qual Madeline não queria lidar. Ser dura com o rapaz, que há muito lhe fora importante, não era exatamente fácil – porém aceitar a realidade da situação deles, após aquela mudança de parâmetros brusca e súbita, era mais complicado ainda.
O jeito que Cordélia mantinha suas íris azuis em Thomas era assustador - e esse não era realmente um adjetivo que caracterizasse a ruiva - não que o menino não entendesse o receio da ravina, ou o modo como ela havia o olhado e logo deixado sua atenção ir para qualquer coisa que não ele. Thomas pensava que, se estivesse na mesma situação da garota, provavelmente estaria fazendo coisa parecida. O sonserino não era o melhor dos exemplos quando o assunto era disfarçar seus sentimentos - nunca havia sido e não seria agora que conseguiria fazê-lo - seus olhos castanhos sempre o entregavam e depois de um certo tempo, o moreno parou de tentar. Com Cordélia não havia sido diferente, pois a partir do momento que falou com a garota, não conseguia mais repetir aquele mesmo ato sem esboçar um grande sorriso no rosto. Nott não tinha o costume de mentir, talvez por isso fingir sentir algo por Clarissa fosse tão difícil afinal, e em nenhum momento conseguiu mascarar o que sentiu por Cordélia. She was a part of his stars afterall.
Da última vez que os dois haviam estado ali, em um evento como aquele com um número monstruoso de alunos o cercando, as circunstâncias eram outras e o rapaz conseguia lembrar perfeitamente do sorriso que a ruiva o oferecia, assim como o braço que ela prontamente enlaçava no seu. Eles estavam juntos, no melhor e mais simples significado da palavra. Não haviam rancores, corações partidos e nem mesmo noivados e mentiras na época, e tudo parecia mais fácil para o amante de estrelas e sua garota ruiva que lhe explicava sobre seus comic books. Thomas conseguia lembrar do modo como os dois riam das roupas que os demais alunos usavam, assim como os comentários que o professor de Poções fazia e o modo como boa parte dos sonserino não sabia realmente dançar. Eles viviam em sua própria bolha, excluídos de qualquer coisa que pudesse atrapalhar a simplicidade que eram os dois.
Mas as coisas sempre davam um jeito de mudar e por mais que o menino tenha procurado adiar tudo aquilo, tudo acabou do mesmo modo que começou: Com as estrelas e lindos olhos azuis o encarando. Nem mesmo seu amigo William poderia ter salvado o caçula dos Nott daquela situação. Em pouco mais de um ano, ele estaria noivo e Cordélia continuaria sua vida sem ele, provavelmente achando novas constelações para se encantar. O sonserino não poderia culpá-la por guardar mágoa dele, ele que escondera tudo no fim das contas. Mas se pudesse, teria feito diferente e era por essa razão que precisava desesperadamente que Cordélia ao menos o ouvisse. Ele não conseguia suportar o jeito que ela olhava pra ele.
