Embora Winter estivesse apenas zombando de Luke, aquela frase se aplicava perfeitamente a ele — e à maioria dos marginais, afinal, eram eles que passavam a maior parte do ano letivo cabulando aulas por acharem a escola tediosa demais. “Não precisa se assustar, dessa vez eu deixo passar” brincou, acompanhando o deboche de Winter. Para ela, uma caso perdido, era tudo uma grande piada, como poderia não ser? No entanto, Luke levava sua reputação a sério, determinado a manter seu posto no clique dos marginais, e sabia que não podia se acostumar a deixar as aparências de lado. “Você tinha que mandar esse seu chefe ir se foder” comentou, interrompendo-a brevemente. Talvez fosse por aquele padrão de pensamento que não conseguia se manter em um emprego sequer. Luke ouviu atentamente a história de Winter e percebeu que segurar a risada havia sido mais fácil do que imaginara; ainda assim, um sorriso apareceu em seu rosto ao imaginar a amiga caída em um banheiro apertado e molhado. “Não existe uma lei sobre essas coisas? Que seu chefe tem que pagar suas contas do hospital ou qualquer coisa assim?” Ele analisou a postura de Winter mais uma vez, procurando por sinais de que o ferimento havia sido grave — não que soubesse identificá-los. “Acho que você não precisa ir no hospital, mas eu iria só para fazer o filho da puta pagar.”
Enquanto a garota não estava nem aí para nada, e fazia brincadeiras sobre isso, Luke, por sua vez, tinha uma reputação a zelar e status a manter. Era divertido para Winter testar a pose de bad boy do garoto, de forma responsável, é claro. Se é que essa é uma boa palavra para se aplicar em se tratando de Winter Blake. Se dentre quatro paredes ela não poupava demonstrações de afetividade e piadinhas, em público, no entanto, ela sabia que precisava maneirar nisso, pois considerava a importância daquilo para Luke. Por sorte, porém, naquele momento estavam no quarto dele, longe das medições e julgamentos alheios. “Eu mandei.” disse mediante a orientação do garoto. “Mentalmente, mas mandei.” embora a frase sempre viesse até a ponta de sua língua todas as vezes que seu chefe fazia algo escroto, Winter se esforçava para não dizer. Ponderando sempre, que precisava do emprego. “Me admira muito você ser tão entendedor de leis, Luke. Você fica decorando elas, só para ter certeza de que de fato as quebrou?" tornou a provocar. "Aliás, eu agradeço a indicação, mas eu não vou no hospital nem a pau.” a garota ergueu o próprio corpo, e se sentou sobre o colchão com as pernas cruzadas uma sobre a outra. “Eu já ‘tô bem, só queria fazer drama pra te deixar preocupado, porque você fica bonitinho com cara de preocupado.” admitiu olhando ao redor do quarto, como se escaneasse o local em busca de alguma coisa. “Mas chega desse assunto, I’m bored. Vamos fazer alguma coisa. Eu quero doce, me dá doce...” as frases saíam tão rápido quanto a velocidade do fluxo de pensamentos de Winter, que assim como era inquieta mudava de ideia de uma hora para outra. A última frase, no entanto, configurava um pedido manhoso, de voz arrastada, como que para amolecer o coração do amigo e fazê-lo ceder. "Eu já vou dormir aqui mesmo, não custava nada você tomar um docinho comigo, só um pequeneninho."