Um suspiro cansado escapou dos lábios avermelhados de Thomas, que engolia em seco e passava sua mão pelo pescoço em um gesto impensado que demostrava seu nervosismo em relação a situação. Em outro tempo, seu nervosismo perto de Cordélia seria por motivos completamente diferentes - que certamente envolviam a insaciável vontade do rapaz de beijá-la - mas lá estava ele, perto dela, nervoso e pelos motivos errados. Não era como se ele tivesse muita escolha no fim das contas. Com um sorriso um pouco incerto, virou o rosto para a ruiva e colocou uma de suas mãos de modo despreocupado no bolso. - Espero que seus comic books não estejam incluídos nessa “dezena de coisas”… - tentar aliviar a tensão não era realmente uma tarefa fácil, principalmente quando a ruiva parecia estar procurando um motivo qualquer para escapar dali. Thomas não podia dizer que não estava esperando aquilo, mas ouvir a resposta de Cordélia havia doído mais do que ele poderia imaginar. - Não, eu realmente não esperava que conversar comigo ainda estivesse na sua lista de coisas preferidas a se fazer - respondeu em um tom ameno, seus olhos castanhos eram um misto de tristeza e vergonha, encarando a vastidão que o azul das íris de Cordélia sempre havia representado. - Olhe, você pode ir embora e me deixar falando sozinho com essas bebidas quando sentir vontade, sim? Seria preferível que não o fizesse agora, eu iria parecer um grande bobo conversando sozinho, mas entendo caso o faça. - olhou para ela, querendo poder tomar sua mão entra as suas como há muito havia feito. - Sei que errei com você, Cordélia. Eu realmente sei, e entendo perfeitamente o motivo de me odiar agora. I hate me too. Eu só não queria magoar você, e acabei magoando ainda mais ao não fazê-lo. E eu sinto muito. Mesmo. - a sinceridade em sua voz era quase tão gritante quanto seu desespero, mas o menino não se abalou. Ao invés disso, se colocou na frente da garota, esperando que ela ao menos o olhasse uma última vez.
clarissaaverythings:
Ele não vai te matar, Nott. Não seja tão ridículo. Jonathan não te daria notas baixas, é muito certinho para esse tipo de coisa. Se ele falar com você sobre qualquer coisa, me diga e eu resolvo. Só isso.
Bem que ele tenta ser esse tipo de irmão. Só que isso, meu amor, não é um assunto que te diga o respeito e nem um assunto que vá te envolver, ou seja, não é um dos assuntos que nós conversamos.
Não, claro que não. Bem, eu também não vejo o porquê dele me dar notas baixas, considerando que somos noivos apaixonados e felizes. Capaz de eu receber algumas ameaças sim, mas nada que seja um problema.
Well, alright then. Mais um dos assuntos que não mais abordaremos, meu bem, como quiser. Só me avise com antecedência caso precise que eu fale algo com ele.
Sim, Thomas? Sim. O novo professor de DCAT é meu irmão. Ou quase isso. Eu te aconselharia a passar longe dele, mas não é como se Jonathan fosse fazer alguma coisa além de te olhar feio durante a aula.
De qualquer forma, não se preocupe. Isso não vai atrapalhar em nada. E logo ele vai embora, não precisa se preocupar.
Mas... Digo, tem certeza que ele não vai fazer absolutamente nada? Ouvi umas coisas estranhas sobre ele, e acho que é bem capaz que ele acabe me matando. Ele pode me dar notas ruins. Isso é um problema.
Embora? Ele faz o tipo de irmão super protetor? Porque se for, acho que isso pode ser um problema.
drewingupmylife:
The three stages of Hal Mason fangirling (insp)
Flashback | Hey, Jude, don't make it bad take a sad song and make it better | Jude & Thomas
jud3licia:
Jude gostava do fato de sempre servir como um exemplo a ser seguido para os seus dois irmãos mais novos, mesmo que nem sempre os seus pais o considerassem como o modelo de filho perfeito. Talvez até os treze anos de idade Julian Nott poderia ser considerado como o ideal de filho, exceto talvez por ter entrado na Ravenclaw quando a maioria de seus parentes e antepassados entravam para a Slytherin, mas isso não era praticamente nada se levasse em conta que ele era como se fosse um filho de ouro: aceitava as decisões de seus pais sem se questionar ou rebelar-se; seguia as regras e possuía um histórico praticamente perfeito em relação as suas notas. Bons tempos aqueles, pelo menos para os seus pais que não tinham com o que se preocupar. Contudo, bastou o garoto atingir os 14 anos para que a situação se invertesse. Era como se um espírito livre e questionador estivesse nascendo dentro dele. Foi a partir dessa época que Jude passou a arranjar alguns problemas de conduta em Hogwarts ao quebrar algumas regras, suas notas não continuaram tão boas como eram em anos anteriores (mesmo sendo da Ravenclaw ele necessariamente não tinha obrigação de ser inteligente como a grande maioria de seus colegas), e sempre que podia ele arrumava um modo de faltar os compromissos e festas organizadas pela alta sociedade bruxa, ele simplesmente já não conseguia fingir que gostava de ir a tais eventos.
Mas agora olhando para o seu irmão Thomas, sentado e sua cama balançando as pernas e com um olhar inocente sem entender muito bem o que estava acontecendo Jude se questionou se realmente estava sendo um bom exemplo. Talvez o fato de ter tido aquela briga com seu pai justo no horário em que Thomas se encontrava em casa não tivesse sido uma boa ideia, o mais novo não tinha sequer cabeça ou maturidade para conseguir entender os problemas e dilemas existentes na cabeça de Jude o que havia feito com que ele explodisse como uma bomba (metaforicamente, é claro).
Sentia-se péssimo pelo fato do mais novo estar presenciando tudo aquilo, e nem mesmo uma explicação totalmente lúcida poderia fazer com que Tommy se esquecesse daquilo ou pelo menos acreditasse que tudo ficaria bem no final, pelo menos era o que Jude imaginava pelo fato de conhecer muito bem o seu little brother. — Thomas, você não precisa se preocupar comigo. Eu sempre consigo dar um jeito, apenas confie em mim — se sua vida fosse um filme aquele seria o momento em que o rapaz iria perceber que fugir de casa era uma ideia mais complicada do que imaginava, e esse seria o ponto de virada em que ele iria optar por continuar vivendo junto dos pais e seguindo as regras impostas pelos mesmos. Porém, sua vida não era um filme em que terminava com todos os personagens felizes para sempre, não mesmo. O Nott não iria voltar atrás na decisão em que havia tomado, mesmo tendo certeza que iria enfrentar enormes dificuldades vivendo na Londres trouxa sem nenhum conhecido por perto e, principalmente, sem magia. — Eu ainda não sei como vou me virar, mas isso não muda o fato de que eu ainda vou embora, Tommy. Preciso sair um pouco dessa casa, tomar um pouco de ar fresco, conhecer novos lugares, pessoas e ter novas experiências — pelo tom de voz do mais novo Jude conseguia perceber que ele estava triste, o que tonava aquela despedida mais dolorosa. Ele amava seus irmãos e estava disposto a fazer de tudo por eles, mas naquele momento precisava dar mais ouvidos a sua felicidade por mais egoísta que fosse aquela decisão.
O silêncio do mais novo dos Nott nem sempre era interpretado da forma como deveria, muitas vezes seus pais, e até mesmo seus dois irmãos mais velhos, somente achavam que o menino se calava por estar chateado, ou não estar entendendo as coisas a sua volta. A verdades por trás disso tudo, era somente que Thomas sempre fora um garoto muito quieto, pensava demais e falava de menos, tendo o costume de guardar suas coisas e seus problemas para si, por mais pequenos ou insignificantes que fossem, o moreno os mantinha para si e, talvez por isso, fosse tão calado em momentos como aquele. Sua mente estava agitada, a procura de uma solução para aquele atual problema, embora no fundo ele realmente soubesse não existir nenhum, e que aquilo, seu irmão ir embora sem mais nem menos, também não se tratava, de fato, de um problema. Mas não deixava de ser uma perda, e como tal, era necessário que ela fosse sentida, por mais que doesse de um forma que um garoto, naquela idade com uma inocência ainda preservada em seu âmbito, não conseguisse entender ou relevar por saber se tratar ser o melhor para seu irmão naquele momento. E talvez por isso, ou por qualquer outra razão que fosse, quem sabe até o silêncio ainda instalado no quarto, que Thomas continuava observando as costas de seu irmão mais velho. “C’mon, Jude, you just need a really big cookie and everything will be just fine.”
Thomas ainda não tinha maturidade suficiente para pensar naquilo, mas logo agradeceria por Cyrus não estar ali durante a briga que logo resultaria na saída de Jude de casa. O irmão do meio poderia entender menos ainda e por mais novo que fosse, Thomas se preocupava mais com seus dois irmãos do que com que si próprio. E isso não era nenhum problema realmente, porém aquilo realçava sua dor de uma forma que, ainda, não era realmente entendível para ele. Sabia que Jude ficaria bem, que Cyrus ficara bem e que ele também daria seu jeito de ficar bem. Mas por que eles não poderiam simplesmente ficar bem juntos?
As paredes tão excêntricas do quarto do mais velho não ajudavam em nada na concentração do moreno, que conseguia lembrar perfeitamente de como sempre amara ajudar Jude em seus desenhos, mesmo que fosse somente para limpar seus pincéis ou incentivar seu irmão, afirmando que estava bom e que ele não precisava aperfeiçoar tanto assim as coisas. Mas aquele era Jude, que gostava das coisas no lugar, talvez porque nem sua mente estava no devido local. E era por isso, pensou Thomas, que ele estava partindo afinal. - Eu sei que você vai ficar bem, Jude. Não sou tolo, tudo bem? Sei que vai dar seu jeito. - suspirou baixinho e engoliu em seco, desviando seu olhar para suas pernas que não paravam quietas. But what about me? Com uma pequena parcela de coragem que ainda possuía, Thomas ficou de pé e terminou de ajudar Jude a arrumar todas as suas coisas, num silêncio que parecia atravessar os ossos do menino. - Se esquecer algo, é só avisar que dou um jeito de te mandar... Não vá partir sem os seus pincéis, sim? - falou em um tom carinhoso, sincero e baixo, finalmente olhando para o irmão e o abraçando de forma apertada, segurando o choro que não sabia estar segurando. - Só não esqueça de mim, tudo bem? Por favor. -
I came dressed to kill | thomissa | small para
clarissaaverythings:
- Não disse que é bom nisso. Eu sei que não é, mas noivas pedem ajuda para os noivos nessas coisas. - bateu palmas, apressando o garoto. Não era que ela não gostasse dele, na verdade era completamente indiferente as coisas que ele fazia ou pensava, desde que estivesse lá no altar e a engravidasse, tudo estava bem. Clarissa sempre soube muito bem que não precisava de ninguém para conseguir as coisas que queria, muito menos de algum homem. Aprendeu desde cedo que o sexo masculino era incrivelmente frágil e problemático. Em seus anos de aulas de etiqueta apressados, teve que ouvir seu pai reclamando do modo como falava e até mesmo das roupas que vestia, atualmente ficava recebendo cartas dele falando sobre queria que seu casamento funcionasse. Tolo, pensava ela, seu pai era um grande tolo se realmente acreditava que ela iria se apaixonar por alguém como Thomas Nott. O problema não era nem mesmo ele, pois o slytherin era até mesmo aceitável, o problema de verdade era que ela não precisava e nem queria ninguém em sua vida dando palpites no que deveria fazer. Ser uma mulher em um mundo criado para homens sempre foi difícil, crescer ouvindo como deveria ser portar e sobre como deveria até mesmo venerar os patriarcas de sua família, Clarissa orgulhava-se ao dizer que conseguia sobreviver naquilo tudo e ainda de quebra enganar seu próprio pai. - Não que sua opinião valha alguma coisa quando o assunto é o que eu visto, mas você entendeu, meu amor. - sorriu para ele. O senso de humor e de competitividade de Thomas deixava a Avery incrivelmente entediada. - Pelo menos sua mãe tem bom senso. - respondeu rindo. - Imagine eu ter que comprar roupas para você, amor. Seria incrivelmente complicado. E, alias, eu não faço caso nenhum, Thomas. Você que não sabe ser convincente o suficiente.
Vendo a pressa do menino para que ela saísse do quarto, Clarissa sorriu e pegou o primeiro vestido. Um longo preto liso de uma alça só, que tinha uma fenda na perna e era que ficaria ótimo do jeito que ela tinha imaginado. - Hm… - sorrindo para ele, voltou a colocar o vestido na cama e tratou de retirar sua roupa para poder experimenta-lo na frente do noivo. Nem um momento ficou com vergonha, afinal eles já iriam se casar mesmo, tanto fazia para ela o que ele pensasse ou sentisse em relação ao seu corpo e a ela. Quando terminou de se despir, colocou sua calça e sua camiseta em uma cadeira e foi, só com suas roupas intimas pretas, vestir o vestido. O tecido de seda deslizou por sua pele de forma macia e calma, ajeitando-o em seu pequeno corpo, Clarissa olhou-se no espelho e puxou Thomas para ficar ao seu lado. Terminou por ficar na ponta dos pés, tentando aumentar seu tamanho. - O que você acha?
A vontade de revirar os olhos e, juntamente com isso, suspirar da mesma forma que sempre fazia na presença da noiva foi substituída, de modo quase que treinado por parte do rapaz, por somente um pequeno sorriso que se erguia do lado direito de seu rosto, o que demostrava a calma do garoto diante da situação e da certeza de que nada poderia fazer para mudar aquilo. - Bem, se é dessa forma que funciona então, não vejo o porquê não ajudar. - assentiu devagar, não realmente esperando que Clarissa fosse entender ou gostar do modo que agia. Thomas não era tolo, e também por não ser isso e ter uma boa observação acerca do mundo a sua volta, não tinha dificuldades para perceber que sua futura esposa não era sua maior fã. Clarissa não media esforços para mostrar o quanto o achava chato, sem graça e o pior noivo no sentido de atuação na face da terra - isso em privado, claro - já que aos olhos dos demais, ela era todo amores para cima dele. Mas não que isso fizesse diferença para Thomas, pois de fato, sua noiva não gostar dele não estava no topo da sua lista de problemas. Com um riso quase que só para si mesmo, o sonserino ergueu as duas sobrancelhas em sinal de entendimento. - Não, claro que não, meu bem. - não adicionou nenhum comentário ácido no fim de sua conclusão, deixava aquela parte para Clarissa, que pareca sempre entretida ao vê-lo minimamente alterado perto dela, mas não era o tipo d entretenimento que Thomas apreciava. Ao ouvir o comentário de sua noiva, o moreno somente desviou sua atenção para as paredes de seu quarto e deixou que suas mãos se cruzassem atrás de suas costas. Não seria inteligente rebater Clarissa quando aquilo era tudo que ela mais queria.
Thomas observou Clarissa com certa apreensão, não sabendo exatamente o que aconteceria a seguir, levando em conta que nada nunca era certo com a morena. Ao ver a menina se despir, quase não conseguiu segurar sua surpresa, soltando um murmúrio de choque. - What the... - se calou, sabendo ser exatamente aquela reação que sua noiva desejava. Clarissa sabia o que fazia afinal. O sonserino se mexeu de forma incomodada, não sabendo exatamente para onde deveria olhar e finalmente deixando que seu olhar pousasse no corpo seminu de sua noiva. Ela não parecia ter nenhuma vergonha ou pudor de seu corpo. And hell, she really had a reason to. Thomas sabia que não deveria estar encarando, mas ele não conseguia evitar e culpava seus hormônios adolescentes e masculinos por isso. Rezou para que Clarissa não tivesse notado, mas duvidava que esse fosse o caso. Quando a morena finalmente se vestiu e veio até seu lado, Thomas não pôde deixar de notar em como ela segurava seu braço de forma quase natural, sorrindo como se acabasse de ganhar um jogo e ficando na ponta dos pés, tentando diminuir a diferença de 12 centímetros entre os dois. - Acho que você fica bem de preto. - falou devagar, ainda um pouco alheio, a ausência do “meu bem” ao fim da frase ressaltando a sinceridade velada no tom do rapaz.